Motoristas de app ganham até R$ 6,69 menos por hora fora das capitais, aponta levantamento
Estudo da GigU mostra diferenças expressivas de lucro entre regiões de um mesmo estado; Brasil já é o maior mercado da Uber no mundo em volume de transações
César Tizo - agosto 31, 2026
O Brasil se consolidou como o maior mercado da Uber no mundo em volume de transações, mas a rentabilidade obtida pelos motoristas de aplicativo pode mudar consideravelmente de acordo com a região em que trabalham. Um levantamento da GigU aponta diferenças de até R$ 6,69 no lucro médio por hora entre grandes centros urbanos e cidades do interior dentro de um mesmo estado.
O contraste mais expressivo entre os recortes divulgados ocorre em Minas Gerais. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o lucro médio apurado é de R$ 16,05 por hora. Já no Triângulo Mineiro, o valor cai para R$ 9,36 por hora, diferença de R$ 6,69.
O levantamento foi divulgado pela GigU, plataforma voltada a trabalhadores de aplicativos que reúne mais de 250 mil usuários no Brasil. A empresa compara a rentabilidade da atividade em diferentes regiões do país levando em conta o lucro obtido pelos motoristas, e não apenas o valor bruto recebido pelas corridas.
Diferença também é grande em São Paulo, Rio e Bahia
Em São Paulo, um motorista que atua na Região Metropolitana registra lucro médio de R$ 15,57 por hora, segundo a GigU, com margem líquida de 43,6%.
No noroeste paulista, considerando cidades como Barretos, São José do Rio Preto e Votuporanga, o resultado cai para R$ 10,11 por hora e a margem líquida fica em 33%. A diferença chega a R$ 5,46 por hora.
Segundo o levantamento, para um motorista que trabalhe aproximadamente 200 horas por mês, essa distância representa mais de R$ 1 mil mensais e supera R$ 13 mil ao longo de um ano.
O Rio de Janeiro apresenta cenário semelhante. Na capital fluminense, o lucro médio indicado é de R$ 18,49 por hora, o maior entre os recortes apresentados. Em cidades como Angra dos Reis e Volta Redonda, porém, o valor cai para R$ 12,24.
Na Bahia, Salvador aparece com lucro médio de R$ 14,74 por hora, enquanto municípios como Eunápolis e Porto Seguro registram R$ 8,88.
Os números divulgados são os seguintes:
Região
Lucro médio por hora
Rio de Janeiro (capital)
R$ 18,49
Região Metropolitana de Belo Horizonte
R$ 16,05
Região Metropolitana de São Paulo
R$ 15,57
Salvador
R$ 14,74
Angra dos Reis e Volta Redonda
R$ 12,24
Noroeste paulista
R$ 10,11
Triângulo Mineiro
R$ 9,36
Eunápolis e Porto Seguro
R$ 8,88
Por que motoristas dos grandes centros ganham mais?
De acordo com a GigU, uma combinação de fatores ajuda a explicar as diferenças. Capitais e regiões metropolitanas tendem a concentrar maior demanda por corridas, mais períodos de tarifa dinâmica e participação superior de categorias mais caras, como Uber Comfort e Black.
A maior densidade urbana também pode reduzir o tempo ocioso entre uma viagem e outra, permitindo ao motorista realizar mais corridas ao longo da jornada.
“Capitais e regiões metropolitanas concentram maior volume de corridas, maior incidência de tarifas dinâmicas e presença mais forte de categorias premium, como Comfort e Black, que elevam o tíquete médio”, afirma Luiz Gustavo Neves, CEO e cofundador da GigU. Segundo o executivo, a densidade urbana também contribui para reduzir os intervalos entre as chamadas.
Outros elementos apontados são as distâncias percorridas até o embarque dos passageiros, as tarifas praticadas em cada mercado e os próprios custos operacionais enfrentados pelos motoristas.
Vale ressaltar, entretanto, que o material divulgado pela GigU não detalha o período em que os dados foram coletados, a quantidade de motoristas considerada em cada região ou todos os critérios utilizados para calcular o lucro líquido. Assim, os números devem ser interpretados como um retrato do levantamento da plataforma, e não necessariamente como a remuneração de todos os motoristas que trabalham nas localidades citadas.
Brasil é o maior mercado da Uber
O tamanho alcançado pelo transporte por aplicativo no país ajuda a dimensionar a importância das diferenças de rentabilidade apontadas pelo estudo.
Em entrevista recente, Silvia Penna, CEO da Uber no Brasil, afirmou que o país se tornou o maior mercado mundial da empresa em volume de transações. A própria Uber informa que 140 milhões de brasileiros já utilizaram seu aplicativo pelo menos uma vez desde o início da operação nacional, em 2014.
A plataforma também afirma que mais de 2 milhões de brasileiros geram renda por meio de seus serviços. Desde a chegada ao país, mais de 17 bilhões de viagens já foram realizadas e mais de R$ 225 bilhões foram repassados a motoristas e motociclistas parceiros.
Os números ajudam a mostrar como o transporte por aplicativo passou a ocupar uma parcela relevante tanto da mobilidade urbana quanto das alternativas de geração de renda no Brasil. O levantamento da GigU, por outro lado, reforça que atuar nesse mercado não necessariamente oferece o mesmo retorno financeiro em diferentes cidades do país.
Rentabilidade obtida pelos motoristas de aplicativo pode mudar consideravelmente de acordo com a região em que trabalham – Imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil
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