Associados da Abeifa fecham 2025 com alta de 31,7% nas vendas
Associação, que reúne importadores e marcas com montagem local, projeta crescimento moderado de 5% para 2026
César Tizo - janeiro 20, 2026
O mercado brasileiro de veículos importados e de marcas premium encerrou 2025 com resultados expressivos, mas encara 2026 sob a sombra de juros elevados e incertezas regulatórias. A Abeifa (Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores) apresentou nesta terça-feira (20) um balanço que mostra o crescimento de 31,7% nos emplacamentos de suas associadas, totalizando 137.973 unidades, enquanto o mercado total avançou apenas 2,6%.
O destaque absoluto foi a BYD, que consolidou sua dominância com 112.902 veículos emplacados – um salto de 47% em relação a 2024 – e agora representa 81,8% de toda a participação da Abeifa. A montadora chinesa surfou na onda dos veículos eletrificados, segmento que registrou expansão de 59,9% no mercado brasileiro, saltando de 178.452 para 285.266 unidades.
Enquanto isso, marcas tradicionais do segmento premium enfrentaram retração. A Porsche recuou 11,8% e a Land Rover teve queda de 28,3%. O tombo mais acentuado foi da Jaguar, com retração de 93,2%, emplacando apenas 17 unidades em todo o ano. A Kia, por sua vez, uma marca generalista, caiu 15,8%.
BYD supera 80% de participação nas vendas entre os associados da Abeifa
Desafios à frente
Para 2026, a Abeifa projeta crescimento mais modesto de 5% em suas vendas, chegando a 145.000 unidades, enquanto o mercado total deve expandir apenas 2%, alcançando 2,6 milhões de veículos. O presidente da associação, Marcelo Godoy, aponta a taxa Selic no patamar de 15% ao ano como o principal obstáculo, restringindo investimentos e dificultando o financiamento de veículos.
O cenário macroeconômico apresentado pela Bright Consulting na coletiva indica desaceleração do PIB de 2,26% em 2025 para 1,8% em 2026, com inflação projetada em 4,02% e câmbio estimado em R$ 5,50 em relação ao dólar.
Agenda regulatória em aberto
A entidade aguarda a publicação de três portarias regulamentares do Programa Mover, instituído pela Lei 14.902 de junho de 2024, além da definição sobre o Imposto Seletivo (IS) que incidirá sobre veículos eletrificados dentro da reforma tributária aprovada em janeiro de 2025.
Outro tema sensível é a política de aumento gradual do Imposto de Importação para veículos eletrificados, que deve continuar em vigor, e a regulamentação de veículos recreativos fora de estrada, cuja resolução tramita na SENATRAN e deve ser apreciada pelo CONTRAN em fevereiro.
Transformação da matriz
Os dados revelam uma mudança estrutural no perfil das importações brasileiras. A participação asiática saltou de 42,3% para 49,9% do total de 489.222 veículos importados em 2025, enquanto a Europa recuou de 29,3% para 10,2%. O Mercosul manteve-se estável em cerca de 41% das importações.
No segmento eletrificado, os veículos puramente elétricos já representam 34,5% das vendas nacionais da categoria, seguidos por híbridos (28%), micro-híbridos (22%) e híbridos plug-in (15,4%). Entre as associadas da Abeifa, a concentração em elétricos puros é ainda maior: 53,2% do total.
O mês de dezembro de 2025 registrou o melhor desempenho mensal das associadas Abeifa, com 18.149 emplacamentos – alta de 56,8% sobre dezembro de 2024 e 45,4% sobre novembro de 2025.
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