Táxi sem motorista: como a XPeng quer levar seu robotáxi às ruas
Projeto da empresa recebe autorização para demonstrações de nível 4 em Guangzhou; acesso começa por convites na China
César Tizo - outubro 26, 2026
Chamar um táxi que dispensa o motorista é a proposta por trás do YOYO, projeto de robotáxi da XPeng que acaba de avançar mais uma etapa na China. A fabricante anunciou nesta segunda-feira (26) que recebeu autorização para realizar operações de demonstração de condução autônoma de Nível 4 em Guangzhou, cidade onde mantém atividades de desenvolvimento e produção.
A fase inicial terá acesso liberado gradualmente por códigos de convite. O objetivo é avaliar não apenas como os veículos dirigem, mas também como respondem a chamadas, buscam passageiros e lidam com situações inesperadas ao integrar um serviço de transporte.
Há uma distinção importante: o anúncio trata de demonstrações autorizadas e da validação do modelo de operação. Não representa a abertura de um serviço comercial irrestrito para qualquer passageiro. O comunicado também não esclarece se haverá motorista de segurança a bordo nessa etapa, nem divulga tarifas ou tamanho da frota.
O que significa um táxi sem motorista de Nível 4?
Na classificação de automação da SAE, o Nível 4 permite que o sistema execute a condução sem depender de uma pessoa para assumir o controle, desde que sejam respeitadas as condições para as quais ele foi desenvolvido. Essas condições podem envolver áreas de operação e outros limites definidos para o serviço.
Isso é diferente de dirigir autonomamente em qualquer lugar e em qualquer circunstância. Também não se confunde com recursos de assistência de Nível 2, nos quais o motorista precisa supervisionar continuamente o veículo e continua responsável pela condução.
No caso do YOYO, a classificação informada pela XPeng descreve a proposta tecnológica. As regras da operação de demonstração e a eventual presença de um profissional de segurança precisam ser consideradas separadamente. A autorização foi anunciada pela própria empresa; o comunicado não apresenta o documento completo emitido pela autoridade local.
O desafio vai além de manter o carro na faixa
Para transformar um veículo automatizado em um serviço de transporte, é preciso coordenar etapas que hoje dependem do motorista e da plataforma de chamadas. O carro deve receber a solicitação, chegar ao ponto de encontro, permitir o embarque e responder a imprevistos durante o atendimento.
Segundo a XPeng, Guangzhou servirá para aperfeiçoar esses processos com base na demanda real e acumular experiência de gestão de frota e eficiência operacional. A fabricante afirma que pretende ampliar o acesso de forma gradual, priorizando a segurança.
A XPeng não quer ser apenas uma operadora de táxis
Um dos pontos mais interessantes do projeto está no modelo de negócio. A XPeng pretende atuar como fornecedora de veículos e tecnologia para parceiros, em vez de assumir diretamente a operação de grandes frotas de robotáxis.
A estratégia reúne venda de hardware, serviços tecnológicos e participação em comissões. Na prática, a empresa quer transformar sua plataforma de veículos, o software de condução automatizada e os recursos de inteligência artificial em uma solução que possa ser utilizada por outras companhias de mobilidade.
O nome YOYO e a abertura de inscrições ao público chinês já haviam sido anunciados neste mês. A novidade de agora é a autorização para a etapa de demonstrações em Guangzhou, que deverá ajudar a validar esse formato de operação e parceria.
XPeng pretende atuar como fornecedora de veículos e tecnologia para parceiros
Quatro chips e planos fora da China
De acordo com a fabricante, o conjunto utiliza quatro chips Turing desenvolvidos internamente, com capacidade combinada de processamento de 3.000 TOPS, além do modelo de inteligência artificial VLA 2.0. A sigla TOPS expressa trilhões de operações por segundo: é uma medida de capacidade computacional, não uma comprovação isolada de segurança ou de desempenho da condução autônoma.
A XPeng afirma que aproveita tecnologias de seus veículos elétricos para desenvolver o robotáxi, buscando reduzir a necessidade de soluções específicas para cada aplicação. A experiência em Guangzhou deverá apoiar a adaptação do sistema a outros mercados.
A companhia também informa negociações avançadas com plataformas de mobilidade europeias, mas não identifica os parceiros nem apresenta um cronograma de entrada em operação. Não há anúncio de implantação do YOYO no Brasil.
O interesse no assunto está justamente nessa mudança de perspectiva: além de vender o automóvel, a fabricante busca fornecer a tecnologia que poderá sustentar serviços de transporte. O próximo passo será verificar como o projeto se comporta na rotina operacional e quais condições permitirão ampliar seu acesso.
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