Carro usado sobe 2,16% no 1º trimestre e registra maior alta desde 2022, aponta índice
Com crédito resiliente e maior custo do zero-km, mercado de usados segue aquecido; modelos populares puxam valorização
César Tizo - abril 10, 2026
O preço dos automóveis leves usados no Brasil registrou alta de 2,16% no primeiro trimestre de 2026, segundo o índice IBV Auto, desenvolvido pelo Banco BV. Trata-se do maior avanço para o período desde 2022, reforçando o cenário de aquecimento no mercado de seminovos e usados.
A trajetória ao longo do trimestre foi marcada por desaceleração gradual: após subir 0,90% em janeiro, o índice avançou 0,55% em fevereiro e 0,71% em março. Ainda assim, o desempenho consolidado indica demanda consistente, sustentada por renda e crédito em patamares considerados sólidos, mesmo com juros elevados.
De acordo com o banco, o custo mais acessível em relação aos veículos zero-quilômetro segue como principal vetor de atração para o consumidor, somado à ampla oferta de modelos, marcas e faixas de preço disponíveis no mercado.
No acumulado de 12 meses até março, o IBV Auto apresenta alta de 7,33%, superando com folga a inflação oficial medida pelo IBGE, cujo IPCA em 12 meses até fevereiro estava em 3,81%. Parte desse avanço é explicada pela base de comparação mais fraca do início de 2025, quando o índice subiu apenas 0,28% no mesmo período.
A leitura do indicador, no entanto, aponta para continuidade da valorização dos usados nos próximos meses, ainda que em ritmo mais moderado no acumulado anual.
Entre os modelos analisados, os maiores aumentos de preço no trimestre foram registrados por Volkswagen Voyage (5,5%), Fiat Uno (5,2%) e Fiat Palio (5%). Dos 20 veículos monitorados, apenas o GM Classic apresentou desvalorização, ainda que marginal, de 0,2%.
No recorte regional, o Nordeste liderou a valorização no primeiro trimestre, com alta de 2,30%, seguido por Sudeste (2,17%), Sul (2,03%), Centro-Oeste (1,83%) e Norte (1,46%). Entre os estados, os maiores avanços foram observados em Pernambuco (3,56%), Rio Grande do Sul (2,67%) e Minas Gerais (2,66%).
Já na análise mensal de março, o Sudeste apresentou a maior variação frente a fevereiro, com alta de 0,78%, impulsionada principalmente por São Paulo, onde o índice avançou 0,97%. No Nordeste, Pernambuco voltou a se destacar, com elevação de 1,43% no mês.
Por outro lado, alguns estados registraram queda de preços em março, como Tocantins (-0,38%) e Goiás (-0,35%).
O levantamento também evidencia comportamentos distintos conforme o tipo de motorização. Veículos elétricos apresentam a maior depreciação: modelos lançados em 2023 acumulam queda de 44,6% até março. O movimento reflete, sobretudo, a redução dos preços dos elétricos novos, pressionados pela maior concorrência e estratégias comerciais mais agressivas das montadoras.
No mesmo intervalo, os híbridos registraram desvalorização média de 25,9%, enquanto veículos a combustão comparáveis recuaram 21,6%.
Desenvolvido com base em uma ampla base de financiamentos do próprio banco, o IBV Auto utiliza dados de transações reais para medir a variação de preços no mercado de usados. A metodologia considera fatores como depreciação, volume de vendas e características técnicas dos veículos, permitindo acompanhar com precisão as tendências por região e tipo de propulsão.
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