Tiggo 7 PHEV ou Haval H6 HEV: qual gasta menos com combustível e eletricidade?
Com até R$ 225 mil, leitor compara Haval H6 HEV e Tiggo 7 PHEV; veja como a recarga, a quilometragem e o preço de compra mudam a conta
César Tizo - setembro 22, 2026
Gostaria de saber qual é a compra mais vantajosa até R$ 225 mil: o GWM Haval H6 HEV, que não é plug-in, ou o CAOA Chery Tiggo 7 PHEV? Quero comparar a economia considerando tanto a conta de energia quanto o combustível – pergunta enviada por Manoel
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Manoel, obrigado por compartilhar sua dúvida e participar do Guru dos Carros!
Para responder, precisamos separar duas coisas: o carro que custa menos para rodar e aquele que exige o menor desembolso total. A frequência das recargas e a tarifa de energia influenciam a primeira conta. Já o preço da versão escolhida pode mudar bastante a segunda. Como você não informou a quilometragem mensal nem se dispõe de uma tomada adequada em casa, vou trabalhar com cenários para mostrar onde cada opção faz sentido.
Primeiro, compare as versões certas
O teto de R$ 225 mil permite considerar o Haval H6 HEV2 flex, anunciado exatamente por esse valor. Mas existe também o H6 HEV One flex, de R$ 199.900, que mantém o conjunto híbrido e os mesmos números de consumo homologados. O novo Tiggo 7 Pro PHEV, por sua vez, aparece no site da CAOA Chery a partir de R$ 209.990. São referências anunciadas pelos fabricantes, sujeitas à confirmação de versão, pintura e condições comerciais.
Nesta análise, considero o Tiggo atualizado, com 279 cv de potência combinada e bateria de 18,4 kWh, e o Haval com motorização flex. Essa identificação é importante porque há exemplares anteriores com resultados diferentes. Os dados de referência do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, do Inmetro, são os seguintes:
Modelo
Gasolina na cidade
Gasolina na estrada
Autonomia elétrica com recarga externa
Haval H6 HEV One / HEV2 flex
15,8 km/l
13 km/l
Não se aplica
Tiggo 7 Pro PHEV 2027
15,4 km/l (modo híbrido)
13,4 km/l (modo híbrido)
68 km
O PBEV também contém um registro anterior do Tiggo 7 PHEV com 60 km elétricos e consumo de 12,3 km/l na cidade e 11,9 km/l na estrada. Confira a ficha e a etiqueta da unidade cotada: os melhores resultados não devem ser atribuídos automaticamente a qualquer Tiggo 7 plug-in.
O que muda na conta de luz
No Haval HEV, a energia da bateria vem do funcionamento do próprio conjunto e da regeneração nas desacelerações. Não há recarga externa nem gasto adicional na conta de luz. No Tiggo, a recarga externa permite substituir uma parcela maior dos deslocamentos com gasolina por vários quilômetros percorridos em modo puramente elétrico. Para isso, seu percurso entre recargas precisa caber no alcance disponível, com margem para trânsito, relevo e uso do ar-condicionado. O motor a combustão ainda pode ser acionado conforme as condições de uso e a estratégia do sistema.
Para nossa simulação, adotei 1.000 km mensais exclusivamente urbanos, gasolina a R$ 6,50 por litro e tarifa final de energia a R$ 1 por kWh. Para a condução elétrica do Tiggo, usei como hipótese 25 kWh medidos na tomada a cada 100 km, já incluindo as perdas da recarga. Esse último valor é uma premissa de cálculo, não um consumo elétrico homologado do modelo nem o resultado de um teste nosso.
A despesa foi calculada somando a eletricidade dos quilômetros percorridos no modo elétrico à gasolina dos quilômetros restantes, usando o consumo urbano de referência de cada veículo. Os percentuais abaixo representam a parcela da distância mensal feita com eletricidade, e não o nível de carga da bateria.
Cenário em 1.000 km urbanos
Recarga
Gasolina
Total mensal
Haval H6 HEV flex
R$ 0,00
R$ 411,39
R$ 411,39
Tiggo 7 PHEV sem recarga externa
R$ 0,00
R$ 422,08
R$ 422,08
Tiggo 7 PHEV com 50% do percurso elétrico
R$ 125,00
R$ 211,04
R$ 336,04
Tiggo 7 PHEV com 80% do percurso elétrico
R$ 200,00
R$ 84,42
R$ 284,42
Tiggo 7 PHEV com 100% do percurso elétrico
R$ 250,00
R$ 0,00
R$ 250,00
Simulação, não previsão de gasto real. Gasolina: R$ 6,50/l; eletricidade: R$ 1/kWh; consumo elétrico assumido na tomada: 0,25 kWh/km. O cenário 100% elétrico pressupõe recargas suficientes e nenhum acionamento do motor a combustão no período. Valores arredondados
Recarga cara pode eliminar a vantagem
Com essas premissas, o custo por quilômetro em modo elétrico deixa de ser mais barato que o custo por quilômetro do Haval abastecido com gasolina quando a tarifa de energia chega a aproximadamente R$ 1,65 por kWh. Esse ponto de equilíbrio muda com o consumo elétrico efetivo e com o preço do combustível. Em carregadores pagos, some também eventuais taxas de sessão, estacionamento ou permanência; não compare apenas o preço anunciado da energia.
O Haval flex ainda permite escolher o etanol. Usando outra hipótese, de R$ 4 por litro, e seu consumo urbano homologado de 10,2 km/l, os mesmos 1.000 km custariam cerca de R$ 392,16. Portanto, a comparação correta deve considerar o combustível mais vantajoso disponível para você. Na eletricidade, utilize a tarifa final aplicável à recarga, com tributos e adicionais, não apenas o valor básico do kWh.
Haval H6 HEV2 Flex: possibilidade de abastecer com etanol também é algo a ser levado em conta
Na estrada, os dois ficam próximos
Os resultados da primeira tabela mostram que o novo Tiggo não precisa da tomada para apresentar um consumo de gasolina competitivo. Na cidade, o Haval leva uma pequena vantagem; na estrada, a ordem se inverte. Em 1.000 km rodoviários calculados somente pela referência de consumo em modo híbrido e com gasolina a R$ 6,50, seriam gastos R$ 500 no Haval e aproximadamente R$ 485 no Tiggo.
Essa diferença é pequena e pode ser superada pelas condições reais da viagem. Sair com o Tiggo carregado acrescenta uma parcela elétrica, mas, em percursos longos sem novas recargas, seu peso no trajeto total diminui. Não utilizaria essa vantagem rodoviária isolada para decidir a compra.
O preço de compra muda o resultado
Comparado ao Haval H6 HEV2, o Tiggo 7 PHEV custa R$ 15.010 a menos. Nesse confronto, não existe um sobrepreço pela tecnologia híbrida plug-in a ser recuperada com a economia de energia. É preciso apenas incluir na proposta o custo para viabilizar a recarga residencial, como a aquisição e instalação de um wallbox, por exemplo, além de cotar seguro e revisões.
Já diante do H6 HEV One, o Tiggo 7 PHEV tem preço R$ 10.090 maior. Na simulação urbana com 80% do percurso elétrico, a diferença de gasto energético entre eles é de aproximadamente R$ 127 por mês. Seriam cerca de 80 meses para recuperar apenas esse valor adicional de compra, sem considerar a adaptação da garagem para recarga, juros, rendimento do dinheiro, manutenção ou desvalorização. Rodar mais pode encurtar esse prazo; rodar pouco torna a recuperação mais demorada.
Nossa indicação depende da sua rotina de recarga
Com recarga doméstica de fácil acesso, tarifa favorável e uso urbano intenso que permita aproveitar bastante o modo elétrico, nossa sugestão seria optar pelo Tiggo 7 PHEV 2027, especialmente na comparação direta com o Haval H6 HEV2.
Caso você não tenha acesso à infraestrutura de recarga ou rode pouco com o carro até mesmo na cidade, talvez seja mais adequado priorizar o H6 HEV One.
Antes de definir a compra, leve em conta qual é a sua distância percorrida diariamente, quanto paga pelo kWh e qual é o custo da instalação necessária para efetuar a recarga residencial do automóvel. Esses três dados transformam a simulação em uma conta mais orientada ao seu caso.
Não recomendo escolher o veículo apenas porque determinada tecnologia de propulsão pareça mais avançada do que outra. O importante é selecionar aquela que melhor se adequa ao seu perfil de uso.
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