Vendas de fevereiro sobem 8,5%, mas mercado segue “de lado”; venda direta avança e varejo perde fôlego
Com 175,9 mil emplacamentos, mês cresce sobre janeiro, porém sem aceleração estrutural; veja números
César Tizo - março 2, 2026
O mercado brasileiro fechou fevereiro de 2026 com 175,96 mil veículos leves emplacados, alta de +1,0% na comparação anual e +8,5% sobre janeiro. Ainda assim, o desempenho reforça a leitura de estabilidade: no acumulado do ano, são 338,05 mil unidades, avanço modesto de +1,1% frente a 2025, reporta análise da Bright Consulting.
Com 19 dias úteis, a média diária ficou em 9,26 mil unidades, acima de janeiro (7,73 mil) e também de fevereiro do ano passado (8,71 mil). Ou seja, o crescimento decorre mais de calendário e mix do que de uma expansão consistente da demanda.
Venda direta puxa o mês; varejo encolhe
A venda direta ganhou peso relevante e atingiu 45,3% do total, bem acima dos 37,1% de janeiro. O showroom/venda varejo, por sua vez, perdeu tração.
Volumes por canal – fevereiro/26
Canal
Volume
Var. m/m
Var. a/a
Showroom/varejo
96.288
-5,6%
-1,2%
Venda direta
79.672
+32,2%
+3,9%
No acumulado do ano, a venda direta já responde por 41,3% do mercado. A fotografia indica maior dependência de locadoras, frotistas e grandes contas, com menor participação do consumidor pessoa física.
Montadoras: Fiat lidera; Volkswagen cresce; BYD mantém pressão
Emplacamentos por marca – fevereiro/26
Marca
Emplacados
Share
Fiat
39.617
22,5%
Volkswagen
29.106
16,5%
Chevrolet
16.873
9,6%
Hyundai
12.078
6,9%
BYD
11.421
6,5%
Toyota
10.308
5,9%
Renault
9.439
5,4%
Jeep
8.187
4,7%
Honda
7.574
4,3%
Nissan
4.955
2,8%
GWM
4.813
2,7%
Ford
3.552
2%
CAOA Chery
3.401
1,9%
Citroën
2.241
1,3%
Ram
2.006
1,1%
Ganhos de participação (vs jan/26) Fiat (+1,4 p.p.), Volkswagen (+0,7 p.p.), Hyundai (+0,6 p.p.), Renault (+0,6 p.p.), BYD (+0,4 p.p.) e Honda (+0,2 p.p.).
Quedas Jeep (-0,8 p.p.), Geely (-0,6 p.p.), Ford (-0,4 p.p.), GM (-0,4 p.p.), Citroën (-0,3 p.p.) e Peugeot (-0,3 p.p.).
O movimento mostra consolidação das líderes tradicionais e avanço das marcas chinesas, enquanto algumas generalistas perdem terreno.
Modelos: Strada mantém folga; populares dominam
Ranking de modelos – fevereiro/26
Marca
Modelo
Emplacados
Share
Fiat
Strada
11.191
6,4%
Fiat
Mobi
6.560
3,7%
Fiat
Argo
6.478
3,7%
Chevrolet
Onix
6.450
3,7%
Volkswagen
T-Cross
5.667
3,2%
Volkswagen
Polo Track
5.469
3,1%
Renault
Kwid
5.195
3,0%
Hyundai
HB20
5.124
2,9%
Hyundai
Creta
4.985
2,8%
BYD
Dolphin Mini
4.875
2,8%
Jeep
Compass
4.120
2,3%
Chevrolet
Tracker
4.003
2,3%
Fiat
Toro
3.941
2,2%
Volkswagen
Nivus
3.851
2,2%
A Strada segue isolada na liderança, enquanto compactos de entrada mantêm relevância. O Dolphin Mini, elétrico mais acessível do mercado, consolida presença entre os 15 primeiros.
MG e SP concentram quase metade das vendas
Participação por estado (fev/26)
Minas Gerais: 23,8%
São Paulo: 23%
Paraná: 8,4%
Santa Catarina: 5,2%
Rio Grande do Sul: 4,2%
Somados, MG + SP representam 46,8% do volume mensal, reforçando a concentração regional do consumo.
Eletrificados crescem forte no ano, mas perdem share no mês
Fevereiro registrou 26.726 eletrificados, praticamente estável ante janeiro, porém +68,9% sobre 2025. O share ficou em 15,2%, ligeiramente menor por conta do avanço mais rápido do mercado total.
Distribuição por tecnologia
Powertrain
Volume
Participação
BEV (elétrico)
8.658
32,4%
HEV (híbrido)
7.742
29%
PHEV (híbrido plug-in)
7.497
28,1%
MHEV (micro-híbrido)
2.829
10,6%
Líderes por tecnologia
Tipo
Modelo
Volume
Share
BEV
BYD Dolphin Mini
4.875
56,3%
PHEV
BYD Song Pro
1.979
26,4%
MHEV
Fiat Fastback
1.136
40,2%
HEV
Toyota Corolla
2.287
29,5%
O avanço anual é expressivo, mas ainda irregular mês a mês, com forte concentração em poucos modelos.
Leitura final
Fevereiro confirma um mercado resiliente, porém sem tração orgânica, pontua a Bright Consulting.
O crescimento vem sustentado por canais corporativos e eficiência de calendário, enquanto o varejo ainda patina.
No curto prazo, a tendência é de volume estável com maior peso da venda direta, e eletrificados crescendo em ritmo elevado, mas dependentes de preços agressivos e poucos líderes.
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