Brasil pode voltar a vender mais de 3 milhões de veículos após 12 anos
Setembro tem maior volume de emplacamentos desde dezembro de 2014, mas exportações em queda preocupam
César Tizo - outubro 8, 2026
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) elevou novamente a previsão para o mercado brasileiro em 2026 e agora espera cerca de 3,1 milhões de autoveículos emplacados, alta de 15,2% sobre 2025. O volume, que inclui automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, levaria o país de volta a um patamar não alcançado desde 2014.
A revisão foi apresentada na última quarta-feira (7), após setembro registrar 281,4 mil emplacamentos, o maior resultado mensal desde dezembro de 2014. O avanço foi de 2,3% sobre agosto e de 15,7% em relação a setembro do ano passado. Entre janeiro e setembro, as vendas somaram 2,257 milhões de unidades, crescimento de 18,1%.
O aquecimento, porém, não se distribui de maneira uniforme. A demanda por veículos leves puxa a expansão, enquanto caminhões e ônibus ainda acumulam queda. Para a indústria instalada no país, a redução das exportações e a maior participação dos importados limitam os efeitos positivos do mercado interno.
Mercado interno motivou nova revisão das projeções para 2026; concessionária em imagem de arquivo
Veículos leves puxam a nova projeção
Na estimativa atualizada, a Anfavea projeta crescimento de 16,4% nos emplacamentos de automóveis e comerciais leves em 2026. Para os pesados, a previsão é de retração de 6,5%. A produção total deverá chegar a aproximadamente 2,822 milhões de autoveículos, alta de 6,7% e melhor resultado desde 2019.
No início do ano, a entidade esperava expansão de apenas 2,7% nas vendas e de 3,7% na produção. A revisão anterior, divulgada em julho, já havia melhorado as perspectivas. Para as exportações, o movimento foi oposto: a previsão agora é de 435 mil unidades em 2026, queda de 17,7%.
Eletrificados respondem por 69% da alta dos leves
Nos nove primeiros meses, os emplacamentos de automóveis e comerciais leves chegaram a 2.158.907 unidades, ante 1.809.198 no mesmo período de 2025. São 349.709 veículos adicionais, avanço de 19,3%, conforme a Carta da Anfavea de outubro. Considerados isoladamente, os automóveis cresceram 22,5%, para 1.729.542 unidades.
Segundo a entidade, cerca de 242 mil unidades do aumento das vendas de leves vieram dos eletrificados, o equivalente a 69% do incremento desse mercado. Esses modelos somaram aproximadamente 434 mil emplacamentos e passaram a representar 20,1% dos leves vendidos no país. Os elétricos puros chegaram a 167 mil unidades, cerca de três vezes o volume de janeiro a setembro de 2025.
Outras 84 mil unidades adicionais foram atribuídas pela Anfavea aos modelos a combustão do programa Carro Sustentável. Nos pesados, as vendas de caminhões recuaram 3,8% e as de ônibus, 4,4% no acumulado do ano, apesar da recuperação que a entidade associa à segunda fase do Move Brasil.
Montagem de kits ganha peso na produção
As fábricas produziram 268,3 mil autoveículos em setembro, melhor resultado para o mês desde 2014. O volume caiu 1,1% frente a agosto, mas cresceu 10,2% na comparação anual. No acumulado de 2026, a produção alcançou 2,166 milhões de unidades, alta de 8,7%.
Na decomposição apresentada pela Anfavea na coletiva de outubro, das aproximadamente 173 mil unidades adicionais em relação a 2025, 123 mil vieram da montagem de kits CKD e SKD, enquanto 50 mil corresponderam à fabricação nacional plena. Assim, a montagem de veículos desmontados ou parcialmente desmontados respondeu por cerca de 71% do aumento da produção.
Produção cresceu 8,7% até setembro, mas Anfavea destaca peso da montagem de kits na expansão
O presidente da Anfavea, Igor Calvet, comemorou a recuperação do mercado e seus efeitos sobre a produção e o emprego, mas alertou que a montagem de kits importados envolve menos mão de obra e menor participação do parque nacional de autopeças. A entidade informa que, para fabricantes não associadas, a produção é estimada a partir dos emplacamentos de veículos nacionais.
Exportações recuam e importados avançam
De janeiro a setembro, as exportações somaram 334 mil autoveículos, queda de 23%. A Argentina respondeu por uma redução de quase 100 mil unidades nos embarques brasileiros. Segundo a Anfavea, o resultado reflete tanto a retração do mercado argentino quanto a perda de espaço para veículos chineses e mexicanos.
Ao mesmo tempo, os emplacamentos de autoveículos importados no Brasil chegaram a 463,9 mil unidades, alta de 30,4%. Os modelos fabricados na China responderam por 55% desse volume e por 11,3% de todo o mercado nacional. Para a entidade, a combinação de importações em alta e exportações em queda pressiona a balança comercial do setor automotivo.
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