Petrobras quer tornar Brasil autossuficiente em diesel até 2031
Companhia estuda ampliar capacidade de refino para deixar de importar combustível e blindar o Brasil de choques internacionais de preços
César Tizo - abril 1, 2026
A Petrobras avalia ampliar suas metas de refino com o objetivo de alcançar a autossuficiência total em diesel no Brasil até 2031. A sinalização foi feita pela presidente da companhia, Magda Chambriard, durante a abertura do CNN Talks Infra | Energia para o Futuro, realizado nesta quarta-feira (1º), e representa uma mudança relevante em relação ao plano anterior, que previa atender cerca de 80% da demanda nacional.
Hoje, aproximadamente 70% do diesel consumido no país é produzido internamente, o que ainda deixa o Brasil dependente de importações para suprir o restante do mercado. Segundo a executiva, a estatal já tem segurança técnica para atingir o patamar de 80%, mas passou a estudar a viabilidade de avançar até 100% nos próximos anos.
A revisão das metas ocorre em meio a um cenário geopolítico instável, com tensões no Oriente Médio e riscos ao fluxo global de petróleo, como eventuais restrições no Estreito de Ormuz. Nesse contexto, a Petrobras busca fortalecer a segurança energética do país, reduzindo a exposição a oscilações externas e garantindo maior previsibilidade no abastecimento interno.
“O diesel é o principal combustível de um país que roda sobre rodas”, afirmou Chambriard, ao destacar a relevância estratégica do insumo para o transporte de cargas e a atividade econômica brasileira.
Para atingir a autossuficiência, a Petrobras aposta na ampliação da capacidade de refino, com modernização de unidades e ganhos de eficiência operacional. A estratégia também inclui investimentos em rotas mais sustentáveis, como o diesel coprocessado, que já integra matérias-primas renováveis ao combustível fóssil e contribui para reduzir emissões sem comprometer a infraestrutura existente.
Atualmente, iniciativas de descarbonização já representam cerca de 24% do conteúdo de produtos da companhia, refletindo um movimento de adaptação às exigências da transição energética global.
Além de reduzir a dependência externa, a autossuficiência em diesel é vista como um instrumento para proteger a economia brasileira de volatilidades no mercado internacional, especialmente em momentos de crise. A medida pode contribuir para maior estabilidade nos preços domésticos, beneficiando setores intensivos em transporte e logística.
No cenário global, a executiva destacou que o Brasil vem se consolidando como um fornecedor confiável de petróleo, ampliando sua relevância como exportador, especialmente para mercados asiáticos. A combinação de produção crescente e potencial de refino reforça o posicionamento do país como um “porto seguro energético” em meio às incertezas internacionais.
A decisão final sobre a ampliação da meta dependerá de estudos técnicos em andamento, mas sinaliza uma mudança de postura da Petrobras, que passa a priorizar não apenas a produção de petróleo, mas também o fortalecimento da cadeia de abastecimento interno como pilar estratégico para o crescimento econômico do país.
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