Tiggo 5x foi o usado mais lucrativo em janeiro, revela estudo
SUV compacto da CAOA Chery conseguiu desbancar dois modelos da Toyota no mês passado; veja todos os dados
César Tizo - fevereiro 23, 2026
O mercado brasileiro de carros seminovos e usados iniciou 2026 em ritmo de ajuste fino, com concessionárias mais seletivas na compra de estoque e consumidores mais atentos ao preço. Ainda assim, os números indicam fôlego e preservação de rentabilidade.
De acordo com o Estudo Megadealer de Performance de Veículos Usados (PVU), desenvolvido em parceria com a Auto Avaliar, o giro médio de estoque subiu para 41 dias em janeiro, ao mesmo tempo em que a margem média de lucro ficou em 10,5%. Já o tíquete médio recuou para R$ 87 mil, queda de cerca de 12% frente a dezembro, reflexo de um mix mais conservador e da maior sensibilidade do consumidor no início do ano.
Segundo Fábio Braga, country manager da Megadealer, o período deve ser interpretado mais como reacomodação do que fraqueza. Janeiro concentra despesas como IPVA, matrícula e férias, o que tradicionalmente torna o comprador mais racional. Do lado das lojas, a estratégia foi priorizar negócios com maior segurança de margem, ainda que isso implique giro um pouco mais lento.
Os dados da Fenauto corroboram a resiliência do setor: cerca de 1,34 milhão de seminovos foram vendidos no mês, alta de 9,3% sobre janeiro de 2025. A retração de 24,5% ante dezembro é considerada sazonal.
Elétricos e chinesas puxam a rentabilidade
Um dos principais movimentos observados em janeiro foi o avanço das marcas chinesas e, sobretudo, dos elétricos no canal de usados. As concessionárias da BYD registraram o maior retorno sobre investimento do mês, com ROI médio de 81%, bem acima da média geral de 59%.
De acordo com J. R. Caporal, CEO da Auto Avaliar, três fatores explicam o fenômeno. O primeiro é o aumento da oferta de elétricos usados, muitos vindos de renovação de frota ou de modelos vendidos com descontos agressivos no zero-km. O segundo é a depreciação mais intensa desses veículos em comparação aos equivalentes a combustão, o que reduz o preço de entrada e atrai o segundo comprador. Por fim, o mercado passou a precificar melhor bateria e autonomia, diminuindo incertezas para lojistas, financeiras e clientes.
Na prática, os elétricos começam a ganhar status de oportunidade no seminovo, combinando preços mais acessíveis e margem interessante para as lojas.
Elétricos começam a ganhar status de oportunidade no mercado de seminovos
Modelos mais lucrativos
Entre os veículos com maior retorno para as concessionárias, o ranking do PVU trouxe três nomes conhecidos do público brasileiro:
CAOA Chery Tiggo 5x: SUV compacto liderou o estudo em janeiro com preço médio de R$ 109 mil, margem de 12,4% e giro de 45 dias
Toyota Corolla Cross: tíquete médio de R$ 157 mil, margem de 8,5% e giro de 32 dias
Toyota Corolla: preço médio de R$ 143 mil, margem de 9,8% e giro de 39 dias
O desempenho mostra que SUVs compactos e sedãs médios seguem como apostas seguras, equilibrando liquidez e rentabilidade.
O levantamento considerou dados de 3.089 concessionárias de 22 marcas conectadas à plataforma da Auto Avaliar. A empresa opera em sete países, atende mais de 4.200 concessionárias e 38 mil lojas independentes, movimentando cerca de US$ 1,4 bilhão por ano em vendas.
Se janeiro serviu como termômetro, o recado é claro: o mercado de usados segue aquecido, mas mais criterioso. Margem continua no radar das lojas, enquanto o consumidor busca oportunidades. E, nesse novo equilíbrio, elétricos e marcas chinesas ganham protagonismo crescente.
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