Corridas por aplicativo ficam até 52% mais caras aos domingos e na madrugada, aponta estudo
Levantamento do Data Gaudium mostra impacto direto do dia da semana e do horário no preço das viagens
César Tizo - janeiro 9, 2026
O valor das corridas por aplicativos de mobilidade vai além da distância percorrida e da demanda instantânea. O dia da semana e o horário da viagem exercem influência direta no preço final pago pelo passageiro, e os dados indicam que domingos e madrugadas concentram os maiores reajustes. Um levantamento do Data Gaudium, núcleo de inteligência da Gaudium, empresa de tecnologia especializada em mobilidade urbana e delivery, mostra que o custo médio das corridas pode subir até 52% nesses períodos.
A análise utilizou dados da plataforma Machine, sistema empregado por aplicativos regionais de mobilidade e delivery em diversas cidades brasileiras. Embora esses serviços disputem espaço com gigantes como Uber e 99, o estudo revela que o comportamento dos preços segue a mesma lógica do mercado: variações conforme oferta de motoristas, demanda e condições operacionais.
De acordo com o levantamento, o ticket médio das corridas realizadas aos domingos atinge R$ 19,59, contra R$ 15,82 nos demais dias da semana — uma diferença de 24%. O aumento reflete um padrão recorrente, marcado por menor disponibilidade de motoristas e deslocamentos associados a lazer, visitas familiares e atividades fora da rotina tradicional de trabalho.
Na madrugada, a pressão sobre os preços é ainda mais intensa. O valor médio das corridas chega a R$ 24,12, enquanto no restante do dia fica em R$ 15,88, representando uma alta de 52%. Nesse intervalo, fatores como a redução do número de veículos em circulação, custos adicionais para os motoristas e a maior percepção de risco influenciam diretamente a formação das tarifas.
Para eliminar distorções causadas por viagens mais longas, o Data Gaudium também avaliou o preço médio por quilômetro rodado. Aos domingos, o valor sobe para R$ 3,47, frente a R$ 3,29 nos outros dias da semana, um aumento mais moderado, de 5,5%. O dado indica que parte da elevação do ticket médio está relacionada ao perfil das viagens, e não apenas à tarifa aplicada.
Já na madrugada, o encarecimento por quilômetro é mais significativo. O preço médio chega a R$ 3,74, ante R$ 3,31 no restante do dia, alta de 13%. “O resultado indica que, além de percursos possivelmente mais longos, há um componente tarifário claro associado ao horário, reforçando a lógica de preços dinâmicos adotada pelas plataformas”, afirma Vinícius Guahy, coordenador de conteúdo e comunidade da Gaudium.
Os números ajudam a explicar a percepção frequente dos usuários de que “andar de app” custa mais caro fora do horário comercial. Ao mesmo tempo, evidenciam que aplicativos regionais enfrentam as mesmas pressões estruturais do setor de mobilidade urbana: equilibrar remuneração dos motoristas, disponibilidade do serviço e sensibilidade do consumidor ao preço.
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