Carros pelo Mundo | Geely confirma evoluções para o EX5 na China; Alemanha tem protestos contra demissões no setor automotivo
Geely revela EX5 renovado com até 635 km pelo ciclo CLTC, e Volkswagen lança seu primeiro SUV elétrico equipado com LiDAR
César Tizo - setembro 21, 2026
As principais novidades, lançamentos e movimentos da indústria automotiva internacional que podem interessar ao mercado brasileiro
A Geely apresentou a atualização do EX5, SUV elétrico que já integra sua linha brasileira. O modelo trocou a tração dianteira pela traseira, ganhou arquitetura elétrica de 800 V e passou de 218 cv para 333 cv.
A Volkswagen também acelera sua transformação chinesa. A marca lançou o ID. AURA T6, seu primeiro SUV elétrico equipado com LiDAR, e marcou para 24 de setembro a apresentação do ID. UNYX 09, sedã de mais de 5 metros desenvolvido em parceria com a Xpeng.
A edição acompanha ainda uma bateria criada pela CATL para picapes norte-americanas, os protestos contra demissões na indústria automotiva alemã e a possibilidade de a Chery levar as marcas Omoda e Jaecoo ao próprio mercado chinês.
Novo Geely EX5 terá 333 cv e arquitetura de 800 V
A Geely revelou oficialmente na China a atualização do EX5, comercializado naquele mercado como Galaxy E5. O lançamento ocorrerá em 23 de setembro.
A principal alteração está no sistema de propulsão. O motor elétrico foi transferido do eixo dianteiro para o traseiro e passou a desenvolver 245 kW, equivalentes a aproximadamente 333 cv.
A configuração vendida atualmente no Brasil possui tração dianteira, 218 cv e 32,6 kgfm. Portanto, o ganho de potência chega a 115 cv, além da mudança no comportamento dinâmico proporcionada pela tração traseira.
O novo modelo utiliza uma arquitetura elétrica de 800 V e terá duas baterias. A opção de 61,5 kWh proporciona autonomia declarada de 550 km pelo ciclo chinês CLTC e 451 km pelo WLTP.
A bateria de 70 kWh amplia esses números para 635 km no CLTC e 521 km no WLTP. Os resultados não podem ser comparados diretamente com os números do Inmetro porque os ciclos empregam procedimentos diferentes.
O EX5 brasileiro utiliza uma bateria de fosfato de ferro-lítio com 60,2 kWh. A autonomia homologada é de 413 km na versão Pro e 349 km na Max, conforme o Inmetro.
As dimensões do modelo atualizado são 4.636 mm de comprimento, 1.920 mm de largura e 1.670 mm de altura, com 2.750 mm de distância entre-eixos.
A Geely também confirmou um porta-malas dianteiro de 160 litros, com tampa de acionamento elétrico e capacidade para suportar até 50 kg.
O exterior preserva as linhas gerais do EX5, mas recebe novos para-choques, maçanetas convencionais e sensores adicionais. A substituição das maçanetas totalmente embutidas antecipa regras de segurança que entrarão em vigor na China.
O sensor LiDAR instalado no teto acompanha o sistema G-ASD G-Pilot H5. A tecnologia oferece navegação assistida em vias urbanas e rodoviárias, mas permanece dependente da supervisão do motorista.
Como o EX5 é um produto global e já está disponível no mercado brasileiro, a evolução deverá ser acompanhada por aqui, mas ainda não existe um cronograma de exportação anunciado pela Geely.
Novo Geely EX5 adota tração traseira, arquitetura de 800 V e até 333 cv. Foto: Divulgação/Geely
Volkswagen lança SUV com LiDAR e prepara sedã de 503 cv
A joint venture FAW-Volkswagen lançou na China o ID. AURA T6, primeiro SUV elétrico da marca a oferecer um sensor LiDAR.
O modelo está disponível em quatro configurações, com preços entre 129.900 e 166.900 yuans. O valor inicial ficou 6 mil yuans abaixo daquele anunciado durante a pré-venda.
Todas as versões utilizam um motor dianteiro de 170 kW, equivalentes a aproximadamente 231 cv. As baterias, fornecidas pela CATL, possuem capacidades de 59,9 kWh e 77,5 kWh.
As autonomias declaradas são de 540 km e 660 km pelo ciclo chinês CLTC, dependendo da bateria e da versão.
O ID. AURA T6 mede 4.811 mm de comprimento, 1.879 mm de largura e 1.648 mm de altura, com 2.836 mm de distância entre-eixos. O porta-malas traseiro comporta 576 litros, enquanto o compartimento dianteiro oferece 90 litros.
As duas versões superiores possuem um LiDAR de 192 canais e o processador Journey 6H, da Horizon Robotics, com capacidade declarada de 420 trilhões de operações por segundo.
O conjunto oferece navegação assistida em vias urbanas e rodoviárias, além de funções de estacionamento. Apesar da denominação comercial, não se trata de condução autônoma e o motorista continua responsável pelo veículo.
O SUV utiliza a arquitetura eletrônica CEA, desenvolvida pela Volkswagen em conjunto com a Xpeng. A estrutura reúne processamento centralizado, controladores distribuídos por zonas e atualizações remotas.
A mesma aproximação entre as empresas chinesa e alemã será demonstrada no ID. UNYX 09. A Volkswagen Anhui marcou para 24 de setembro o início da produção e a apresentação do sedã, com possível abertura da pré-venda.
O modelo mede 5.081 mm de comprimento, 1.980 mm de largura e 1.509 mm de altura, com 3.030 mm de distância entre-eixos.
A configuração de tração traseira possui um motor de 230 kW, aproximadamente 313 cv. A versão com tração integral acrescenta um motor dianteiro de 140 kW e alcança 370 kW combinados, equivalentes a cerca de 503 cv.
Os dois modelos foram desenvolvidos especificamente para a China. A Volkswagen não anunciou a exportação do ID. AURA T6 ou do ID. UNYX 09 para o Brasil, mas suas arquiteturas mostram a velocidade com que a marca está incorporando tecnologias de fornecedores e fabricantes chineses.
Volkswagen ID. AURA T6, primeiro SUV elétrico da marca com LiDAR – Foto: CnEVPost
CATL desenvolve bateria para picapes norte-americanas
A CATL desenvolveu um novo formato de bateria destinado às picapes elétricas comercializadas nos Estados Unidos, segundo informações publicadas pelo Financial Times.
O projeto utiliza uma bateria mais alta, adaptada às dimensões e às exigências de potência das picapes norte-americanas. Protótipos já teriam sido avaliados por fabricantes locais, cujos nomes não foram divulgados.
A empresa também não informou capacidade, química das células, densidade energética, potência de recarga, autonomia ou data para o início da produção.
A tecnologia poderá ser fabricada nos Estados Unidos por meio de licenciamento. Nesse modelo, uma companhia local controla a fábrica e utiliza processos ou conhecimentos técnicos fornecidos pela CATL.
A alternativa permitiria aproveitar a tecnologia chinesa sem a importação direta das baterias. O formato, entretanto, continua sujeito à aprovação regulatória e às restrições norte-americanas relacionadas a empresas chinesas.
A CATL é apontada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos como uma companhia ligada às forças militares chinesas. A fabricante de baterias rejeita essa classificação.
O projeto surge em um momento de menor procura pelas picapes elétricas nos Estados Unidos. Preço elevado, peso das baterias, autonomia durante o reboque e recarga em viagens longas continuam limitando a adoção.
Não foi anunciada uma aplicação brasileira. A iniciativa interessa porque as picapes representam uma parcela importante do mercado nacional, e baterias desenvolvidas especificamente para esse tipo de veículo poderão influenciar futuros produtos globais.
Apresentação recente da CATL – Foto: Divulgação/CATL
Trabalhadores protestam contra demissões na indústria alemã
Funcionários da Volkswagen, da BMW e da fornecedora Bosch realizaram manifestações em diferentes cidades da Alemanha contra demissões e possíveis transferências de produção.
Os protestos ocorreram como desdobramento da revisão financeira apresentada pela Volkswagen na última sexta-feira. O grupo reduziu sua previsão de margem operacional para no máximo 1% em 2026.
A Volkswagen planeja eliminar outros 50 mil postos de trabalho durante sua maior reestruturação, segundo a Reuters. Os cortes se somam a programas de redução de custos e aposentadoria antecipada.
Representantes dos trabalhadores pediram medidas europeias contra o que classificam como concorrência desleal chinesa, energia mais barata para a indústria, subsídios mais eficientes e preservação dos programas de aposentadoria parcial.
As fabricantes alemãs enfrentam simultaneamente excesso de capacidade industrial, redução da rentabilidade na China, tarifas nos Estados Unidos e margens menores em parte dos automóveis elétricos.
Lideranças sindicais também responsabilizam decisões administrativas pelo atraso das empresas em áreas como baterias, programas eletrônicos e digitalização dos veículos.
Nenhuma alteração foi anunciada para as operações brasileiras das fabricantes envolvidas. Entretanto, a pressão financeira na Europa poderá influenciar a distribuição mundial de investimentos, o desenvolvimento de produtos e a utilização das fábricas em outros mercados.
Manifestação de trabalhadores da indústria automotiva alemã. Foto: Divulgação/IG Metall
Chery poderá levar Omoda e Jaecoo ao mercado chinês
A Chery avalia lançar na China as marcas Omoda e Jaecoo, originalmente desenvolvidas com prioridade para os mercados internacionais.
A informação foi publicada pelo veículo chinês Leiphone e repercutida pelo CnEVPost. A fabricante ainda não confirmou oficialmente o projeto.
Segundo a reportagem, equipes de marketing estão sendo organizadas para posicionar Omoda e Jaecoo no segmento de maior valor agregado. A Chery também teria procurado profissionais com experiência em BMW, Mercedes-Benz e Audi.
Não foram divulgados modelos, preços, rede de concessionárias ou data para o início das vendas. Portanto, a entrada das marcas na China ainda deve ser tratada como uma possibilidade.
A avaliação ocorre em meio a uma diferença crescente entre os resultados domésticos e internacionais da Chery. As exportações do grupo somaram 1.343.334 veículos entre janeiro e agosto, crescimento de 68,16% sobre o mesmo período de 2025.
As vendas dentro da China recuaram 38,48%, para 571.147 unidades. Em agosto, as exportações representaram 70,32% do volume total do grupo.
Omoda e Jaecoo já possuem operação própria no Brasil, com uma gama formada por SUVs eletrificados e modelos a combustão. A eventual entrada na China poderá ampliar a escala, acelerar novos produtos e elevar os investimentos nas marcas, mas nenhuma mudança para a operação brasileira foi comunicada.
Resumo
As notícias desta edição evidenciam como as fabricantes tradicionais estão adaptando produtos e estruturas ao ritmo tecnológico chinês. A transformação envolve desde sistemas de assistência e arquiteturas eletrônicas até baterias, redução de custos e marcas originalmente criadas para exportação.
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