Preferência por carros a combustão avança no Brasil enquanto interesse por elétricos fica estagnado
Estudo da EY mostra que participação dos modelos a combustão na preferência do público saltou de 35% para 49%
César Tizo - junho 21, 2026
Os consumidores brasileiros estão demonstrando uma preferência crescente pelos veículos a combustão, enquanto o interesse pelos modelos totalmente elétricos permanece estagnado. É o que revela a edição mais recente do Índice de Mobilidade do Consumidor (MCI), levantamento elaborado pela EY para medir as tendências de compra no setor automotivo.
De acordo com o estudo, a preferência por veículos equipados exclusivamente com motores a combustão saltou de 35% para 49% em relação à edição anterior da pesquisa. Em contrapartida, o interesse pelos automóveis totalmente elétricos permaneceu estável em apenas 9% das intenções de compra.
Quando considerados todos os veículos eletrificados, incluindo híbridos e elétricos, a participação caiu de forma significativa. Segundo a EY, a preferência por veículos com algum grau de eletrificação recuou 17 pontos percentuais em 2025 na comparação com o levantamento anterior, atingindo 40%.
Dentro desse grupo, os híbridos foram a exceção. O interesse por essa tecnologia avançou de forma discreta, passando para 18% das intenções de compra, um ponto percentual acima do registrado na pesquisa anterior.
Infraestrutura trava expansão
O levantamento aponta que a principal barreira para uma maior adoção dos veículos elétricos continua sendo a infraestrutura de recarga.
Entre os consumidores que afirmam não pretender adquirir um automóvel elétrico, 36% apontam a falta de estrutura para carregamento em casa ou no local de trabalho como principal motivo. Outros 33% citam a escassez de estações públicas de recarga.
Também aparecem entre as preocupações a necessidade de substituição das baterias, mencionada por 28% dos entrevistados, e o preço de aquisição dos veículos, citado pelo mesmo percentual.
Além disso, 21% acreditam que os custos de manutenção podem ser mais elevados do que nos modelos convencionais, enquanto 17% demonstram preocupação com a autonomia e os gastos relacionados ao carregamento.
Falta de infraestrutura para recarga segue como um entrave para maior difusão dos carros elétricos no Brasil
Consumidores adiam compra
O estudo também mostra que fatores externos vêm influenciando os planos de aquisição dos consumidores.
Segundo a EY, 39% dos entrevistados afirmaram estar adiando ou reconsiderando a compra de um veículo elétrico devido a gargalos logísticos e tarifas relacionadas às tensões geopolíticas internacionais.
Por outro lado, 46% disseram que seus planos de aquisição permanecem inalterados e 11% afirmaram ter desistido completamente da compra de um automóvel elétrico.
Motivadores
Apesar das dificuldades, existem fatores que continuam impulsionando o interesse pelos veículos elétricos.
O aumento dos preços dos combustíveis foi apontado por 38% dos entrevistados como principal razão para considerar a compra de um modelo elétrico. A preocupação ambiental aparece empatada com o mesmo percentual.
Na sequência surgem fatores como maior autonomia dos veículos (30%), menor custo total de propriedade (29%), desempenho superior em relação aos automóveis a combustão (28%), facilidade de manutenção (25%) e ampliação da oferta de modelos (16%).
No entanto, a preocupação ambiental vem perdendo força ao longo dos anos. Segundo o estudo, esse fator era citado por 46,5% dos consumidores há duas edições e agora aparece em 38,3% das respostas.
Transição mais lenta
Para Ricardo Assumpção, líder de sustentabilidade e Chief Sustainability Officer (CSO) da EY para a América Latina, a desaceleração do interesse pelos elétricos demonstra que a eletrificação envolve desafios muito mais amplos do que a simples substituição do motor a combustão.
Segundo o executivo, a transição exige investimentos em baterias, semicondutores, software, infraestrutura de carregamento, fornecedores, qualificação profissional e ampliação da capacidade energética.
Assumpção destaca ainda que as montadoras enfrentam o desafio de manter a rentabilidade da cadeia de veículos convencionais enquanto financiam a expansão da mobilidade elétrica.
Na avaliação da EY, a eletrificação deverá avançar de forma mais acelerada inicialmente em segmentos onde o custo operacional exerce maior impacto financeiro, como frotas corporativas, logística urbana, transporte coletivo, mineração, aeroportos e operações de alta utilização.
Os dados do estudo indicam que, pelo menos no curto prazo, os veículos a combustão continuam sendo a escolha preferida da maioria dos consumidores brasileiros, enquanto a expansão dos elétricos dependerá da evolução da infraestrutura e da redução das barreiras econômicas para sua adoção.
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