Preço do etanol cai 2,7% e vantagem sobre gasolina bate recorde; veja onde mais compensa
Biocombustível encerrou o mês a R$ 4,050 por litro e relação com a gasolina atingiu o menor nível da série histórica
César Tizo - setembro 1, 2026
O preço do etanol voltou a cair com força em agosto e ampliou sua competitividade em relação à gasolina no Brasil. O biocombustível encerrou o mês com valor médio de R$ 4,050 por litro, recuo de 2,7% na comparação com julho, segundo o Monitor de Preços de Combustíveis elaborado pela Veloe com apoio técnico da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
A retração foi a maior entre os seis combustíveis acompanhados pelo levantamento. Também ficaram mais baratos no mês o diesel comum, com queda de 1,1%, a gasolina comum, com redução de 0,5%, além da gasolina aditivada e do diesel S10, ambos com abatimento de 0,4%. O GNV seguiu na direção contrária e avançou 1,3%.
Com isso, a gasolina comum terminou agosto custando, em média, R$ 6,654 por litro, enquanto o diesel S10 alcançou R$ 6,949. A gasolina aditivada ficou em R$ 6,789, o diesel comum em R$ 6,752 e o GNV em R$ 4,900 por m³.
O desempenho do etanol chama ainda mais atenção quando analisado em um intervalo maior. Enquanto os demais combustíveis pesquisados acumulam aumento de preços em 2026, o biocombustível registra queda de 9,5% desde o início do ano. Em 12 meses, a redução chega a 5,1%.
O diesel S10 acumula alta de 12,4% em 2026, seguido pelo diesel comum, com 10,3%. A gasolina comum está 6% mais cara no ano e a aditivada registra avanço de 5,6%.
Etanol alcança maior vantagem histórica sobre a gasolina
A redução de preços levou a relação entre o valor médio do etanol hidratado e o da gasolina comum a um novo recorde.
Em agosto, o litro do etanol correspondeu a 65,6% do preço da gasolina na média das unidades da federação. É o menor percentual da série histórica do Monitor de Preços de Combustíveis, iniciada em janeiro de 2017, e representa o segundo recorde consecutivo após a mínima registrada em julho.
Considerando apenas as capitais, a relação ficou em 66,2%, também o menor valor de toda a série histórica.
Utilizando o tradicional patamar de 70% como referência para avaliar a relação entre preço e consumo dos dois combustíveis nos automóveis flex, o etanol apresentou vantagem em nove unidades da federação.
Mato Grosso registrou a menor relação do país, com o etanol custando apenas 55,6% do preço da gasolina. São Paulo apareceu logo depois, com 58,1%.
Veja as regiões onde o etanol mais compensa e a relação sobre o preço da gasolina
Mato Grosso: 55,6%
São Paulo: 58,1%
Mato Grosso do Sul: 61,8%
Goiás: 61,9%
Paraná: 63,1%
Distrito Federal: 64,9%
Minas Gerais: 64,9%
Bahia: 67,6%
Amazonas: 68,3%
Em Santa Catarina, segundo os dados divulgados pela Veloe/Fipe, a relação ficou exatamente em 70%.
Vale observar que o percentual de 70% funciona apenas como uma referência geral. A decisão mais precisa depende do consumo específico de cada automóvel com gasolina e etanol, já que alguns motores flex apresentam uma diferença de eficiência menor ou maior entre os dois combustíveis.
São Paulo tem o etanol mais barato do país
A diferença regional continua expressiva. O Sudeste apresentou o menor preço médio do etanol em agosto, de R$ 3,892 por litro, após uma queda mensal de 3,3%.
No Norte, por outro lado, o biocombustível custou em média R$ 5,082, enquanto no Nordeste o valor chegou a R$ 4,927.
Entre as unidades da federação, São Paulo apresentou o etanol mais barato do Brasil, com média de R$ 3,735 por litro. Mato Grosso ficou praticamente empatado, com R$ 3,772.
Os cinco menores preços médios foram:
São Paulo: R$ 3,735/litro
Mato Grosso: R$ 3,772/litro
Mato Grosso do Sul: R$ 4,078/litro
Minas Gerais: R$ 4,099/litro
Paraná: R$ 4,111/litro
Na comparação mensal, o etanol ficou mais barato em todas as cinco regiões brasileiras. Além da queda de 3,3% no Sudeste, houve reduções de 2,2% no Nordeste, 2,1% no Sul, 1,9% no Norte e 1,3% no Centro-Oeste.
Gasolina ainda passa de R$ 7 em algumas regiões
A gasolina comum apresentou uma queda bem mais discreta em agosto, de 0,5%, encerrando o mês a R$ 6,654 por litro na média nacional.
O Sul apresentou a menor média regional, de R$ 6,467, seguido pelo Sudeste, com R$ 6,487. No outro extremo, o litro custou em média R$ 7,130 no Norte e R$ 6,960 no Nordeste.
Entre os estados, o Rio Grande do Sul apresentou a gasolina comum mais barata, a R$ 6,336 por litro. Na sequência aparecem Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina e Paraíba.
Confira os cinco menores preços:
Rio Grande do Sul: R$ 6,336/litro
Minas Gerais: R$ 6,391/litro
São Paulo: R$ 6,470/litro
Santa Catarina: R$ 6,477/litro
Paraíba: R$ 6,592/litro
Na outra ponta da tabela, Roraima apresentou a gasolina mais cara do país, com média de R$ 7,830 por litro. Acre, com R$ 7,499, Rondônia, com R$ 7,359, Amazonas, com R$ 7,306, e Sergipe, com R$ 7,272, completam o grupo dos cinco maiores preços.
Diesel recua, mas acumula alta superior a 12%
Também houve algum alívio para os consumidores de diesel em agosto, embora os valores ainda permaneçam bem acima dos registrados no início de 2026.
O diesel S10 teve redução mensal de 0,4% e encerrou agosto com preço médio de R$ 6,949 por litro. Mesmo assim, acumula alta de 12,4% tanto no ano quanto nos últimos 12 meses.
O diesel comum registrou retração mais expressiva no mês, de 1,1%, passando para R$ 6,752 por litro. No acumulado de 2026, porém, o combustível ainda apresenta elevação de 10,3%.
No caso do diesel S10, o Norte apresentou o maior preço médio regional, com R$ 7,254 por litro, enquanto o Sul registrou o menor valor, de R$ 6,647.
Abastecimento compromete 6,1% da renda familiar
O relatório da Veloe/Fipe também atualizou o Indicador de Poder de Compra de Combustíveis, que procura estimar quanto o abastecimento pesa no orçamento das famílias.
Considerando dados referentes ao segundo trimestre de 2026, encher um tanque de 55 litros com gasolina comum consumia, em média, o equivalente a 6,1% da renda domiciliar mensal no Brasil.
O percentual avançou 0,6 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre e 0,1 ponto percentual na comparação com o mesmo período de 2025.
As diferenças regionais são consideráveis. No Nordeste, abastecer o tanque representava 9,6% da renda domiciliar e, no Norte, 8%. A proporção cai para 5,1% no Sudeste, 5% no Sul e 4,9% no Centro-Oeste.
O Acre apresentou a situação mais desfavorável, com o abastecimento equivalente a 10% da renda média domiciliar, seguido por Maranhão, com 9,6%, Alagoas, com 9,2%, e Bahia e Ceará, ambos com 9,0%.
Já o Distrito Federal registrou a menor proporção, de 2,6%, seguido por São Paulo, com 4,2%.
O Monitor de Preços de Combustíveis é elaborado pela Fipe em parceria com a Veloe e combina dados transacionais da empresa com informações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e do IPC-Fipe. A série acompanha gasolina comum e aditivada, etanol hidratado, diesel comum, diesel S10 e GNV desde 2017.
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