Toyota troca comando global para enfrentar transição na indústria
Koji Sato deixa presidência e assume papel institucional como vice-chairman; CFO Kenta Kon vira CEO com foco em eficiência
César Tizo - fevereiro 6, 2026
A Toyota Motor Corporation anunciou nesta sexta-feira (6) uma reestruturação relevante em sua cúpula executiva, com mudanças no comando a partir de 1º de abril de 2026 e alterações no Conselho de Administração previstas para a próxima assembleia de acionistas. A principal novidade é a saída de Koji Sato da presidência para assumir uma função mais estratégica e institucional, enquanto o atual diretor financeiro, Kenta Kon, passa a comandar a operação diária como novo presidente e CEO.
Sato deixará o cargo máximo executivo para se tornar vice-chairman e ocupar a função recém-criada de Chief Industry Officer (CIO). O posto foi desenhado para ampliar a atuação da Toyota fora dos muros da empresa, com foco em articulação política, cooperação industrial e defesa da competitividade do setor automotivo japonês e global.
Já Kon, hoje CFO e com passagem pela Woven by Toyota, braço de tecnologia e mobilidade do grupo, assume a presidência com a missão de reforçar a gestão interna, melhorar a rentabilidade e acelerar decisões operacionais.
Segundo a montadora, o novo arranjo busca tornar a estrutura mais ágil diante de um ambiente de negócios cada vez mais complexo, marcado por eletrificação, digitalização, pressões regulatórias e margens mais apertadas.
Na prática, a Toyota separa duas frentes: estratégia institucional e gestão do negócio.
Koji Sato (esq.), atual presidente e CEO da Toyota, passará os cargos a Kenta Kon, hoje CFO, a partir de abril
Novo desenho de poder
A mudança também reflete o acúmulo de funções de Sato no ecossistema industrial japonês. O executivo foi indicado para presidir a associação das montadoras do Japão (JAMA) e ocupa a vice-presidência da federação empresarial Keidanren. Para a Toyota, sua presença nesses fóruns é estratégica para defender políticas industriais, manufatura local e cooperação entre empresas.
Com isso, Sato passa a atuar como uma espécie de embaixador da Toyota e do setor, enquanto Kon fica responsável por metas concretas como elevar a geração de caixa, reduzir o ponto de equilíbrio de produção e reformar a cadeia de valor da companhia.
A montadora deixou claro que a prioridade imediata é fortalecer a capacidade de lucro para sustentar investimentos em inovação e na transição para uma empresa de mobilidade, e não apenas fabricante de automóveis.
Executivos durante coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira
Impactos regionais
Embora a mudança seja global, os efeitos podem chegar às operações regionais, inclusive no Brasil.
A escolha de um CEO com perfil financeiro e foco em eficiência tende a reforçar uma gestão mais disciplinada de custos, plataformas globais e escala produtiva. Para a América do Sul, isso pode significar:
• maior pressão por rentabilidade nas fábricas locais • racionalização de portfólio, priorizando modelos de maior volume • investimentos mais seletivos em eletrificação • foco em híbridos e tecnologias de transição, em vez de elétricos puros de alto custo
O movimento conversa com a própria estratégia recente da Toyota no Brasil, que tem apostado em híbridos flex como Corolla e Corolla Cross, soluções mais alinhadas ao perfil de preço do mercado e à infraestrutura disponível, em vez de uma adoção acelerada de veículos 100% elétricos.
Com Kon no comando, a tendência é que projetos regionais precisem comprovar retorno financeiro claro antes de receber novos aportes, o que pode favorecer programas de nacionalização, redução de custos logísticos e maior integração com fornecedores locais.
Ao mesmo tempo, a atuação de Sato em entidades industriais pode fortalecer o diálogo com governos sobre políticas de incentivo à manufatura, descarbonização gradual e competitividade, temas que impactam diretamente o Brasil, onde a montadora mantém uma das maiores operações fora do Japão.
Transição sem ruptura
Diferentemente de uma troca motivada por crise, a Toyota enquadra a mudança como parte de um planejamento de longo prazo para preparar a empresa para a próxima fase da indústria automotiva.
Ao dividir funções entre articulação estratégica e execução operacional, a companhia tenta ganhar velocidade nas decisões internas sem perder influência nas discussões regulatórias e industriais globais.
Para mercados emergentes como o brasileiro, isso pode significar menos apostas arriscadas e mais pragmatismo: produtos rentáveis, eletrificação gradual e foco na sustentabilidade financeira do negócio. A conferir.
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