Marcelo Cavalcante | Seis marcas tradicionais encolheram no primeiro trimestre; novas rivais preocupam?
Novas marcas avançam no mercado brasileiro, enquanto as fabricantes tradicionais perdem espaço; veja quem mais sentiu o impacto
César Tizo - abril 2, 2025
Consultor Marcelo Cavalcante de Lima nos apresenta uma análise sobre o comportamento do mercado automotivo brasileiro no 1º trimestre de 2025:
O setor de automóveis e comerciais leves encerrou o mês de março com 184.045 unidades vendidas. Esse volume representou um crescimento de 4,58% em relação ao mesmo período do ano anterior e um avanço de 5,88% na comparação com fevereiro.
A média diária de emplacamentos foi de 9.687 unidades, ficando 10,09% acima do registrado em março de 2024 e 11,45% acima do mês anterior.
No acumulado do primeiro trimestre de 2025, foram comercializadas 517.717 unidades, volume 7,12% superior ao mesmo período de 2024. No entanto, ao compararmos com o período pré-pandemia (2019), as vendas registram uma queda de 10,74%.
As vendas no varejo em março totalizaram 88.283 unidades, anotando uma queda de 3,44% em relação ao mês anterior. Com isso, a participação do varejo caiu para 47,97%, a menor do ano até o momento.
Por outro lado, as vendas diretas, impulsionadas pelas locadoras, atingiram 95.762 unidades, registrando um crescimento de 16,22% ante fevereiro, com uma participação de 52,03% no total de emplacamentos.
Alguns concessionários relataram queda no fluxo de clientes na segunda quinzena do mês, enquanto outros apontaram a falta de disponibilidade de diversos modelos como um fator limitante para as vendas.
A retração do varejo em março pode ser parcialmente atribuída ao feriado de Carnaval. No entanto, outros fatores, como o aumento dos juros, a redução do fluxo nas concessionárias e estoques desajustados, também influenciaram o resultado.
Desempenho no primeiro trimestre de 2025
No primeiro trimestre, o varejo registrou crescimento modesto de 2,14%, com 274.805 unidades vendidas e uma participação de 53,08%. Já as vendas diretas, impulsionadas pelas locadoras, tiveram um crescimento expressivo de 13,38%, totalizando 242.912 unidades e representando 46,92% do mercado.
Segundo a ABLA (Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis), em 2024 as compras do setor de locação somaram 649.399 unidades, correspondendo a 26,14% do total de veículos vendidos no país.
Mercado de eletrificados segue em alta
Os dados preliminares apontam que o segmento de veículos eletrificados registrou 17.966 unidades vendidas em março, um avanço de 10,49% sobre fevereiro. Esse foi o segundo melhor resultado da série histórica.
No acumulado do ano, o segmento já soma 50.723 unidades comercializadas, crescendo 40,60% em relação ao ano anterior.
Mas qual o segredo do crescimento dos eletrificados acima da média do mercado? A resposta está na migração de consumidores para novas marcas, preços mais atrativos, pacotes de equipamentos que antes eram exclusivos de modelos premium, condições comerciais agressivas e a rápida expansão da rede de concessionárias.
Além disso, a chegada dos híbridos leves da Fiat contribuiu para impulsionar os números. Porém, mesmo desconsiderando esse fator para fins de comparação, o mercado de eletrificados ainda avançaria 20% no período.
A tecnologia plug-in hybrid liderou as vendas no trimestre, com 19.109 unidades, um crescimento de 85% ante 2024.
Os modelos 100% elétricos ficaram na segunda posição, com 12.972 unidades vendidas, mas registraram queda de 8% em relação ao ano passado.
A tecnologia híbrida leve (MHEV), turbinada pela Fiat, anotou um crescimento expressivo de 198%, totalizando 11.253 unidades.
Já os híbridos convencionais (HEV) tiveram uma retração de 6%, com 7.389 unidades comercializadas.
Outras análises sobre o segmento de eletrificados serão publicadas em um artigo separado.
Ranking de marcas – mensal e acumulado
O primeiro trimestre trouxe bons resultados para algumas marcas, mas também desafios para outras. A chegada de novas montadoras e redes de concessionárias, em um mercado de crescimento moderado, reduziu a fatia de algumas fabricantes e acendeu o alerta para diversas delas.
A Fiat encerrou março com 38.879 unidades vendidas, um crescimento de 4% sobre fevereiro. No acumulado do ano, a marca já comercializou 110.591 veículos, crescendo 9% em relação a 2024. Comparando com o período pré-pandemia, suas vendas avançaram 40,31%. A participação da Fiat nas vendas de março foi de 69% no atacado e 31% no varejo.
A Volkswagen garantiu a vice-liderança no trimestre, com 30.274 unidades vendidas em março, um crescimento de 10,39% sobre o mês anterior. No acumulado, a marca somou 78.824 unidades, crescendo 2,60%. Entretanto, na comparação com 2019, suas vendas caíram 4,21%. Em março, 58% das suas vendas foram no atacado e 42% no varejo.
A GM fechou o pódio com 20.163 unidades vendidas em março, um avanço de 26% sobre fevereiro. No entanto, no acumulado do ano, a marca registrou queda de 1,92%, com 55.808 veículos comercializados. Comparando com o pré-pandemia, a retração chega a 47,55%. Em março, suas vendas foram divididas em 54% para o atacado e 46% para o varejo.
Entre as dez marcas mais vendidas, seis perderam participação de mercado no trimestre. A Hyundai, por exemplo, viu sua fatia recuar 1,16 ponto percentual. Já a BYD, que segue em forte crescimento, ampliou sua participação em 1,10 ponto percentual, um avanço de 31,41%.
No comparativo, diversas marcas enfrentaram dificuldades no trimestre, com quedas acima de 20%. Confira resumo na tabela abaixo:
Segmento Premium
No mercado premium, a BMW manteve a liderança com 3.487 unidades vendidas no trimestre. A Volvo ficou na segunda posição, com 2.097 unidades, enquanto a Mercedes-Benz completou o pódio com 1.791 entregas, registrando um crescimento expressivo de 41,81% sobre 2024.
Ranking de modelos
A Fiat Strada liderou as vendas do trimestre, com 26.580 unidades, crescendo 10,23% ante o ano anterior.
Na segunda posição mensal, o Fiat Argo registrou 8.247 unidades vendidas. No acumulado, o hatch já soma 19.724 unidades, ficando na terceira colocação geral e crescendo 9,26% sobre 2024.
O Volkswagen Polo ocupou a terceira posição em março, com 8.120 unidades. No acumulado, é o segundo modelo mais vendido, com 21.881 unidades, embora tenha registrado uma queda de 19,74% no trimestre.
O SUV mais vendido no trimestre foi o Volkswagen T-Cross, com 18.379 unidades, crescendo 42,94% ante 2024.
Entre os modelos de entrada, o Fiat Mobi foi o mais vendido, com 14.255 unidades. Porém, suas vendas recuaram 2,80% na comparação anual.
No segmento de picapes médias, a Toyota Hilux liderou com 10.216 unidades, mantendo estabilidade em relação ao ano anterior. A Ford Ranger ficou em segundo lugar, com 7.363 unidades e um crescimento de 46%. O pódio foi completado pela Chevrolet S10, com 5.704 unidades.
Perspectivas para o setor
No geral, o primeiro trimestre fechou dentro das expectativas do setor. Agora, a expectativa é que as vendas no varejo voltem a crescer nos próximos meses.
Outras análises estão a caminho. Os dados são preliminares e podem sofrer pequenos ajustes.
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