Ataques via Bluetooth ameaçam carros e dispositivos; veja como se proteger
Bluejacking, Bluesnarfing e Bluebugging estão entre os principais riscos; sistemas automotivos também podem ser invadidos
César Tizo - agosto 27, 2025
O Bluetooth, onipresente em muitos dispositivos eletrônicos, tornou-se uma extensão da nossa vida digital – e, surpreendentemente, um potencial ponto de vulnerabilidade, inclusive dentro do seu carro. O que parece um simples hábito de conectar fones ou o próprio veículo ao celular pode, na verdade, estar abrindo uma brecha para cibercriminosos. Com mais de 5 bilhões de dispositivos Bluetooth vendidos no último ano e um crescimento constante, a conectividade traz consigo um “lado sombrio” que exige atenção redobrada, especialmente para quem está ao volante.
Marijus Briedis, CTO da NordVPN, alerta que o simples ato de manter o Bluetooth ativado em modo “descoberto” transforma qualquer usuário em um alvo fácil. Em um raio de até 100 metros – o equivalente a um campo de futebol – hackers podem tentar se conectar ao seu dispositivo. E os riscos vão muito além de um simples “spam” digital.
Os perigos que rondam seu carro:
Entre os ataques mais comuns via Bluetooth, três se destacam pela gravidade:
Bluejacking: Considerado o menos grave, funciona como um “spam”, enviando mensagens ou alertas aleatórios para o seu dispositivo. É irritante, mas não compromete dados.
Bluesnarfing: Aqui, a situação fica séria. O criminoso pode roubar arquivos, fotos, vídeos, agenda, e-mails e contatos do seu celular conectado ao carro, tudo sem que você perceba.
Bluebugging: O mais perigoso dos ataques. Nele, o hacker assume o controle total do dispositivo. Isso significa que ele pode fazer ligações, ouvir suas conversas, enviar mensagens, acessar a internet em seu nome e, potencialmente, espionar em tempo real.
Ainda mais preocupante é a técnica conhecida como Car Whisperer (sussurro do carro). Com um laptop e uma antena Bluetooth, um hacker pode acessar o sistema do seu veículo. Se o PIN padrão do Bluetooth do carro (muitas vezes “0000” ou “1234”) nunca foi alterado, o motorista pode estar deixando a “porta aberta”.
Com esse acesso, o criminoso consegue ouvir suas conversas no viva-voz, conectar-se ao sistema de mídia do veículo e, em alguns casos, até mesmo falar dentro do carro, criando uma situação de invasão assustadora.
Como se proteger?
A boa notícia é que é possível se proteger dessas ameaças. A solução passa por pequenas mudanças de hábito e um pouco de “preguiça digital” a menos:
Desligue o Bluetooth: O mais simples e eficaz. Desative a função quando não estiver usando.
Modo “invisível”: Configure seu dispositivo para o modo “não detectável” ou “invisível”, impedindo que ele apareça em buscas de outros aparelhos.
Recuse conexões desconhecidas: Nunca aceite pedidos de pareamento que você não reconhece.
Senhas fortes: Troque a senha padrão do Bluetooth do seu carro por uma complexa, que não seja óbvia.
Monitore seu consumo de dados: Um aumento inexplicável pode indicar uso indevido.
Atente-se a comportamentos estranhos: Ligações que caem, mensagens que você não enviou ou aplicativos esquisitos podem ser sinais de comprometimento. Em casos graves, restaurar o aparelho para as configurações de fábrica é recomendado.
A praticidade do Bluetooth é inegável, mas a segurança não pode ser ignorada. Proteger seus dispositivos, especialmente o veículo, é tão fundamental quanto trancar a porta de casa. A diferença entre ser uma vítima ou não pode estar em um simples clique ou em uma senha alterada.
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