Nissan prepara volta do Xterra para reforçar ofensiva global de SUVs raiz
Marca planeja família de utilitários com carroceria sobre chassi a partir de 2028, incluindo sucessores de Frontier e Pathfinder
César Tizo - fevereiro 6, 2026
A Nissan trabalha em um reposicionamento importante de sua linha global de utilitários esportivos e picapes. Durante o encontro anual da associação de concessionários dos Estados Unidos (NADA Show), a marca teria apresentado aos revendedores um plano de crescimento que prevê elevar as vendas locais para 1 milhão de unidades até 2027.
Parte central dessa estratégia envolve o retorno às origens: uma nova geração de modelos com estrutura de carroceria sobre chassi (body-on-frame), mais robusta e tradicional no off-road. Segundo relatos de concessionários ouvidos pela imprensa norte-americana, o primeiro produto dessa ofensiva será o retorno do Xterra, com lançamento previsto para 2028, seguido por uma nova Frontier e o Pathfinder totalmente redesenhados.
A notícia chama atenção no Brasil porque o Xterra já foi fabricado no Paraná entre 2003 e 2008 e mantém certa lembrança entre fãs de modelos 4×4. Com a Nissan voltando a apostar em utilitários “raiz”, o nome passa a figurar, ao menos em tese, como um possível candidato aos planos da marca para a América do Sul.
Detalhe do Nissan Xterra produzido no Brasil entre 2003 e 2008
Volta ao DNA off-road
A proposta da nova família é clara: SUVs mais parrudos, simples e resistentes, com foco em uso fora de estrada. De acordo com os relatos, o futuro Xterra terá visual musculoso, grade dianteira destacada, pneus grandes e proposta mais “sem frescura”, ecoando o espírito do modelo original.
Na prática, ele deve rivalizar diretamente com modelos como o Toyota Land Cruiser no exterior, além da gama Ford Bronco e até mesmo o Jeep Wrangler. Versões de luxo da Infiniti, por sua vez, mirariam concorrentes como Lexus GX. As próximas gerações da Pathfinder e da Frontier também devem migrar para a nova arquitetura, padronizando a base técnica e reduzindo custos de desenvolvimento.
Esse movimento recoloca a Nissan em um segmento dominado pelas marcas já citadas, onde hoje a fabricante tem participação limitada.
Projeção para o novo Nissan Xterra derivado da Frontier Pro – Imagem: Kolesa/Nikita Chuiko
Estratégia dupla
Apesar do foco renovado em SUVs tradicionais, a Nissan não abandona a eletrificação. Pelo contrário: a estratégia combina utilitários robustos com sistemas híbridos e soluções eletrificadas mais acessíveis.
Essa abordagem, que dispensa recarga externa, é vista como alternativa intermediária entre híbridos convencionais e elétricos puros, mais alinhada a mercados emergentes.
E o Brasil?
Embora não haja confirmação oficial sobre o Xterra para a América do Sul, o contexto joga a favor de uma eventual volta.
A Nissan mantém produção local da Frontier na Argentina, modelo que também deve adotar a futura plataforma de chassi. Uma base técnica compartilhada poderia facilitar a nacionalização ou regionalização de um SUV derivado, reduzindo custos de importação.
Além disso, o segmento de SUVs médios e grandes com apelo aventureiro segue aquecido no país, com nomes como Toyota SW4 alcançando ótima procura, além de estreantes chineses como o Haval H9. Um novo Xterra, maior e mais robusto, poderia entrar justamente nesse nicho, combinando imagem 4×4 forte com preços mais competitivos.
Se por ora o plano é global e de médio prazo, o retorno do nome ao portfólio internacional já basta para recolocar o modelo no radar do mercado brasileiro, especialmente em um momento em que a Nissan busca ampliar volumes e diversificar sua gama com híbridos e utilitários de maior margem.
Para a marca, a receita parece clara: tecnologia para ganhar eficiência e SUVs raiz para reconquistar identidade. Vamos acompanhar de perto.
We use cookies to ensure that we give you the best experience on our website. If you continue to use this site we will assume that you are happy with it.