Ranking de 2025 expõe força das marcas, mas também revela dependências perigosas
Dados mostram quem tem portfólio equilibrado e quem depende excessivamente de um único produto
César Tizo - janeiro 15, 2026
Os números consolidados do mercado brasileiro em 2025 mostram um cenário que, à primeira vista, parece confortável para as principais marcas. As líderes seguem as mesmas, os volumes se mantêm elevados e o mercado voltou a crescer. Mas uma análise mais atenta do ranking revela um ponto de atenção importante: muitas fabricantes dependem excessivamente de um ou dois produtos para sustentar suas vendas.
A Fiat é o melhor exemplo de liderança com menor risco. A marca segue isolada na primeira posição, mas também carrega uma dependência clara da Strada, que sozinha responde por algo entre um quarto e quase um terço de todos os emplacamentos da fabricante. Ainda assim, a presença de Argo, Mobi, Pulse, Fastback e Toro ajuda a diluir esse peso. O risco existe, mas é controlado.
Fiat é uma das poucas marcas que consegue diluir o peso sobre modelos específicos
Na Volkswagen, a situação é um pouco mais sensível. Polo e T-Cross concentram cerca de 40% do volume da marca. O portfólio é mais equilibrado do que no passado, mas qualquer tropeço desses dois modelos teria impacto imediato nos resultados. Ainda assim, a VW consegue distribuir melhor suas apostas entre hatch e SUV.
T-Cross: um dos modelos que concentra os resultados da VW
Já na Chevrolet, a dependência estrutural do Onix chama atenção. Mesmo após perder fôlego nos últimos anos, o hatch compacto ainda representa mais de 30% das vendas da marca no Brasil. Tracker e Onix Plus ajudam, mas não compensam totalmente uma eventual queda mais forte do modelo que, por muito tempo, foi o carro mais vendido do país.
Chevrolet ainda tem uma dependência estrutural do Onix
A Hyundai vive situação semelhante, talvez ainda mais delicada. HB20 e Creta respondem por mais de 80% do volume da marca. Com um portfólio enxuto, a fabricante fica altamente exposta a ciclos de produto, mudanças de preferência do consumidor e pressão de concorrentes mais agressivos em preço e conteúdo.
Gamas HB20 e Creta respondem por 80% dos emplacamentos da Hyundai
Na Toyota, a força da marca e a fidelidade do cliente ajudam a sustentar um cenário de risco moderado. Corolla e Corolla Cross concentram cerca de 70% das vendas, mas a imagem consolidada e o bom valor de revenda funcionam como amortecedores. Ainda assim, trata-se de uma dependência clara de apenas dois nomes.
Corolla Cross é o pilar da Toyota no Brasil atualmente
A Jeep também aparece bem posicionada no ranking, mas com concentração elevada. Compass e Renegade respondem por algo próximo de 75% das vendas da marca. O sucesso dos SUVs garante volume, mas deixa pouco espaço para erros de estratégia ou atrasos em atualizações, especialmente em um segmento cada vez mais competitivo.
Jeep: dependência elevada de Compass e Renegade
Entre as marcas em expansão, a BYD ilustra bem o risco típico de quem cresce rápido. As linhas Dolphin e Song concentram a maior parte das vendas da fabricante. É natural em uma fase inicial, mas reforça a necessidade de ampliar rapidamente a base de produtos para sustentar o crescimento no médio prazo.
Dolphin Mini ajudou no rápido crescimento da BYD no Brasil
Por fim, a Nissan talvez seja o caso mais crítico. O Kicks respondeu por mais de 80% das vendas da marca no Brasil. A dependência é extrema e deixa a operação vulnerável a qualquer mudança no mercado.
O recado que o ranking de 2025 deixa é claro: ter um carro líder ajuda, mas ter apenas um pode ser perigoso. Em um mercado cada vez mais competitivo, com margens pressionadas e consumidores mais exigentes, portfólio equilibrado virou fator de sobrevivência, não apenas de crescimento.
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