Menos elétrico, mais diesel: a nova estratégia da Stellantis na Europa
Grupo recoloca versões a diesel de Peugeot, Citroën, Opel, DS e Alfa Romeo após vendas de elétricos abaixo do esperado na Europa
César Tizo - fevereiro 16, 2026
A Stellantis iniciou uma guinada estratégica na Europa ao recolocar motores a diesel em parte de sua linha, movimento que sinaliza um recuo na aposta exclusiva nos veículos 100% elétricos. A decisão, confirmada por comunicados da empresa e listagens de concessionárias analisadas pela agência Reuters, envolve desde vans de passageiros até hatches e SUVs de marcas do grupo.
O reposicionamento ocorre num momento em que as vendas de elétricos no continente ficaram abaixo das projeções e autoridades regulatórias flexibilizaram metas que, até pouco tempo atrás, apontavam para o fim dos motores a combustão em 2035. Na prática, a Stellantis tenta equilibrar portfólio e rentabilidade diante de um mercado mais sensível a preço e ainda resistente à eletrificação total.
Entre os modelos que voltam a oferecer versões a diesel estão o hatch Peugeot 308, o DS 4 e veículos comerciais leves como Peugeot Rifter, Opel Combo e Citroën Berlingo.
Diesel segue vivo em marcas premium
A estratégia alcança inclusive as marcas de maior valor agregado. A Stellantis confirmou que continuará produzindo versões a diesel do Alfa Romeo Tonale, do Alfa Romeo Stelvio, do sedã Alfa Romeo Giulia e do DS 7, citando “demanda sustentada dos clientes”.
Segundo a empresa, a decisão é pragmática. “Optamos por manter os motores a diesel no portfólio e, em alguns casos, ampliar a oferta de powertrains. Queremos gerar crescimento e, por isso, estamos focados na demanda do consumidor”, afirmou o grupo em nota.
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Mudança de cenário
O retorno do diesel contrasta com a trajetória recente do mercado europeu. Em 2015, essa motorização representava ao menos metade das vendas de carros novos no continente. Após escândalos de emissões envolvendo montadoras como a Volkswagen, a participação despencou.
Dados da associação europeia de fabricantes (ACEA) mostram que, em 2025, os diesels responderam por apenas 7,7% dos emplacamentos, enquanto os elétricos puros ficaram com 19,5%.
Ainda assim, há nichos em que o diesel continua competitivo. O menor consumo em longas distâncias, maior autonomia e capacidade de reboque mantêm a tecnologia atrativa para frotistas, motoristas rodoviários e famílias que priorizam custo por quilômetro rodado.
Vantagem contra as chinesas
Outro fator pesa na conta: a concorrência chinesa. As marcas asiáticas que avançam na Europa concentram esforços quase exclusivamente em elétricos e híbridos plug-in, deixando o diesel de lado.
Para a Stellantis, isso cria um espaço de diferenciação. Modelos a diesel costumam custar menos que elétricos equivalentes, exigem infraestrutura já consolidada e oferecem uso mais previsível para quem não quer depender de recarga.
Na prática, a montadora passa a adotar uma postura mais flexível: manter elétricos, híbridos e combustão convivendo por mais tempo. Nos Estados Unidos, por exemplo, a empresa também reintroduziu modelos a combustão tradicionais, como o Jeep Cherokee, além de manter versões híbridas do Fiat 500.
O recado é claro: em vez de forçar uma transição acelerada, a Stellantis pretende seguir a demanda real do mercado. Para consumidores europeus que rodam longas distâncias ou buscam preços mais baixos, o diesel volta a ser parte relevante da equação.
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