Baterias de carros elétricos duram mais do que o próprio veículo, mas recarga ultrarrápida acelera desgaste, aponta estudo
Análise com 22,7 mil EVs mostra degradação média de 2,3% ao ano; uso frequente de carregadores acima de 100 kW pode dobrar a perda de capacidade
César Tizo - fevereiro 9, 2026
As baterias dos carros elétricos modernos são mais resistentes do que muitos consumidores imaginam e, na maioria dos casos, devem durar além da vida útil típica do veículo. É o que indica um levantamento atualizado da Geotab, empresa especializada em gestão de frotas, que analisou dados reais de mais de 22.700 veículos elétricos de 21 modelos diferentes ao longo de 2025.
O estudo aponta que a taxa média anual de degradação ficou em 2,3%, número que, na prática, significa que a bateria ainda deve manter cerca de 81,6% da capacidade original após oito anos de uso. Em outras palavras, a perda de autonomia ao longo do tempo existe, mas tende a ser gradual e previsível.
Ainda assim, os dados mostram que alguns hábitos de uso pesam mais do que outros na saúde do conjunto, especialmente a dependência de recargas rápidas de alta potência.
Segundo a análise, veículos que usam carregamento rápido em corrente contínua (DC) com pouca frequência, menos de 12% das sessões totais, registram degradação média de apenas 1,5% ao ano. Já aqueles que recorrem mais ao sistema sofrem maior desgaste. Quando o uso frequente é combinado com potências elevadas, acima de 100 kW, a taxa sobe para 3% ao ano, portanto o dobro.
Uso constante de recargas rápidas de alta potência reduz a vida útil da bateria
Projetando esse cenário para oito anos, a diferença é relevante. Quem prioriza carregadores mais lentos pode preservar cerca de 88% da capacidade original da bateria. Nos casos de uso intenso de DC rápido e potente, o índice pode cair para algo próximo de 76%.
A tendência preocupa porque o próprio mercado caminha na direção oposta. Nos últimos cinco anos, a participação do carregamento rápido de alta potência quase triplicou, passando de menos de 10% para cerca de 25% das sessões, enquanto a potência média subiu de aproximadamente 70 kW para mais de 90 kW.
Para frotistas e usuários que deixam o carro parado por horas, como durante a noite, o estudo recomenda dimensionar melhor a infraestrutura. Instalar estações capazes de recarregar em poucos minutos nem sempre traz ganho prático e pode reduzir a longevidade da bateria.
O clima também interfere. Veículos que operam em regiões quentes, com mais de 35% dos dias acima de 25°C, apresentam degradação adicional média de 0,4% ao ano em relação aos que rodam em condições mais amenas. O impacto existe, mas é considerado moderado, sobretudo porque os sistemas de gerenciamento térmico ajudam a controlar a temperatura das células.
Rodar com o automóvel elétrico em dias quentes eleva a degradação da bateria
Já a velha recomendação de manter o estado de carga entre 20% e 80% nem sempre é crítica no uso diário. A Geotab verificou que a degradação só se acelera de forma significativa quando o veículo passa mais de 80% do tempo total com a bateria quase cheia ou quase vazia. Em exposições moderadas, as taxas permanecem praticamente iguais às do uso normal.
A intensidade de utilização também conta. Veículos que realizam ciclos de carga mais frequentes, equivalentes a um ciclo completo a cada um ou dois dias, sofrem desgaste um pouco maior, com degradação de 2,3% ao ano, contra 1,5% em usos leves. Ainda assim, a diferença é considerada um custo administrável diante do aumento de produtividade e da economia operacional, especialmente em frotas comerciais.
O estudo ressalta ainda que fatores intrínsecos, como a química das baterias (LFP, NMC ou novas tecnologias) e o software de gerenciamento, influenciam diretamente a durabilidade, o que explica variações entre marcas e modelos.
Na prática, a conclusão é tranquilizadora para quem pensa em migrar para um elétrico. As baterias atuais são projetadas para suportar anos de uso intenso. O maior risco não está no tempo, mas em como o veículo é carregado. Priorizar recargas lentas sempre que possível, evitar exposição prolongada a calor extremo e não deixar o carro longos períodos em níveis muito altos ou muito baixos de carga são medidas suficientes para manter a autonomia saudável por boa parte da vida útil do automóvel.
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