Carros pelo Mundo | Primeira unidade da Ferrari elétrica alcança recorde de US$ 40 milhões em leilão
Geely cresce fora da China, Reino Unido reavalia metas de eletrificação e Ferrari Luce bate recorde em leilão
César Tizo - agosto 17, 2026
As principais novidades, lançamentos e movimentos da indústria automotiva internacional que podem interessar ao mercado brasileiro
A expansão internacional das fabricantes chinesas volta a ocupar o centro do noticiário automotivo. A Geely compensou a retração de seu mercado doméstico com um salto nas exportações, enquanto a Xiaomi alcançou uma marca relevante com o sedã elétrico SU7.
Na Europa, o Reino Unido abriu uma consulta que poderá reduzir as metas intermediárias de vendas de veículos com emissão zero. No segmento de luxo, uma unidade exclusiva da Ferrari Luce tornou-se o automóvel novo mais caro já vendido em leilão.
Geely eleva vendas externas em 157,6%
A Geely Auto encerrou o primeiro semestre de 2026 com receita recorde de 173,6 bilhões de yuans, crescimento de 15% em relação ao mesmo período do ano passado. O lucro líquido ajustado, que desconsidera efeitos cambiais e perdas por redução do valor de ativos, avançou 46%, para 9,68 bilhões de yuans.
A fabricante vendeu 1.422.958 veículos no período, volume aproximadamente 1% superior ao registrado um ano antes. O desempenho, entretanto, mostra uma mudança importante na distribuição geográfica dos negócios.
As vendas fora da China aumentaram 157,6%, para 474.228 unidades, enquanto o volume no mercado chinês caiu 22,6%, para 948.730 veículos. Em junho, as exportações mensais superaram 100 mil unidades pela primeira vez e chegaram a 106.663 veículos em julho.
A companhia também promoveu sua maior mudança de comando desde a fundação. Eric Li, também conhecido como Li Shufu, deixará a presidência do conselho da Geely Auto em 18 de agosto. Andy An assumirá o cargo, enquanto Jerry Gan permanecerá responsável pelas operações cotidianas como CEO. Li continuará como acionista controlador e presidente da Geely Holding.
O avanço internacional reforça a importância dos mercados externos para a fabricante, que já possui presença comercial no Brasil. Maior escala de exportação pode favorecer a ampliação do portfólio e a disponibilidade de produtos, embora a empresa ainda não tenha relacionado os resultados a novos lançamentos brasileiros.
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Reino Unido poderá reduzir meta para elétricos em 2030
O governo britânico abriu uma consulta pública para revisar o mandato que determina uma participação crescente de veículos com emissão zero nas vendas das fabricantes.
Pelas regras atuais, esses modelos devem representar 33% das vendas de automóveis novos em 2026, 80% em 2030 e 100% em 2035. O descumprimento pode resultar em multas, embora o programa também contemple mecanismos de compensação.
Três das quatro alternativas apresentadas pelo governo reduzem a meta de 2030, que poderia cair para até 50%. A quarta preserva a trajetória atual, mas acrescenta flexibilidades para facilitar o cumprimento pelas montadoras. A consulta ficará aberta até 23 de outubro e ainda não representa uma decisão definitiva.
O governo afirma que mantém o compromisso de retirar de venda os automóveis novos movidos exclusivamente a gasolina ou diesel em 2030 e de exigir emissão zero para todos os carros e comerciais leves novos em 2035.
A eventual flexibilização poderá permitir que híbridos permaneçam por mais tempo nas estratégias europeias. Como o Reino Unido é um dos principais mercados automotivos do continente, a decisão tende a influenciar investimentos, distribuição de produtos e volumes de produção das marcas globais, inclusive daquelas presentes no Brasil.
Ferrari elétrica alcança US$ 40 milhões em leilão
Uma versão exclusiva da Ferrari Luce foi arrematada por US$ 40 milhões durante a Monterey Car Week, nos Estados Unidos. Segundo a fabricante, o valor estabelece um recorde mundial para um automóvel novo vendido em leilão.
Identificado como “Chassis 0”, o exemplar corresponde ao primeiro chassi de produção do programa Luce. O carro recebeu pintura, revestimentos internos, rodas e detalhes exclusivos desenvolvidos pela divisão de personalização Tailor Made.
O recorde anterior também pertencia à Ferrari. Em 2025, uma unidade especial da Daytona SP3 foi vendida por US$ 26 milhões.
A Luce é o primeiro automóvel totalmente elétrico da fabricante italiana. O modelo de quatro portas e cinco lugares foi apresentado com preço de 550 mil euros. Toda a receita obtida no leilão será destinada a projetos educacionais apoiados pela Ferrari Foundation.
Embora o resultado de uma unidade única não indique o potencial comercial da versão regular, ele mostra que a eletrificação não eliminou o valor atribuído à exclusividade e à personalização no mercado de carros de coleção.
Ferrari Luce
Xiaomi SU7 supera 500 mil entregas
A Xiaomi informou que as entregas acumuladas da família SU7 ultrapassaram 500 mil unidades. A marca foi alcançada 28 meses e meio depois do início das entregas, ocorrido em 3 de abril de 2024.
O sedã elétrico registrou 21.044 unidades em julho, alta de 3,09% sobre junho, mas queda de 13,79% na comparação anual. Entre janeiro e julho, foram entregues 101.540 exemplares do SU7, redução de 43,62%.
Considerando também os demais modelos, principalmente o SUV YU7, a divisão automotiva da Xiaomi já superou 760 mil entregas acumuladas. O volume dos sete primeiros meses de 2026 chegou a 216.322 veículos, crescimento de 14,83%.
O resultado corresponde, entretanto, a apenas 39% da meta anual de 550 mil unidades. Para alcançá-la, a empresa precisaria entregar cerca de 67 mil veículos por mês durante os cinco meses restantes do ano, mais que o dobro do ritmo registrado em julho.
A Xiaomi ainda não confirmou a comercialização de automóveis no Brasil. Mesmo assim, sua rápida expansão demonstra como empresas originárias do setor de tecnologia podem ganhar escala na indústria e ampliar a pressão competitiva sobre fabricantes tradicionais.
Resumo
Os destaques do dia mostram movimentos distintos de uma mesma transformação. As marcas chinesas procuram crescer fora de seu mercado doméstico, enquanto governos e fabricantes tradicionais ajustam o ritmo da eletrificação diante dos custos, da demanda e das particularidades de cada região.
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