Carros pelo Mundo | Toyota avança com fábrica de US$ 1,34 bilhão na Argentina; BMW cortará modelos
Toyota avança com fábrica de veículo eletrificado na Argentina, e BMW revê gama, estrutura administrativa e produção global
César Tizo - outubro 1, 2026
As principais novidades, lançamentos e movimentos da indústria automotiva internacional que podem interessar ao mercado brasileiro
A Toyota obteve na Argentina a aprovação do enquadramento de um projeto de US$ 1,341 bilhão para uma nova fábrica de veículos eletrificados. A iniciativa, ainda dependente de decisão corporativa final, poderá reforçar a base de exportação da marca em Zárate, de onde saem picapes e SUVs que abastecem a América Latina.
Na Europa, a BMW anunciou cortes de versões e uma reorganização administrativa, ao mesmo tempo em que prepara um elétrico compacto para 2028. A BYD, por sua vez, ampliou suas vendas globais em setembro apoiada no forte crescimento dos embarques internacionais.
A edição acompanha ainda o Aito M8 atualizado na China e as projeções de perda de participação de General Motors, Ford e Stellantis nos Estados Unidos, onde os híbridos ganharam espaço.
Toyota avança com fábrica de US$ 1,341 bilhão na Argentina
A Toyota Argentina recebeu a aprovação de seu projeto no Regime de Incentivo para Grandes Investimentos (RIGI), etapa que abre caminho para uma nova fábrica em Zárate. O investimento previsto é de US$ 1,341 bilhão, segundo o ministro da Economia argentino, Luis Caputo.
A unidade foi proposta para produzir um veículo eletrificado com tecnologia ainda não fabricada no país. A Toyota confirmou a aprovação do enquadramento, mas esclareceu que a execução depende de autorização corporativa definitiva. Portanto, o valor representa o projeto apresentado, não uma obra já iniciada.
O plano prevê exportações anuais estimadas em US$ 1,28 bilhão, correspondentes a aproximadamente 70% da produção. O governo projeta mais de 3.600 empregos na construção e 2.600 postos diretos e indiretos na operação. Essas cifras são projeções do projeto, não resultados já alcançados.
A Toyota ainda não revelou oficialmente o modelo nem a motorização. Reportagens argentinas apontam a nova Hilux e sua configuração elétrica como possibilidades, mas a fabricante não confirmou essa identificação no anúncio. A planta atual de Zárate produz Hilux e SW4 para diversos mercados latino-americanos.
Como o Brasil importa a Hilux argentina, uma nova etapa industrial em Zárate pode ter repercussão direta na oferta regional. Ainda não há confirmação de que o futuro veículo eletrificado será vendido no mercado brasileiro, nem data para o início da nova produção.
Planta da Toyota em Zárate em foto de arquivo de 2014. Imagem ilustrativa; não retrata o novo projeto industrial
BMW reduzirá versões e prepara elétrico compacto para 2028
A BMW anunciou uma revisão da gama global para reduzir versões com menor retorno financeiro. O Série 2 Active Tourer não terá sucessor, enquanto um novo automóvel totalmente elétrico de entrada, com tecnologias da Neue Klasse, está previsto para a Europa em 2028.
A marca também estuda um SUV acima do X7 para os Estados Unidos e pretende apresentar na Europa, em 2027, o primeiro modelo da BMW Alpina sob sua nova estratégia. Na China, quer elevar a pelo menos 95% até 2030 a participação de veículos produzidos localmente e adaptados ao mercado chinês.
O grupo planeja diminuir em 20% o número de divisões e posições de gestão até meados de 2027, com redução comparável nos níveis organizacionais inferiores. A meta intermediária para a margem operacional do negócio automotivo é de 3% a 5% em 2028; a faixa de 8% a 10% só é esperada no início da próxima década.
A companhia pretende ampliar o uso de inteligência artificial no desenvolvimento e na produção, inclusive em colaboração com a Mistral AI para simulações de colisão. Os resultados continuam sujeitos à revisão e aprovação por engenheiros.
A BMW tem fabricação e vendas no Brasil. A decisão de selecionar versões por mercado pode influenciar a oferta local, mas o grupo não anunciou o novo elétrico compacto, o possível SUV acima do X7 ou alterações específicas na produção brasileira.
BMW i3 representa a tecnologia Neue Klasse que chegará ao futuro elétrico compacto
Exportações sustentam crescimento mundial da BYD
A BYD vendeu 463.561 veículos em setembro de 2026, crescimento de 17% ante o mesmo mês de 2025. Foi o quinto mês consecutivo de avanço global, apesar da concorrência intensa e da demanda mais fraca na China.
Os embarques internacionais de carros de passeio e picapes chegaram a 179.877 unidades, alta de 153,9% em relação a setembro do ano passado, conforme cálculo da Reuters a partir do comunicado da fabricante. Isso equivale a cerca de 39% do volume mensal global informado, embora as duas séries não tenham exatamente a mesma abrangência de produtos.
Entre janeiro e setembro, a empresa somou 3.131.576 veículos vendidos no mundo e 1.337.831 unidades embarcadas para fora da China na categoria de carros de passeio e picapes. Os números reforçam a importância crescente das exportações diante da disputa de preços no mercado doméstico.
O Brasil é um dos destinos centrais da expansão internacional da BYD e já recebe veículos importados, além de desenvolver a produção local na Bahia. O resultado global de setembro não permite identificar quantos automóveis foram destinados especificamente ao mercado brasileiro.
Fábrica da BYD nos EUA voltada à veículos comerciais
Aito M8 ganha arquitetura de 800 V e até 1.435 km de alcance
A Aito iniciou em 30 de setembro a pré-venda chinesa do M8 atualizado por 389.800 yuans na configuração inicial, 30 mil yuans acima do preço de tabela de entrada do modelo anterior. O SUV é desenvolvido por Seres e Huawei e será oferecido com cinco ou seis lugares.
A arquitetura elétrica de 800 V passa a integrar toda a linha. Segundo a marca, a versão totalmente elétrica alcança até 830 km pelo ciclo chinês CLTC; a configuração com extensor de autonomia chega a 1.435 km de alcance combinado, também pelo CLTC. Esses números não são comparáveis diretamente à medição do Inmetro.
O veículo mede 5.190 mm de comprimento, 1.999 mm de largura e 1.795 mm de altura, com 3.105 mm de distância entre-eixos. Entre as novidades estão esterçamento das rodas traseiras, suspensão pneumática de câmara dupla e amortecedores de válvula dupla.
O sistema Huawei Qiankun ADS 5 agrega assistência avançada à condução. A arquitetura foi preparada para uma futura aplicação de nível 3, mas isso não significa que o carro já possa circular autonomamente sem supervisão; a ativação depende de software e autorização regulatória.
A atualização coincide com a ampliação do papel da Seres na gestão da marca Aito. Não há anúncio de comercialização do M8 no Brasil. O interesse está na velocidade com que os fabricantes chineses combinam recarga, assistência eletrônica e soluções híbridas em SUVs grandes.
Aito M8 da configuração anterior ilustra o SUV atualizado na China
Híbridos poderão tirar mercado das fabricantes de Detroit
General Motors, Ford e Stellantis deverão encerrar o terceiro trimestre com cerca de 36% das vendas de veículos novos nos Estados Unidos, segundo projeção da Cox Automotive divulgada pela Reuters. As marcas asiáticas, entre elas Toyota e Honda, deverão superar 50%. Os balanços definitivos ainda não haviam sido divulgados.
A procura por híbridos cresceu em meio à alta da gasolina. Em setembro, o preço médio nacional chegou a US$ 4,43 por galão, ante US$ 3,20 um ano antes, segundo a AAA. Modelos híbridos já representam mais de um quinto das vendas de automóveis novos no país, conforme dados citados pela Axios.
A Cox prevê crescimento de 2,2% nas vendas da Toyota e recuo de 5,2% nas da GM no trimestre. O grupo Hyundai poderá ultrapassar a Ford: as projeções são de 511.421 veículos para a companhia coreana e 504.172 para a rival norte-americana. São estimativas, ainda sujeitas à confirmação nos resultados das fabricantes.
Ford oferece configurações híbridas das picapes Maverick e F-150, enquanto GM tem uma presença mais restrita em híbridos convencionais de grande volume nos Estados Unidos. A Stellantis está introduzindo uma versão híbrida do novo Jeep Cherokee. A composição de produtos ajuda a explicar a diferença projetada entre os grupos.
O quadro norte-americano não se reproduz automaticamente no Brasil, onde Ford não fabrica automóveis e Stellantis e GM possuem gamas distintas. Ainda assim, a disputa mostra como a disponibilidade de híbridos em segmentos populares pode alterar a participação das marcas quando os preços dos combustíveis sobem.
Resumo
Os movimentos desta edição ligam investimento industrial, seleção de produtos e preferência do consumidor. Enquanto Toyota e BMW ajustam onde e o que produzir, BYD e Aito ampliam a pressão tecnológica e comercial em mercados que também interessam às marcas presentes no Brasil.
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