Reservas provadas de petróleo no Brasil crescem 5,92% em 2024
Boletim Anual de Recursos e Reservas da ANP aponta alta também nas reservas de gás natural e reforça o potencial energético do país
César Tizo - abril 2, 2025
As reservas provadas de petróleo no Brasil registraram um crescimento de 5,92% em 2024, segundo o Boletim Anual de Recursos e Reservas (BAR) divulgado nesta terça-feira (2) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O volume total declarado pelas empresas operadoras atingiu 16,841 bilhões de barris, impulsionado pela adição de novas reservas e revisões técnicas realizadas ao longo do ano.
O levantamento também indica crescimento no volume das reservas provadas e prováveis (2P), que subiram 4,36%, chegando a 24,071 bilhões de barris. Já as reservas provadas, prováveis e possíveis (3P) tiveram um avanço de 4,27%, somando 29,176 bilhões de barris. Esses números refletem não apenas a continuidade da exploração em campos já produtivos, mas também a incorporação de novos projetos e declarações de comercialidade ao longo de 2024.
Outro dado relevante do boletim é o Índice de Reposição de Reservas Provadas (IRR), que atingiu 176,63% em relação ao volume produzido no período. Isso significa que, para cada barril extraído, foram adicionados aproximadamente 1,77 barris em novas reservas, totalizando 2,171 bilhões de barris. Esse índice é um indicativo do equilíbrio entre exploração e produção, garantindo a sustentabilidade da atividade petrolífera no país.
Gás natural também registra alta
O BAR 2024 aponta que as reservas de gás natural acompanharam a tendência de alta observada no petróleo. As reservas provadas desse recurso somaram 546,022 bilhões de metros cúbicos, um aumento de 5,17% em relação a 2023. Já as reservas provadas e prováveis (2P) cresceram 4,35%, totalizando 672,815 bilhões de m³, enquanto as reservas provadas, prováveis e possíveis (3P) aumentaram 4,26%, atingindo 740,505 bilhões de m³.
Segundo a ANP, essas variações nas reservas de petróleo e gás natural resultam de diversos fatores, incluindo a produção realizada ao longo do ano, a entrada de novos projetos de desenvolvimento e revisões técnicas que consideram aspectos geológicos e econômicos.
O que são reservas provadas, prováveis e possíveis?
As reservas provadas correspondem à quantidade de petróleo ou gás natural que a análise de dados de geociências e engenharia indica com razoável certeza como recuperáveis comercialmente, na data de referência do Boletim Anual de Recursos e Reservas. Quando são usados métodos probabilísticos, a probabilidade de que a quantidade recuperada seja igual ou maior que a estimativa deverá ser de pelo menos 90%.
Nas prováveis, a probabilidade de que a quantidade recuperada seja igual ou maior que a soma das estimativas das reservas provada e provável deverá ser de pelo menos 50%. No caso das reservas possíveis, a probabilidade de que a quantidade recuperada seja maior ou igual à soma das estimativas das reservas provada, provável e possível deverá ser de pelo menos 10%.
Monitoramento contínuo das reservas
Os dados do Boletim Anual de Recursos e Reservas são fundamentais para o planejamento estratégico do setor energético. O documento detalha a distribuição das reservas por estado, a participação de cada bacia sedimentar e a produção acumulada, além de permitir análises detalhadas por meio do Painel Dinâmico de Recursos e Reservas de Hidrocarbonetos.
As informações são fornecidas anualmente pelas empresas operadoras dos campos produtores, com base na Resolução ANP nº 47/2014, e precisam estar alinhadas aos planos de desenvolvimento aprovados pela agência reguladora. Esse acompanhamento contínuo garante maior transparência sobre a capacidade produtiva do Brasil no setor de óleo e gás.
Com o crescimento das reservas provadas e um índice de reposição superior à produção, o Brasil reforça sua posição como um dos principais produtores de petróleo e gás do mundo, garantindo a continuidade da exploração e produção para os próximos anos.
Acima a unidade U-93 de abatimento de emissões de gases SNOX da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), da Petrobras