Motoristas de app pedem crédito barato e sonham com carro elétrico
Levantamento com 1.800 parceiros da Uber mostra categoria dividida sobre regulação, renda média de R$ 2,3 mil e forte demanda por financiamento com juros reduzidos
César Tizo - março 2, 2026
Estudo encomendado ao Instituto de Pesquisas Datafolha pela Uber traça um retrato direto do cotidiano e das prioridades dos motoristas de aplicativos no Brasil. O levantamento, feito com 1.800 condutores ativos, indica que acesso a crédito e renovação do veículo são hoje as principais preocupações da categoria, enquanto a discussão sobre regulamentação do trabalho divide opiniões.
O levantamento aponta um mercado profissionalizado, porém de baixa renda média e alta dependência do carro próprio, o que torna custo de financiamento, manutenção e troca de veículo fatores críticos para a continuidade da atividade.
Regulação divide a categoria
Questionados sobre a atuação do governo, os motoristas ficaram praticamente empatados:
42% defendem regulamentação
41% são contrários
o restante não soube opinar
Entre as ações esperadas do poder público, a prioridade não é legislação trabalhista, mas incentivos financeiros. Para 52%, o governo deveria auxiliar na renovação ou troca do carro com linhas de crédito ou subsídios.
Renda apertada e jornada parcial
O perfil econômico ajuda a explicar essa demanda:
Renda líquida média: R$ 2.348/mês
69% ganham até dois salários mínimos
55% dependem do app como principal ou única renda
60% ficam logados até 20 horas semanais
74% usam mais de um aplicativo
Além disso, 27% conciliam o app com emprego formal, enquanto outros mantêm atividades paralelas.
Carro é ferramenta — e dívida
O automóvel é o principal ativo do motorista, mas também a maior fonte de preocupação:
74% são proprietários do veículo
56% ainda estão pagando financiamento
prazos acima de 3 anos são os mais comuns
entre quem não é dono, 73% pagam aluguel do carro
A manutenção aparece como a maior preocupação de médio e longo prazo (49%), seguida por risco de assalto (37%) e perda de renda em caso de acidente (36%).
Troca de carro é quase consenso
Mesmo com renda apertada, 87% pretendem comprar ou trocar de veículo nos próximos três anos. Destes, 88% devem financiar e apenas 12% planejam pagar à vista.
Em eventual programa público de apoio, as soluções mais valorizadas seriam:
Financiamento com juros reduzidos (61%)
Isenção ou redução de impostos (53%)
Elétrico ganha interesse, mas preço trava
A pesquisa mostra mudança clara de percepção em relação aos elétricos:
51% da frota atual é flex
apenas 2% já usam elétrico
78% acreditam que elétricos podem se tornar a melhor opção
44% veem isso no curto prazo (2 a 3 anos)
80% têm interesse em adotar um modelo elétrico
O principal obstáculo é financeiro:
76% citam o custo inicial elevado
50% mencionam falta de infraestrutura de recarga
Caso haja incentivo, facilidade de financiamento e redução de preço seriam decisivos para a migração.
Leitura do estudo
O levantamento indica que a pauta central do motorista de app éeconômica, não regulatória. Antes de mudanças trabalhistas, a categoria pede crédito mais barato, impostos menores e previsibilidade de custos.
Ao mesmo tempo, o interesse massivo por elétricos sugere que políticas de subsídio ou financiamento específico podem acelerar rapidamente a renovação da frota, reduzindo despesas operacionais e emissões. Sem isso, o carro continuará sendo o principal gargalo financeiro do profissional.
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