América do Sul ganha relevância em novo plano estratégico do Grupo Renault
Plano “futuREady” reforça a importância de regiões como América do Sul, Índia e Coreia do Sul no crescimento global da empresa
César Tizo - março 10, 2026
O Renault Group apresentou nesta terça-feira (10) seu novo plano estratégico global, batizado de “futuREady”, que orientará as ações da companhia até o fim da década. A iniciativa sucede o programa Renaulution, lançado em 2021, e estabelece metas ambiciosas para crescimento, inovação tecnológica e expansão internacional, incluindo o lançamento de36 novos modelos até 2030.
Segundo a fabricante, o plano tem como objetivo consolidar o grupo como referência entre as montadoras europeias no cenário global, em um contexto de maior competição e rápidas transformações tecnológicas no setor automotivo.
“Nosso novo plano é um passo crucial para o futuro do Renault Group. Temos bases sólidas em nossas marcas, produtos e resultados financeiros e queremos garantir um desempenho robusto e sustentável no longo prazo”, afirmou François Provost, CEO da companhia.
Ofensiva de produtos até o fim da década
No centro da estratégia está uma nova ofensiva de produtos. Ao todo, serão 36 lançamentos globais até 2030, sendo 22 novos modelos na Europa, dos quais 16 totalmente elétricos, além de 14 veículos destinados a mercados internacionais.
A marca Renault pretende ampliar sua presença fora do continente europeu e projeta vender mais de 2 milhões de veículos por ano até o final da década, com metade desse volume vindo de mercados internacionais. A empresa também estima que 100% das vendas na Europa sejam eletrificadas até 2030, enquanto fora do continente essa participação deverá chegar a 50%.
Mercados considerados estratégicos para o crescimento incluemÍndia, América do Sul e Coreia do Sul, regiões que receberão novos modelos e investimentos industriais.
Estratégia para cada marca
O plano também detalha a evolução das três principais marcas do grupo.
A Renault seguirá ampliando sua gama eletrificada e lançará 12 novos modelos na Europa, ao mesmo tempo em que expandirá sua presença internacional com 14 lançamentos adicionais.
A Dacia, conhecida pelo posicionamento focado em custo-benefício, continuará apostando em preços competitivos e acelerará sua transição para a eletrificação. A meta é que dois terços de suas vendas sejam eletrificadas até 2030, com a ampliação da oferta de veículos elétricos de um para quatro modelos.
Já a Alpine, divisão esportiva do grupo, planeja expandir sua linha com novos produtos, incluindo a nova geração do esportivo A110 baseada na plataforma Alpine Performance Platform (APP), além dos modelos elétricos A290 e A390.
Nova plataforma elétrica com até 750 km de autonomia
Outro pilar do plano é o avanço tecnológico. A Renault anunciou o desenvolvimento da nova plataforma elétrica RGEV Medium 2.0, destinada a modelos dos segmentos B+ (compactos/médios) até D (grande).
A arquitetura terá sistema elétrico de 800 volts, permitindo recargas ultrarrápidas de até 10 minutos até 2030, dependendo da infraestrutura disponível. Os modelos baseados nessa plataforma deverão alcançar autonomia de até 750 km no ciclo WLTP.
Além disso, a plataforma poderá receber uma configuração com range extender (motor térmico atuando apenas como gerador), capaz de atingir até 1.400 km de autonomia total e emissões inferiores a 25 g de CO₂ por km.
A Renault também trabalha em uma nova geração de motor elétrico sem uso de terras raras, com potência de até 275 cv e eficiência estimada de 93% em velocidade de cruzeiro.
Veículos cada vez mais definidos por software
Outro foco da estratégia está na digitalização dos veículos. A empresa pretende adotar uma arquitetura Software Defined Vehicle (SDV) centralizada, que permitirá atualizar até 90% das funções do carro remotamente (OTA).
O sistema operacional será desenvolvido em parceria com o Google e baseado no Android, abrindo caminho para uma futura evolução para o conceito de “Artificial Intelligence Defined Vehicle”, no qual a inteligência artificial gerenciará funções como infoentretenimento, sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS) e até parâmetros de chassi.
Redução de custos e produção mais eficiente
No campo industrial, o grupo pretende reduzir custos e acelerar o desenvolvimento de novos modelos. Entre as metas estão:
Ciclo de desenvolvimento de novos veículos em dois anos
Redução média de 30% no número de peças por veículo
Uso de 350 robôs humanoides em fábricas
Queda de 20% no custo de produção
Redução de 25% no consumo de energia nas plantas industriais
O uso intensivo de inteligência artificial também permitirá supervisionar mais de 1.000 pontos de controle na fabricação, com o objetivo de reduzir pela metade as falhas nos veículos já no primeiro ano de uso.
Metas financeiras
No médio prazo, o Renault Group pretende manter resultados financeiros robustos, com margem operacional entre 5% e 7% da receita e fluxo de caixa livre automotivo médio igual ou superior a € 1,5 bilhão por ano.
A empresa também projeta ampliar a fidelização dos clientes, buscando atingir taxa de retenção de 80% em um ciclo de dez anos.
Com o plano futuREady, a montadora francesa pretende consolidar uma nova fase estratégica baseada em crescimento global, eletrificação acelerada e forte integração entre software, inteligência artificial e produção industrial.
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