Pensando em comprar um carro novo? Descontos aumentam no início de 2026
Bom momento para compra de carro novo é impulsionado por estoques elevados e contas tradicionais no início do ano, como o IPVA
César Tizo - março 6, 2026
O mercado brasileiro de automóveis zero quilômetro iniciou 2026 com um cenário que tem favorecido os consumidores nas negociações nas concessionárias. A combinação entre despesas típicas do começo do ano, como o pagamento do IPVA, menor apetite de compra das famílias e níveis ainda elevados de estoque nas revendas tem levado o setor a ampliar os descontos para estimular as vendas.
De acordo com o Estudo PVZ (Preços de Veículos Zero Km), elaborado pela MegaDealer com dados da plataforma Auto Avaliar, o preço médio de venda dos veículos novos ficou emR$ 159.679 em janeiro, com desconto médio de 7,6% em relação ao preço sugerido pelas montadoras (MSRP).
O percentual representa o maior nível de desconto desde junho do ano passado, quando havia atingido 7,7%.
Segundo o levantamento, o início do ano costuma concentrar despesas adicionais para os consumidores — como IPVA, matrícula e seguros — o que leva muitas famílias a adiar a compra do carro novo. Em paralelo, o crédito ainda restritivo também contribui para reduzir o ritmo de vendas, obrigando as concessionárias a ampliar incentivos comerciais.
De acordo com Fábio Braga, country manager da MegaDealer, o aumento na média de descontos reflete uma estratégia das revendas para manter a rentabilidade e garantir a rotatividade dos estoques.
“Várias concessionárias fazem a conta da rentabilidade pelo preço de compra, e não pela reposição do estoque”, explica o executivo.
Estoques maiores pressionam preços
Outro fator que tem influenciado o aumento dos descontos é o crescimento do volume de veículos nos pátios das concessionárias. O giro médio de estoque, que vinha se reduzindo nos últimos meses, subiu de 32 para 44 dias.
Segundo Braga, esse movimento também está relacionado ao período de transição de ano/modelo e às férias coletivas nas montadoras, que acabam concentrando unidades remanescentes do ano anterior nas redes de concessionárias.
“Quando o estoque aumenta e o consumidor está mais cauteloso por causa de despesas como IPVA, a tendência é que os descontos se ampliem para estimular a demanda”, afirma.
Diferença de descontos entre regiões
O estudo também identificou variações regionais nos níveis de desconto praticados no país.
As maiores reduções de preço foram registradas nas regiões Norte e Sudeste (RJ, MG e ES), ambas com média de 8,3%. No estado de São Paulo, analisado separadamente, o desconto médio ficou em 8,1%.
Já outras regiões apresentaram percentuais menores que a média nacional, como Nordeste (7,1%), Sul (6,9%) e Centro-Oeste (6,8%).
Chinesas em tendência oposta
Na contramão do mercado geral, os veículos elétricos e híbridos de marcas chinesas vêm registrando redução nos descontos, reflexo do aumento da demanda por esse tipo de motorização no país.
Entre os exemplos citados pelo estudo estão os modelos da GWM, cujo desconto médio caiu de 1,1% em dezembro para 0,4% em janeiro, e da BYD, que passaram de 4,6% para 4% no mesmo período.
Segundo J. R. Caporal, CEO da Auto Avaliar, a consolidação desses veículos no mercado brasileiro tem reduzido a necessidade de incentivos comerciais.
Para se ter uma ideia, no mercado de usados, a categoria de elétricos e híbridos foi a mais rentável para as concessionárias em janeiro.
O estudo analisou mais de 50 mil operações de venda realizadas no período. Ao todo, o levantamento já reúne dados de quase 700 mil negociações de veículos zero quilômetro, permitindo acompanhar a dinâmica de preços e os níveis de desconto praticados no mercado automotivo brasileiro.
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