Gasolina com 32% de etanol deve ser aprovada na próxima quarta-feira, diz Alckmin
Segundo o vice-presidente, aumento da mistura de etanol poderá contribuir para reduzir o preço da gasolina
César Tizo - junho 21, 2026
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou no último sábado (20) que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deve aprovar na próxima quarta-feira (24) o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, passando dos atuais 30% para 32%. A declaração foi feita durante a cerimônia de entrega da primeira fase da extensão da Malha Norte, em Dom Aquino (MT), obra ferroviária considerada estratégica para o escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste.
A mudança na composição da gasolina poderá representar um novo impulso para a indústria nacional de biocombustíveis, especialmente em estados produtores de milho e cana-de-açúcar. Segundo Alckmin, a ampliação da participação do etanol na mistura contribuirá para reduzir as emissões de poluentes, fortalecer a agroindústria e ajudar a diminuir o custo do combustível ao consumidor.
“Com isso, ajuda a gasolina a ficar mais barata, emite menos, polui menos o meio ambiente e estimula a agricultura e a agroindústria, que vai fazer etanol combustível e vai fazer DDG para ração animal”, afirmou o vice-presidente.
A medida é particularmente relevante para Mato Grosso, maior produtor de milho do país e um dos principais polos de expansão da produção de etanol de milho. O aumento da demanda pelo biocombustível tende a ampliar os investimentos no setor, fortalecendo uma cadeia que também gera subprodutos destinados à alimentação animal.
A declaração ocorreu durante a inauguração de um novo trecho ferroviário de 162 quilômetros da Ferrovia Estadual de Mato Grosso (FMT), integrado ao projeto de expansão da Malha Norte. O empreendimento, desenvolvido pela Rumo, recebeu mais de R$ 5 bilhões em investimentos privados e contará com um terminal ferroviário capaz de movimentar até 10 milhões de toneladas de grãos por ano.
Embora o foco do evento tenha sido a logística ferroviária, Alckmin aproveitou para destacar a relação entre infraestrutura e competitividade do agronegócio. Segundo ele, a ampliação da malha ferroviária é fundamental para reduzir custos de transporte e aumentar a eficiência do escoamento da produção agrícola brasileira.
“O Brasil, que era importador de alimentos há 70 anos, hoje está entre os três maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo. Nós precisamos chegar aos portos. E, para chegar aos portos, precisamos de ferrovia”, declarou.
O vice-presidente também ressaltou que o governo pretende ampliar os mecanismos de financiamento para o setor ferroviário e defendeu a expansão do transporte sobre trilhos como ferramenta para reduzir emissões de carbono, acidentes e custos logísticos.
Além da discussão sobre o etanol, Alckmin citou programas federais voltados à modernização do agronegócio e da logística. Entre eles está o Move Brasil para máquinas e implementos agrícolas, com R$ 14 bilhões em crédito para aquisição de tratores, colheitadeiras e equipamentos, e o Move Brasil Caminhões e Ônibus, que prevê até R$ 21,2 bilhões para renovação da frota de veículos pesados.
A expectativa agora é pela reunião do CNPE na próxima semana, quando deverá ser formalizada a elevação da mistura de etanol para 32%, medida que pode representar um novo marco para o mercado brasileiro de combustíveis e para a expansão da agroindústria nacional.
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