Câmeras com IA avançam nas rodovias de SP; entenda a fiscalização
Equipamentos identificam indícios de uso de celular e falta de cinto; autuações dependem de análise humana e já ocorrem na Raposo Tavares
César Tizo - outubro 4, 2026
O governo de São Paulo informou nesta sexta-feira (2) que está ampliando o uso de câmeras com inteligência artificial nas rodovias concedidas. A tecnologia ajuda a identificar motoristas usando o celular e ocupantes sem cinto de segurança, mas as imagens precisam passar pela verificação das autoridades antes de uma eventual autuação.
Um dos exemplos é a Rodovia Raposo Tavares (SP-270), onde dois equipamentos operam nos km 17 e 18, em trecho administrado pela Ecovias Raposo Castello. Segundo a Secretaria de Parcerias em Investimentos, as autuações apoiadas pelo sistema começaram em 3 de agosto, após três meses de testes e calibração.
Como funciona a fiscalização
As câmeras analisam as imagens e apontam possíveis irregularidades. Os registros são encaminhados aos órgãos competentes, que verificam se houve infração e decidem sobre a autuação. A concessionária fornece o apoio tecnológico e não tem poder para autuar.
De acordo com o balanço divulgado pelo governo, a Polícia Militar Rodoviária registrou 2.316 infrações relacionadas às duas condutas na Raposo Tavares: 1.386 por falta do cinto e 930 por uso do celular. O comunicado não informa a data de fechamento desse levantamento.
Centro de controle da Ecovias reúne imagens e dados das rodovias
O que os números de acidentes mostram
Entre os km 15 e 20 da Raposo Tavares, o governo contabilizou 67 sinistros em julho e agosto de 2026, contra 86 no mesmo período de 2025. A diferença representa queda de aproximadamente 22%.
As ocorrências com vítimas graves ou fatais passaram de cinco para uma, redução de 80%. O indicador se refere à quantidade de ocorrências com esse perfil, e não ao total de pessoas feridas ou mortas.
A comparação mostra uma melhora no trecho monitorado, mas os dados apresentados não permitem atribuir a redução exclusivamente à inteligência artificial. O levantamento abrange apenas dois meses, parte deles anterior ao início das autuações, e o comunicado não apresenta uma análise que separe o efeito das câmeras de outros fatores.
Onde a tecnologia está presente
Segundo a Secretaria de Parcerias em Investimentos, a adoção é gradual e inclui rodovias da Grande São Paulo, do interior e do litoral. A relação cita equipamentos na Anhanguera (SP-330), no Rodoanel Mário Covas (SP-021), na D. Pedro I (SP-065) e na Governador Adhemar Pereira de Barros (SP-340), entre outras vias.
O governo também informa a operação de câmeras com IA na Antônio Machado Sant'Anna (SP-255), em Araraquara, e na Cândido Portinari (SP-334), em Franca, além de um equipamento no trecho urbano da Raposo Tavares em Presidente Prudente.
Outro conjunto citado pelo governo reúne mais de 1.200 câmeras inteligentes distribuídas por rodovias como Washington Luís (SP-310), Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), Assis Chateaubriand (SP-425) e Engenheiro Paulo Nilo Romano (SP-225). O comunicado não detalha as funções e o estágio de fiscalização de cada ponto, portanto a presença de uma câmera não confirma, por si só, que ela esteja sendo usada para autuar por celular ou cinto.
Monitoramento também terá expansão
O comunicado de 2 de outubro menciona a previsão de mais 177 câmeras para ampliar o monitoramento. A expansão também foi anunciada pela Ecovias Raposo Castello, em junho, para o sistema da concessionária. Os materiais consultados não confirmam que todos esses equipamentos já tenham entrado em operação nem que todos utilizem IA para detectar infrações.
Também está em implantação o Sistema Analisador de Tráfego (SAT), descrito pelo governo como capaz de contar, pesar e classificar veículos, além de registrar a velocidade média. Esses dados deverão apoiar decisões sobre a operação, a segurança e a fluidez do tráfego.
Quais são as multas
Para o motorista, as câmeras ampliam o apoio à fiscalização de condutas que já são proibidas pelo Código de Trânsito Brasileiro. Dirigir segurando ou manuseando o celular é infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e sete pontos na CNH.
Deixar de usar o cinto, seja o condutor ou um passageiro, é infração grave, com multa de R$ 195,23 e cinco pontos. O equipamento deve ser utilizado também no banco traseiro.
Antes de iniciar a viagem, vale ajustar a navegação e conferir se todos estão com o cinto colocado. Caso seja necessário ler mensagens ou mexer no aparelho, a orientação é estacionar em um local seguro e permitido.
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