Rota dos Sertões: lote de 502 km entre BA e PE terá gestão privada por 30 anos
Concessão de 30 anos liga Feira de Santana a Salgueiro; cobrança ainda depende de etapas e não tem data nem tarifa anunciadas
César Tizo - outubro 1, 2026
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) assinou em 29 de setembro o contrato de concessão da Rota dos Sertões. O lote reúne 502 km das BR-116 e BR-324, entre Feira de Santana (BA) e Salgueiro (PE), e terá gestão privada por 30 anos. Para quem usa o corredor, a assinatura abre a fase de implantação dos serviços e das obras previstas. Ela não autoriza, por si só, o início imediato da cobrança de pedágio.
O que está previsto para a rodovia
O projeto inclui recuperação do pavimento, manutenção, conservação, atendimento ao usuário e monitoramento do tráfego. Também prevê duplicações, faixas adicionais, vias marginais, acostamentos, passarelas e paradas de ônibus em pontos do traçado. As intervenções serão executadas conforme as etapas e os prazos do contrato, e não começam todas ao mesmo tempo.
A ANTT estima cerca de R$ 8,5 bilhões para o empreendimento ao longo da concessão. Esse montante abrange tanto as obras quanto os custos de operação e manutenção; portanto, não corresponde integralmente a investimento em ampliação da pista. Na página do projeto, a agência apresenta separadamente mais de R$ 4 bilhões em despesas de capital e valor semelhante para a operação.
Traçado da concessão entre Feira de Santana e Salgueiro – Imagem: ANTT
O pedágio já começa a ser cobrado?
Não. A nova concessionária precisa cumprir as providências iniciais previstas no contrato e obter a autorização regulatória para iniciar a cobrança. A ANTT ainda não anunciou uma data de início nem os valores que serão pagos pelos motoristas. O projeto contempla o sistema eletrônico de livre passagem, conhecido como free flow, sem parada em cancela.
No leilão, realizado em maio, o grupo vencedor ofereceu desconto de 19,6% sobre a tarifa básica definida no edital. O percentual não deve ser confundido com redução de um pedágio já cobrado nesse trecho: trata-se da proposta usada na disputa. O valor efetivo dependerá das regras contratuais e da autorização da ANTT quando a operação estiver pronta.
Quem será afetado
A mudança interessa a motoristas de automóveis, ônibus e caminhões que circulam pelo interior da Bahia e de Pernambuco, além das cidades atendidas pelo corredor. A expectativa do projeto é melhorar a condição da via e a segurança, mas o efeito prático das obras dependerá do cumprimento do cronograma. O próximo marco a acompanhar é a divulgação, pela concessionária e pela ANTT, do calendário de intervenções e das condições para o início do pedágio.
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