Quanto custa, de fato, ter um carro no Brasil? Conta anual pode ultrapassar R$ 11 mil
Levantamento mostra que despesas como IPVA, seguro, manutenção e depreciação pesam no orçamento das famílias
César Tizo - janeiro 5, 2026
Ter um carro próprio segue associado a conveniência, autonomia e praticidade no dia a dia, mas o custo real dessa escolha ainda é subestimado por boa parte dos brasileiros. Além do valor de compra, a posse do veículo envolve uma série de gastos fixos e variáveis que, somados ao longo do ano, podem representar um impacto relevante no orçamento familiar.
De acordo com um levantamento do Serasa, 67% dos lares brasileiros colocam o automóvel entre os três maiores gastos anuais. Mesmo assim, 39% dos entrevistados afirmam ter dificuldade para calcular todos os custos envolvidos na manutenção de um carro, enquanto 32% dizem gastar mais do que haviam planejado. O dado reforça a importância de compreender o peso financeiro da posse antes de decidir pela compra ou manutenção de um veículo.
Entre os principais custos estão os impostos e taxas obrigatórias. O IPVA, por exemplo, representa, em média, de 2% a 4% do valor do carro por ano, além das despesas com licenciamento e emplacamento. Outro item relevante é o seguro, que, embora não seja obrigatório, é considerado essencial por muitos motoristas. Dependendo do perfil do condutor, do modelo e da região, o valor pode ultrapassar 5% do preço do veículo anualmente.
A manutenção preventiva também pesa na conta, mesmo para quem utiliza o carro com pouca frequência. Trocas de óleo e filtros, revisões de freios e cuidados com pneus são despesas recorrentes. Para um carro popular, esses custos básicos giram em torno de R$ 500 por ano, mas aumentam de forma significativa em modelos mais sofisticados ou potentes.
Há ainda a depreciação, um dos fatores menos percebidos pelo consumidor. Dependendo do modelo, o carro pode perder até 20% de seu valor já no primeiro ano, com quedas adicionais de 5% a 10% a cada ano seguinte. Soma-se a isso o custo de estacionamento ou de uma vaga extra, que pode variar de R$ 200 a R$ 500 mensais em áreas urbanas.
Na prática, considerando um veículo avaliado em cerca de R$ 70 mil, o conjunto dessas despesas pode gerar um custo médio anual próximo de R$ 11 mil. O valor final, no entanto, varia conforme o perfil de uso, a quilometragem rodada, o tempo de posse e o modelo escolhido. Para quem utiliza o carro com frequência e valoriza a autonomia, a compra ainda pode fazer sentido, especialmente ao optar por veículos com menor depreciação e baixo custo de propriedade.
Diante desse cenário, alternativas à posse vêm ganhando espaço. O setor de locação de veículos cresceu 125% nos últimos cinco anos, segundo a Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (ABLA). Em 2024, as locadoras responderam por 26% dos emplacamentos de carros zero-quilômetro no País, sinalizando uma mudança no comportamento do consumidor.
Nesse contexto, empresas de aluguel por demanda e assinatura mensal ampliaram sua atuação. A proposta é oferecer acesso ao carro sem os custos fixos da propriedade, com opções que vão desde o aluguel por poucas horas até planos mensais. Para Luiz Bonini, CRO da Turbi, essa tendência reflete uma transformação estrutural na forma como as pessoas se relacionam com o automóvel. Segundo ele, a escolha entre comprar, alugar ou assinar depende diretamente da rotina e da intensidade de uso, permitindo ao motorista adequar a mobilidade às suas reais necessidades.
Com custos cada vez mais visíveis e alternativas mais acessíveis, a posse do carro deixa de ser uma decisão automática e passa a exigir análise cuidadosa. Entender a conta completa é, hoje, um passo fundamental para escolher a solução de mobilidade mais adequada a cada perfil.
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