Petrobras diz ter margem para reduzir impacto da alta do petróleo nos combustíveis no Brasil
Estatal afirma que estratégia comercial permite reduzir a transmissão imediata das variações internacionais ao mercado
César Tizo - março 10, 2026
A Petrobras informou que possui mecanismos capazes de reduzir o impacto da alta do petróleo no mercado brasileiro ao mesmo tempo em que mantém a rentabilidade da companhia. A avaliação foi divulgada em nota encaminhada à Agência Brasil em meio à escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que têm provocado forte volatilidade no mercado internacional de energia.
Segundo a estatal, a estratégia comercial adotada atualmente permite mitigar parte das oscilações externas. A empresa afirma que passou a considerar em sua política de preços fatores como as melhores condições de refino e logística, o que cria maior flexibilidade para administrar eventuais picos nas cotações internacionais.
“Em um cenário em que guerras e tensões geopolíticas ampliam a volatilidade do mercado internacional de energia, a Petrobras reafirma seu compromisso com a mitigação desses efeitos sobre o Brasil”, informou a companhia no comunicado.
Ainda de acordo com a empresa, essa abordagem possibilita períodos de maior estabilidade nos preços internos sem comprometer a sustentabilidade financeira da companhia. A estratégia também reduz a transmissão imediata das variações internacionais para o mercado brasileiro.
A Petrobras acrescentou que, por razões concorrenciais, não pode antecipar eventuais decisões sobre reajustes, mas reiterou que seguirá atuando de forma “responsável, equilibrada e transparente para a sociedade brasileira”.
Tensão geopolítica eleva preços
A recente escalada das tensões envolvendo o Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa cerca de 25% do petróleo comercializado no mundo — provocou uma forte alta nas cotações da commodity nos últimos dias.
Na segunda-feira (9), o barril do tipo Brent chegou a atingir US$ 120 no mercado internacional. Posteriormente, após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando a possibilidade de uma redução das hostilidades, os preços recuaram e voltaram a ser negociados abaixo de US$ 100. Ainda assim, permanecem acima da média de cerca de US$ 70 registrada antes do início do conflito.
Mesmo com a queda recente, o cenário permanece incerto. Após o fechamento dos mercados, Trump voltou a ameaçar o Irã com ataques “vinte vezes mais fortes”, afirmando que isso poderia tornar “praticamente impossível a reconstrução do país” caso Teerã mantenha o bloqueio do Estreito de Ormuz.
Mudança na política de preços
Para especialistas, a capacidade da Petrobras de suavizar o impacto das oscilações internacionais está ligada à mudança na política de preços adotada pela empresa em 2023, quando foi abandonada a chamada política de paridade de importação (PPI). Esse modelo determinava que os preços domésticos acompanhassem diretamente as variações do mercado internacional.
Segundo a diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), Ticiana Álvares, a nova estratégia permite considerar fatores internos na formação dos preços.
“A política da Petrobras acompanhava 100% a trajetória dos preços internacionais. Essa política foi modificada e agora leva em consideração fatores internos, o que cria uma margem de manobra maior para a companhia”, explicou.
Apesar disso, a especialista ressalta que a capacidade de intervenção da estatal tem limitações. Isso ocorre porque o Brasil ainda depende da importação de derivados, como diesel, além de possuir refinarias privatizadas que não seguem necessariamente a mesma estratégia de preços.
“A refinaria da Bahia, por exemplo, foi privatizada. Isso reduz os mecanismos disponíveis para segurar os preços nessas unidades em comparação com as refinarias controladas pela Petrobras”, concluiu.
Petrobras vai procurar mitigar os efeitos das oscilações no preço do petróleo
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