Grupo Volkswagen perde € 5,9 bilhões no trimestre após baixa da Porsche
Ajuste contábil ligado à Porsche pesa no balanço do grupo, enquanto entregas no Brasil crescem 13,7% nos nove meses
César Tizo - outubro 29, 2026
O Grupo Volkswagen registrou prejuízo operacional de € 5,86 bilhões no terceiro trimestre de 2026, pressionado principalmente por uma baixa contábil de € 6,4 bilhões relacionada à Porsche. O resultado aprofunda a perda de € 1,299 bilhão apurada entre julho e setembro do ano passado.
O balanço divulgado nesta quinta-feira (29) mostra que, antes dos efeitos especiais, a operação permaneceu no azul, com lucro operacional de € 1,9 bilhão e margem de 2,5%. A diferença dimensiona o peso dos ajustes extraordinários sobre as contas do conglomerado alemão.
A receita trimestral caiu 6,3%, para € 75,277 bilhões. Já o resultado líquido, após impostos, foi negativo em € 5,822 bilhões, ante prejuízo de € 1,072 bilhão um ano antes.
Baixa da Porsche concentra o impacto
A principal parcela dos efeitos especiais veio da redução do valor contábil do goodwill associado à Porsche. Esse tipo de ajuste revê o valor registrado no balanço para o negócio e não representa uma saída de caixa de € 6,4 bilhões no trimestre.
O grupo também reconheceu aproximadamente € 1 bilhão em baixas de ativos de empresas integralmente consolidadas na China, igualmente sem efeito imediato sobre o caixa. A conta dos efeitos especiais inclui ainda despesas relacionadas à venda planejada da unidade de Osnabrück e a medidas de reestruturação.
No terceiro trimestre, esses efeitos somaram € 7,76 bilhões. A pressão se soma a desafios como tarifas comerciais, concorrência de preços no mercado chinês e mudanças na composição das vendas.
A baixa ligada à Porsche no balanço consolidado não equivale ao resultado operacional da divisão de esportivos de luxo. Nos nove meses, a área Sport Luxury apresentou lucro operacional de € 1,493 bilhão e margem de 6,7%, segundo os dados do grupo.
Lucro operacional quase desaparece no acumulado
Entre janeiro e setembro, o resultado operacional do Grupo Volkswagen ainda foi positivo, mas ficou em apenas € 71 milhões, queda de 98,7% frente aos € 5,408 bilhões registrados no mesmo intervalo de 2025. A margem operacional arredondada foi de 0,0%.
Sem os efeitos especiais, o lucro operacional acumulado alcançou € 8,8 bilhões, com margem de 3,8%. A receita dos nove meses recuou 2,2%, para € 233,378 bilhões, enquanto o resultado líquido passou de lucro de € 3,405 bilhões para prejuízo de € 2,72 bilhões.
O fluxo de caixa líquido da divisão automotiva, por sua vez, avançou 144,5%, para € 4,394 bilhões. A liquidez dessa área ficou em € 32,982 bilhões. O contraste entre caixa e lucro reforça a importância dos ajustes contábeis na leitura do balanço.
Brasil cresce em meio à retração global
O Brasil aparece como um contraponto positivo nas entregas de automóveis e comerciais leves do grupo. Foram 356.443 unidades entre janeiro e setembro, alta de 13,7% sobre as 313.414 do mesmo período de 2025.
Esse recorte reúne as marcas do conglomerado e não apenas a Volkswagen. Na América do Sul, as entregas cresceram 5,1%, para 451.887 veículos.
Globalmente, porém, o volume da mesma categoria caiu 9,4%, para 5.780.591 unidades. A China teve retração de 30,3%, com 1.375.292 entregas, evidenciando a dificuldade do grupo em um mercado cada vez mais disputado pelas fabricantes locais.
O desempenho brasileiro ajuda a equilibrar parte dessa pressão comercial, mas tem escala insuficiente para compensar sozinho a queda chinesa. Para o conglomerado, a recuperação passa tanto pela reação nas vendas quanto pelos programas de custos e reorganização das operações, agora acompanhados de uma revisão expressiva do valor de ativos no balanço.
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