15 erros que podem fazer seu carro quebrar antes do esperado
Erros no aquecimento do motor, na forma de estacionar e até negligência com fluidos “eternos” podem gerar prejuízos
César Tizo - janeiro 6, 2026
Muitos motoristas acreditam que, ao seguir as orientações básicas do manual do proprietário, seus veículos ultrapassarão facilmente a marca dos 100 mil ou 200 mil quilômetros.
No entanto, estatísticas indicam que cerca de 50% dos carros não atingem essa meta sem antes exigir reparos mecânicos catastróficos.
O problema, segundo especialistas em engenharia automotiva, raramente é a fabricação do veículo, mas sim hábitos cotidianos dos condutores que aceleram o desgaste de componentes vitais.
Aquecimento e Marcha Lenta
Um dos mitos mais persistentes é a ideia de que se deve manter o carro ligado em marcha lenta por até 10 minutos durante o inverno antes de colocá-lo em movimento. Na prática, esse hábito pode acelerar o desgaste do motor, chegando a duplicar o ritmo de desgaste em comparação ao uso adequado.
Em carros modernos com injeção eletrônica, a marcha lenta prolongada faz com que o combustível não queimado dilua o óleo do motor, prejudicando a lubrificação. A recomendação correta é esperar apenas de 30 a 60 segundos para estabilizar a pressão do óleo e começar a dirigir suavemente.
O perigo de confiar apenas no “P”
Para proprietários de veículos automáticos, um erro invisível ocorre no momento de estacionar. Muitos motoristas colocam o carro em “Park” (P) e soltam o freio, deixando todo o peso do veículo sobre uma pequena trava metálica chamada de parking pawl em inglês.
Com o tempo, essa peça pode quebrar, resultando em consertos que variam entre R$ 10 mil e R$ 25 mil. O procedimento correto é: colocar em neutro (N), acionar o freio de mão e, só então, mudar para a posição “P”.
Armadilha dos “Fluidos Eternos”
Outro ponto crítico é o conceito de “fluidos vitalícios” (lifetime fluids). Fabricantes muitas vezes sugerem que o óleo da transmissão ou do diferencial nunca precisa ser trocado.
Na realidade, esses fluidos perdem a eficácia por volta dos 80 a 110 mil quilômetros. Ignorar essa troca pode levar à falha total da transmissão, um dos prejuízos mais caros que um dono de carro pode enfrentar.
Atenção ao uso severo
Grande parte dos carros atualmente em circulação nos grandes centros urbanos se enquadra no chamado “uso severo” — condição que inclui trajetos curtos, geralmente inferiores a 10 minutos, trânsito para-e-anda, além de climas extremos.
Nessas situações, seguir o intervalo padrão de troca de óleo — que, em muitos modelos, gira em torno de 10 mil quilômetros ou 1 ano — pode representar um risco à durabilidade do motor.
Para veículos submetidos a esse tipo de uso, o mais indicado é reduzir pela metade o prazo ou a quilometragem previstos no plano de manutenção convencional. Algumas montadoras, inclusive, detalham no manual as recomendações específicas para o uso severo e os critérios adotados para caracterizar esse cenário. Por isso, é fundamental consultar esse tópico no manual do seu veículo.
Outros pontos de atenção:
Válvula PCV: Uma peça barata que, se entupida, pode causar vazamentos de óleo em todos os selos do motor.
Fluido de freio: Deve ser trocado a cada dois anos, pois absorve umidade e pode causar falha total do sistema de frenagem sem aviso prévio.
Gasolina de qualidade: O uso de combustíveis com baixos pacotes de detergentes (gasolina comum sem procedência) pode carbonizar bicos injetores em motores modernos com injeção direta.
Resumo: os 15 erros que podem reduzir drasticamente a vida útil do seu veículo
Aquecimento excessivo em marcha lenta: Deixar o carro parado por 10 minutos no frio. O ideal é esperar apenas 30-60 segundos e dirigir suavemente.
Trajetos muito curtos: Dirigir apenas distâncias curtas (menos de 10 minutos) impede que o motor atinja a temperatura ideal para evaporar a umidade e o combustível do óleo.
Seguir o intervalo de manutenção “normal”: A maioria dos motoristas deveria seguir o cronograma de uso severo (trocas de óleo mais frequentes) devido ao trânsito urbano.
Uso de óleo e filtros de baixa qualidade: Economizar poucos reais em insumos que protegem componentes de milhares de reais.
Confiar apenas na posição “P” (Park): Não usar o freio de mão antes de colocar em “P”, sobrecarregando a trava interna da transmissão (parking pawl).
Crença em “fluidos eternos”: Ignorar a troca do fluido de transmissão, diferencial e caixa de transferência porque o fabricante diz que duram a “vida toda”.
Negligenciar o fluido de freio: Não trocar o fluido a cada 2 anos, permitindo o acúmulo de umidade que corrói o sistema e compromete a segurança.
Esquecer o fluido da direção hidráulica: Ignorar esse fluido até que a bomba comece a fazer barulho ou vazar.
Válvula PCV obstruída: Não trocar essa pequena peça barata, o que causa pressão interna no motor e estoura retentores de óleo.
Filtro de ar do motor sujo: Deixar o filtro acumular muita sujeira, o que força o motor e aumenta o consumo.
Filtro de cabine (ar-condicionado) vencido: Um filtro obstruído força o motor do ventilador, levando a reparos caros no painel.
Uso de combustível de má qualidade: Abastecer com gasolina barata e sem aditivos detergentes, causando carbonização em motores modernos com injeção direta (GDI).
Ignorar as velas de ignição: Passar do prazo de troca das velas, o que sobrecarrega as bobinas e pode causar falhas de ignição.
Negligência com o sistema de arrefecimento: Não trocar o aditivo do radiador, resultando em corrosão interna e superaquecimento do motor.
Manutenção reativa: Esperar algo quebrar ou uma luz acender no painel para levar o carro ao mecânico, em vez de fazer a manutenção preventiva.
A conclusão é clara: ser um motorista reativo — que espera até as luzes de advertência surgirem no painel para ir à oficina — é o caminho mais curto para o prejuízo.
A longevidade do automóvel depende de uma postura proativa, ouvindo ruídos estranhos e respeitando prazos de manutenção baseados na realidade do uso urbano.