Qualidade dos carros eletrificados piora na China, aponta J.D. Power
Estudo revela aumento de 16 problemas por 100 veículos em 2025, com destaque negativo para híbridos plug-in
César Tizo - fevereiro 2, 2026
A indústria chinesa de veículos eletrificados, que lidera o setor globalmente em vendas e inovação tecnológica, enfrenta um desafio crescente de qualidade. Segundo o estudoJ.D. Power 2025 China New Energy Vehicle Initial Quality Study (NEV-IQS), divulgado em junho de 2025, a média geral de problemas por 100 veículos (PP100) com este tipo de propulsão subiu para 226, um aumento de 16 pontos em relação a 2024.
Embora o ritmo de deterioração tenha desacelerado — entre 2023 e 2024, o salto foi de 37 pontos —, os números acendem um alerta, especialmente para os híbridos plug-in (PHEVs), que registraram 234 PP100, contra 220 dos elétricos puros (BEVs).
A pesquisa, que ouviu mais de 20 mil proprietários de veículos adquiridos entre julho de 2024 e janeiro de 2025, identificou os sistemas de infoentretenimento como o principal foco de reclamações, com 31 problemas por 100 veículos. Paradoxalmente, os sistemas de bateria e recarga, que historicamente geravam ansiedade nos consumidores, apresentaram melhora de 3,2 pontos, sinalizando avanços tecnológicos nessa área.
BYD divide opiniões no ranking
A BYD, líder absoluta do mercado chinês e principal marca eletrificada operando no Brasil, apresentou desempenho heterogêneo. Enquanto o Sea Lion 07 EV conquistou o primeiro lugar na categoria SUV médio elétrico (198 PP100), outros modelos populares ficaram abaixo da média de seus segmentos. O Dolphin registrou 231 PP100, superando a média de 219 do segmento de carros compactos BEV.
Alguns modelos híbridos da BYD vendidos em diferentes mercados, como o Seal, o Song Pro e o Song L, os resultados preocupam. O Seal 06 PHEV liderou sua categoria com excelentes 173 PP100, mas o Han PHEV e o Seal PHEV empataram com 248 PP100, bem acima da média de 228 do segmento de carros PHEV mais demandados.
GWM e outros players no Brasil
A GWM (Great Wall Motor), que atua no Brasil com as marcas Poer, Haval e Ora, teve seu modelo Haval Menglong PHEV avaliado com 242 PP100, acima da média de 244 de seu segmento. A marca Wey, também do grupo GWM e presente no Brasil, mostrou desempenho superior: o Lanshan PHEV liderou a categoria de SUVs médios híbridos com 202 PP100.
A GAC, que também está presente no mercado brasileiro, teve seu monovolume Trumpchi E8 PHEV com desempenho abaixo apenas na média (233 PP100), enquanto o E9 PHEV não alcançou amostragem suficiente para pontuação oficial.
Desafios além da bateria
Elvis Yang, diretor-geral de produtos automotivos da J.D. Power China, destacou que o setor enfrenta um novo dilema. “Com a melhoria contínua das tecnologias de bateria, os problemas relacionados à autonomia e recarga estão diminuindo. No entanto, à medida que os veículos eletrificados penetram em todas as faixas de preço, equilibrar design arrojado com controle de ruído, vibração e conforto tornou-se um teste crucial para os fabricantes“, afirmou.
O estudo aponta que os SUVs off-road eletrificados, em alta nas cidades fora dos grandes centros na China, apresentam cinco dos 20 principais problemas relacionados a ruídos e sons anormais. Já os MPVs/monovolumes, cuja demanda cresceu 4,4% nas metrópoles, lideram o aumento de problemas entre os tipos de carroceria, com alta de 20,8% — quatro das principais reclamações envolvem bancos de segunda e terceira fileiras.
Marcas premium se destacam
No segmento premium (veículos acima de 350 mil yuans, cerca de R$ 280 mil), marcas tradicionais mostraram vantagem. O BMW iX3 liderou a categoria BEV premium com 180 PP100, enquanto a Nio teve desempenho misto: o ET5/ET5T conquistou o primeiro lugar entre sedãs médios BEV (206 PP100), mas outros modelos ficaram na média.
A Xiaomi, em sua estreia no mercado automotivo, surpreendeu ao conquistar a liderança na categoria de BEVs grandes com o SU7, registrando 193 PP100 — 13 pontos abaixo da média do segmento.
Para o mercado brasileiro, onde BYD, GWM e outras marcas chinesas disputam espaço crescente, os dados sugerem que o desafio vai além da tecnologia de baterias. O controle de qualidade em sistemas eletrônicos, conforto acústico e acabamento interno pode determinar quais players conseguirão consolidar presença em um mercado cada vez mais exigente.
We use cookies to ensure that we give you the best experience on our website. If you continue to use this site we will assume that you are happy with it.