Veja também: exportações chinesas crescem 77,5%; Tesla avança com o sistema FSD na Europa e Xiaomi mostra novos modelos
César Tizo - setembro 8, 2026

As principais novidades, lançamentos e movimentos da indústria automotiva internacional que podem interessar ao mercado brasileiro
A Xiaomi lançou na China sua primeira família de SUVs elétricos de alcance estendido. Com preços entre 209.900 e 299.900 yuans, os SkyNomad N70 e N90 combinam grandes baterias com um motor a combustão utilizado como gerador.
A autonomia combinada chega a 1.705 km pelo ciclo chinês CLTC no N90 Max. Embora ainda não exista confirmação de vendas no Brasil, a fabricante prepara sua entrada na Europa em 2027, passo importante para estruturar uma operação automotiva fora da China.
Na Europa, a Dacia tomou o caminho inverso ao transferir a produção do Spring elétrico da China para a Eslovênia. A edição acompanha ainda o crescimento das exportações chinesas e uma nova autorização concedida ao sistema FSD supervisionado da Tesla.
A Dacia apresentou uma nova geração do Spring elétrico, agora maior e produzida na fábrica da Renault em Novo Mesto, na Eslovênia. O modelo atual é importado da China.
A mudança permitirá que o veículo escape das tarifas adicionais europeias aplicadas aos elétricos chineses e se qualifique para programas de incentivo reservados a automóveis fabricados no continente.

O novo Spring utiliza a mesma plataforma do Renault Twingo elétrico e de um futuro modelo da Nissan. A carroceria cresceu 18 cm em relação ao antecessor, mas as dimensões completas ainda não foram divulgadas na fonte consultada.
Os preços começarão em 17.900 euros. A gama terá duas versões e quatro opções de cor, com as primeiras entregas previstas para o começo de 2027.

A Dacia vendeu aproximadamente 210 mil unidades do Spring desde 2021 e pretende oferecer quatro carros elétricos até 2030.
A marca Dacia não é utilizada comercialmente no Brasil, onde produtos desenvolvidos originalmente por ela costumam integrar a gama Renault, como ocorre com o Duster. Não há confirmação de que o novo Spring será vendido no país ou dará origem a um sucessor local do Kwid E-Tech.

O SkyNomad N70 chegou ao mercado chinês em duas versões de cinco lugares. O N70 Pro custa 209.900 yuans, enquanto o N70 Max parte de 239.900 yuans.
O SUV mede 4.960 mm de comprimento, 1.998 mm de largura e 1.765 mm de altura, com 2.950 mm de distância entre-eixos.
A configuração Pro utiliza um motor elétrico traseiro de 210 kW, equivalentes a aproximadamente 286 cv. Sua bateria de fosfato de ferro-lítio possui 52 kWh e permite percorrer 351 km em modo elétrico pelo ciclo CLTC.
O N70 Max acrescenta um segundo motor e tração integral. A potência combinada alcança 310 kW, cerca de 421 cv, enquanto a bateria ternária possui 76 kWh. A autonomia elétrica sobe para 505 km pelo CLTC, e o alcance combinado declarado chega a 1.461 km.
A versão mais potente acelera de 0 a 100 km/h em 5,5 segundos, alcança 190 km/h e utiliza suspensão pneumática com ajuste de altura. O raio de giro informado é de 5,67 m.
Nas duas configurações, um motor 1.5 turbo de 112 kW, aproximadamente 152 cv, gera eletricidade para alimentar o conjunto. O propulsor a combustão não é responsável pela tração direta das rodas.
O equipamento de segurança inclui nove airbags. O sistema de assistência utiliza sensor LiDAR e o processador Nvidia Drive Thor-U, com capacidade declarada de 700 TOPS. As funções de navegação assistida em cidades e rodovias continuam exigindo supervisão do motorista.

O N90 Max ocupa o topo da família e oferece sete lugares em disposição 2+2+3. O preço inicial é de 269.900 yuans.
A carroceria possui 5.285 mm de comprimento, 1.998 mm de largura e 1.825 mm de altura. A distância entre-eixos chega a 3.080 mm.
O conjunto combina o motor 1.5 turbo utilizado como gerador com dois motores elétricos que entregam, juntos, 310 kW, equivalentes a aproximadamente 421 cv. A aceleração de 0 a 100 km/h leva 5,9 segundos.
A bateria ternária de 76 kWh proporciona autonomia elétrica de 464 km pelo ciclo CLTC. Com a bateria carregada e o tanque abastecido, o alcance combinado declarado chega a 1.705 km no mesmo padrão.
A Xiaomi afirma que uma recarga de 15 minutos pode acrescentar até 285 km de autonomia. Potência máxima, temperatura e condições utilizadas para obter esse resultado não foram detalhadas na reportagem consultada.
O N90 possui suspensão pneumática com cinco níveis de altura, capacidade declarada para atravessar trechos alagados de até 750 mm e 12 airbags. O sistema de assistência reúne sensores LiDAR, radar 4D, câmeras e o processador Nvidia de 700 TOPS.
A versão N90 Max Explorer custa 299.900 yuans e recebe uma cabine retrátil integrada ao teto, voltada ao uso em acampamentos. Trata-se de um equipamento instalado de fábrica, com acionamento elétrico.
A Xiaomi ainda não anunciou vendas de automóveis no Brasil. A chegada à Europa, prevista para 2027, permitirá avaliar como a companhia pretende organizar homologação, distribuição, assistência técnica e fornecimento de peças fora do mercado chinês.

A China exportou 894 mil automóveis de passeio em agosto, crescimento de 77,5% sobre o mesmo mês de 2025, segundo os dados finais da China Passenger Car Association.
O resultado contrasta com o mercado doméstico. As vendas dentro do país recuaram 23,7%, para 1,55 milhão de unidades, no 11º mês consecutivo de retração.
Elétricos e híbridos plug-in representaram 64,7% das vendas chinesas. O segmento comercializou aproximadamente 1 milhão de unidades no mercado interno, queda anual de 10,1%. As exportações de eletrificados, por outro lado, cresceram 154,7%.
Os dados definitivos ficaram abaixo da estimativa preliminar de 65,7% de participação e 1,069 milhão de unidades divulgada anteriormente. A diferença decorre da atualização realizada pela associação, portanto os números finais devem prevalecer.
A entidade projeta que as exportações chinesas de veículos poderão alcançar 12 milhões de unidades em 2026 e ficar entre 18 milhões e 20 milhões em 2030.
Autoridades chinesas também publicaram orientações contra reduções frequentes ou excessivas de preços em mercados estrangeiros. BYD, Chery e Geely declararam que seguirão as diretrizes, mas as penalidades para eventuais infrações ainda não foram especificadas.
A combinação entre capacidade industrial elevada e demanda doméstica menor aumenta a pressão pela busca de compradores no exterior. América Latina e Brasil aparecem como destinos possíveis, embora tarifas, produção local e capacidade de pós-venda continuem determinando o avanço de cada fabricante.
A Eslovênia tornou-se o sexto país europeu a autorizar o uso do sistema Full Self-Driving supervisionado da Tesla. A fabricante informou que a liberação aos usuários começará em breve.
O primeiro país da União Europeia a conceder uma autorização provisória foi a Holanda, em abril. Finlândia e Grécia avaliam medidas semelhantes, enquanto a França começou a testar dois automóveis equipados com o sistema.
Uma votação para uma eventual autorização mais ampla na União Europeia poderá ocorrer em 6 de outubro, segundo a Tesla.
Apesar do nome Full Self-Driving, o equipamento permanece classificado como assistência à condução. Ele pode controlar o automóvel, mas exige atenção contínua e disponibilidade do motorista para assumir os comandos.
A Tesla não possui operação comercial oficial no Brasil. A discussão europeia interessa por antecipar critérios de validação, responsabilidade e divulgação de dados que poderão orientar futuras regulamentações de sistemas avançados de assistência em outros mercados.
Os destaques desta edição mostram uma indústria em movimento simultâneo de expansão e regionalização. Fabricantes chinesas lançam produtos destinados a sustentar sua internacionalização, enquanto grupos europeus aproximam a produção dos consumidores para reduzir tarifas e recuperar acesso a incentivos.




