Novidades ampliam a linha de 700 cm³ da fabricante, enquanto a nova Blustar passa a oferecer locação da Factor 150
César Tizo - agosto 12, 2026

A Yamaha aproveita o Festival Interlagos 2026 para promover uma ofensiva importante no mercado brasileiro de motocicletas. A fabricante anunciou a chegada das novas Tracer 7 e R7, ampliando sua família equipada com o motor bicilíndrico CP2, e, paralelamente, confirmou a criação da Blustar, empresa dedicada à locação de motos em parceria com sua rede de concessionárias.
Com os dois movimentos, a Yamaha avança tanto no segmento de motocicletas de maior cilindrada quanto em novas soluções de mobilidade, passando a oferecer uma alternativa à compra tradicional para clientes particulares e profissionais que utilizam a moto como ferramenta de trabalho.
Uma das principais novidades é a Tracer 7, sport-touring que passa a integrar a linha de 700 cm³ da Yamaha ao lado da Ténéré 700 e da MT-07 Connected.
Seu motor CP2 bicilíndrico de 690 cm³ entrega 73,4 cv a 8.750 rpm e torque máximo de 6,9 kgfm a 6.500 rpm. O conjunto recebe acelerador eletrônico YCC-T, embreagem assistida e deslizante e controle de tração com dois níveis de intervenção, além da possibilidade de desligamento do sistema.
A ciclística utiliza garfo KYB invertido de 41 mm na dianteira, ajustável em 18 níveis, enquanto a suspensão traseira Monocross oferece regulagens de retorno e pré-carga da mola. Os freios dianteiros contam com dois discos de 298 mm e pinças radiais de quatro pistões, enquanto atrás há um disco de 245 mm. O ABS é de série.

Pensada para viagens, a Tracer 7 oferece tanque de 18 litros, para-brisa com ajuste de altura, protetores de mãos e assento do piloto regulável entre 830 mm e 850 mm. O peso em ordem de marcha é de 203 kg.
Entre os equipamentos estão painel TFT colorido de 5″, conectividade com smartphone pelo aplicativo Y-Connect, navegação por meio do Garmin StreetCross, porta USB-C e iluminação integralmente de LED.
Há ainda piloto automático, que pode atuar entre 40 km/h e 180 km/h da terceira à sexta marcha, além do YVSL, sistema que permite estabelecer um limite máximo de velocidade.
A produção da Tracer 7 começa ainda em agosto em Manaus (AM), enquanto a chegada às concessionárias está prevista para setembro. Serão oferecidas as cores Redline, vermelha sólida, e Midnight Black, preta metálica.
O preço sugerido é de R$ 59.990, sem frete, acompanhado de quatro anos de garantia e programa de revisão com preço fixo.

A outra grande estreia é especialmente aguardada pelos fãs das esportivas da Yamaha. A R7 passa a ocupar no Brasil o espaço entre a R3 e as motocicletas de performance superior, apostando na combinação entre uma ciclística voltada à condução esportiva e o já conhecido conjunto CP2.
A esportiva adota carenagem integral, posição de pilotagem mais agressiva e desenho diretamente associado à família R. Entre os elementos de identidade está a entrada de ar frontal em formato de “M”, inspirada na YZR-M1 utilizada pela Yamaha na MotoGP.
Assim como a Tracer 7, a R7 utiliza a arquitetura bicilíndrica CP2, conhecida pela entrega linear de torque e por também equipar modelos como MT-07 Connected e Ténéré 700.

A proposta, entretanto, é bastante diferente. A ergonomia, a aerodinâmica e a ciclística são orientadas para uma condução mais esportiva, buscando entregar maior precisão em curvas e estabilidade em velocidades elevadas sem levar a R7 ao território extremo das superbikes.
Com a chegada da esportiva e da Tracer, a Yamaha passa a montar uma família significativamente mais completa ao redor de seu conjunto bicilíndrico de aproximadamente 700 cm³ no Brasil, abrangendo propostas naked, aventureira, sport-touring e supersport.

No mesmo dia em que amplia seu portfólio, a Yamaha anunciou uma mudança relevante em sua atuação comercial. A fabricante criou a Blustar, empresa dedicada à locação de motocicletas e integrada à rede de concessionárias.
A proposta é atender tanto consumidores que preferem utilizar uma motocicleta sem adquiri-la quanto profissionais que dependem do veículo para trabalhar.
O contrato reúne despesas que normalmente ficariam sob responsabilidade do proprietário. Estão incluídos seguro, cobertura contra danos a terceiros, IPVA, licenciamento, manutenção preventiva, assistência 24 horas, rastreador e acessórios antifurto.
A contratação é feita digitalmente pelo aplicativo Blustar, disponível para Android e iOS. Nele, o cliente realiza cadastro, envia documentos, escolhe o plano, efetua pagamentos e seleciona a concessionária participante para retirada e manutenção da motocicleta.
As revisões previstas em contrato serão realizadas nas próprias concessionárias Yamaha, com peças genuínas e mão de obra da rede autorizada.
Inicialmente, a Blustar trabalhará apenas com a Yamaha Factor 150, que receberá uma identidade visual específica para a operação.
Serão oferecidos planos mensal e anual, com diárias a partir de R$ 49 e pagamentos semanais. Ao final do contrato anual, haverá ainda a possibilidade de aquisição da motocicleta de acordo com condições estabelecidas pelo Banco Yamaha.
A operação estreia em cinco concessionárias distribuídas por três estados. A adesão das lojas é voluntária e ocorre por meio de um modelo de franquias.
A Yamaha pretende ampliar gradualmente a cobertura do serviço e chegar a 40 concessionárias participantes até o fim de 2027.
A iniciativa acompanha uma forte expansão do mercado brasileiro de motocicletas destinadas à locação. Segundo dados citados pela Yamaha com base no Anuário Brasileiro do Setor de Locação de Veículos 2026, da ABLA, os emplacamentos de motos para locadoras passaram de 7.856 unidades em 2021 para 130.751 em 2025.
Com a Blustar, portanto, a Yamaha passa a disputar um mercado que cresce paralelamente às vendas tradicionais de motos novas. Ao mesmo tempo, a chegada da Tracer 7 e, principalmente, da inédita R7 reforça uma estratégia de ampliar a presença da marca também entre motocicletas de maior cilindrada e maior valor agregado.




