China vai exigir botões físicos em carros novos para reduzir dependência de telas no painel
Ministério da Indústria quer padronizar comandos essenciais por meio de teclas e alavancas táteis para aumentar segurança
César Tizo - fevereiro 19, 2026
A China prepara uma mudança relevante na forma como os automóveis são projetados internamente. O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT) do país pretende tornar obrigatória a presença de comandos físicos para funções essenciais, reduzindo a dependência quase total das telas centrais que dominaram os painéis dos veículos elétricos e híbridos nos últimos anos.
A exigência fará parte de uma atualização da norma nacional GB4094–2016, que trata da identificação e do funcionamento de controles, indicadores e dispositivos de sinalização. A nova regra deverá valer apenas para veículos novos fabricados a partir de 1º de julho de 2027.
Na prática, o governo chinês quer garantir que funções críticas possam ser operadas “às cegas”, sem que o motorista precise tirar os olhos da via para navegar por menus digitais.
Cockpits viram alvo de críticas
Nos últimos anos, o design minimalista se tornou praticamente padrão entre os chamados “NEVs” (veículos de nova energia) chineses. Grandes telas centrais concentram climatização, ajustes do veículo, multimídia e até comandos de segurança, substituindo fileiras de botões e comandos tradicionais.
Modelos como o BYD Fang Cheng Bao Bao 5, o Li Auto L8 e o Aito M9 exemplificam essa tendência, com cabines dominadas por displays amplos e poucos controles físicos aparentes.
Executivos do setor já vinham demonstrando incômodo com o excesso de digitalização. Um vice-presidente da Geely chegou a classificar o movimento como uma “tendência de seguir modismos de forma cega” dentro da indústria automotiva chinesa.
O que passa a ser obrigatório
Pela proposta do MIIT, comandos essenciais deverão obrigatoriamente contar com mecanismos físicos dedicados. Entre eles:
Comandos essenciais: setas, pisca-alerta e buzina
Transmissão: seleção de P/R/N/D (proibido uso exclusivo de telas)
Assistência à condução: botão de ativar/desativar sistemas ADAS
Segurança e emergência: limpadores de para-brisa, desembaçador, vidros elétricos, sistema de chamada de emergência e desligamento de energia do veículo elétrico
Além disso, a norma estabelece requisitos técnicos mínimos. Cada comando deverá ter área operacional de pelo menos 10 mm por 10 mm, posição fixa, possibilidade de operação tátil sem olhar e feedback háptico ou sonoro. Funções básicas também precisarão continuar disponíveis mesmo em caso de falha do sistema eletrônico ou perda de energia.
A revisão começou em 2023 e envolveu centros de testes e grandes fabricantes, como o China Automotive Technology and Research Center, a BYD, a FAW-Volkswagen e a Great Wall Motor. Um rascunho já foi concluído e deverá ser aberto para consulta pública em breve.
Impacto no mercado
A medida tende a forçar uma revisão de projeto em boa parte dos elétricos chineses, justamente aqueles que mais apostaram na centralização total das funções em telas multimídia. Para as marcas, isso significa redesenhar painéis, chicotes elétricos e interfaces físicas.
Por outro lado, a decisão alinha a indústria a uma preocupação crescente com segurança viária. Estudos apontam que menus digitais complexos aumentam o tempo de distração do motorista, algo que pode ser crítico em situações de emergência.
Se a regulamentação se consolidar, a China — maior mercado de elétricos do mundo — pode inaugurar um movimento contrário ao “tudo na tela”, influenciando também projetos globais de montadoras que exportam ou desenvolvem veículos a partir do país.
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