Novo BYD Seagull surge na China e antecipa futuro do Dolphin Mini
Segunda geração ganha tração traseira, suspensão multibraço, motor de 129 cv e cinco lugares, mas ainda não está confirmada para o Brasil
César Tizo - setembro 27, 2026
A BYD apresentou na China a segunda geração do Seagull, modelo vendido no Brasil como Dolphin Mini. A mudança é muito mais profunda do que uma atualização visual: o elétrico cresceu 42,5 centímetros, adotou tração traseira, ganhou suspensão traseira independente do tipo multibraço e passou a oferecer um motor de aproximadamente 130 cv.
O novo conjunto mecânico também abriu espaço para um porta-malas dianteiro. A cabine foi redesenhada, e as versões mais equipadas poderão receber sensor LiDAR e um pacote mais avançado de assistência à condução.
A ligação direta com o Dolphin Mini torna a estreia especialmente relevante para o mercado brasileiro. Entretanto, a BYD ainda não confirmou a exportação da nova geração, nem divulgou preço, bateria, autonomia ou cronograma de vendas na China.
Entre-eixos aumenta 150 mm e chega a 2.650 mm | Foto: Reprodução/Autohome
Novo Seagull fica muito maior
O novo BYD Seagull mede 4.205 mm de comprimento, 1.810 mm de largura e 1.570 mm de altura, com 2.650 mm de distância entre-eixos. Em relação ao automóvel comercializado atualmente no Brasil, o comprimento aumentou 425 mm e o entre-eixos cresceu 150 mm.
A largura também aumentou cerca de 100 mm, enquanto a altura ficou praticamente inalterada. A expansão transforma o posicionamento do carro: embora a BYD continue tratando o Seagull como um elétrico pequeno, suas dimensões agora se aproximam das de hatches de categoria superior.
O espaço adicional permitiu preservar a configuração para cinco ocupantes e tende a melhorar o conforto no banco traseiro. A capacidade do porta-malas convencional ainda não foi divulgada.
Modelo conserva o formato de hatch, mas agora mede 4.205 mm de comprimento | Foto: Reprodução/Autohome
Tração traseira e suspensão multibraço
A alteração mais importante está sob a carroceria. O motor elétrico deixou o eixo dianteiro e foi transferido para a traseira, mudando o Seagull de tração dianteira para traseira.
Dados apresentados ao Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China indicam uma unidade síncrona de ímã permanente com 95 kW, equivalentes a 129 cv. O Dolphin Mini vendido no Brasil possui 75 cv. O aumento é de cerca de 72%, enquanto a velocidade máxima homologada na China passa de 130 km/h para 150 km/h.
A antiga suspensão traseira por eixo de torção foi substituída por um conjunto independente multibraço. Em princípio, a solução mais sofisticada permite controlar com maior precisão o movimento de cada roda e pode melhorar conforto, estabilidade e aderência. O resultado final dependerá, porém, da calibração adotada pela BYD.
Os pneus ficaram mais largos: a nova geração utiliza medidas 205/60 R16, diante dos 175/55 R16 do Dolphin Mini brasileiro. A mudança aumenta a área de contato com o solo, mas seus efeitos sobre consumo e dirigibilidade só poderão ser avaliados após os primeiros testes.
Transferência do motor para o eixo traseiro abre espaço para um porta-malas dianteiro | Foto: Reprodução/Autohome
Porta-malas dianteiro e cabine redesenhada
Com o motor instalado na traseira, a BYD aproveitou o espaço sob o capô para criar um compartimento dianteiro de bagagem. O volume oficial ainda não foi informado, mas o recurso é incomum entre os elétricos chineses de entrada.
Cabine recebe volante de dois raios, tela central flutuante e alguns comandos físicos, mas perde o painel de instrumentos | Foto: Reprodução/Autohome
O interior recebe volante multifuncional de dois raios com base achatada, tela central flutuante e um console redesenhado. A área entre os bancos reúne comandos físicos, carregador de celular por indução e dois porta-copos dispostos longitudinalmente.
Por fora, a segunda geração conserva elementos do Seagull atual, mas ganha faróis mais afilados, para-choques reformulados, maçanetas semiembutidas e lanternas traseiras divididas. Um sensor LiDAR aparece no teto da configuração exibida, associado ao pacote DiPilot 300 de assistência de nível 2. Esses recursos continuam exigindo supervisão permanente do motorista.
Nova geração mantém a configuração para cinco ocupantes | Foto: Reprodução/Autohome
O que muda para o Dolphin Mini no Brasil
O atual Dolphin Mini brasileiro mede 3,78 metros, utiliza motor dianteiro de 75 cv e suspensão traseira por eixo de torção. A versão com bateria Blade de 38 kWh oferece até 280 km de autonomia pelo padrão do Inmetro. A linha também possui uma alternativa de entrada com bateria menor.
A nova geração chinesa mudaria praticamente todos os pilares do produto vendido no País. O ganho de espaço, potência e sofisticação poderá ampliar seu público, especialmente entre famílias que consideram o modelo atual pequeno. Por outro lado, as dimensões maiores e a suspensão mais elaborada poderão elevar custos e aproximar o carro do Dolphin tradicional.
A adoção brasileira não deve ser considerada automática. A BYD poderá alterar equipamentos, bateria, assistência à condução e até o conjunto de suspensão conforme preço, homologação e estratégia local. O LiDAR, em particular, poderá ficar restrito às versões mais caras ou não ser oferecido fora da China.
Como o Dolphin Mini é um dos produtos de maior volume da marca no Brasil, uma segunda geração possui forte potencial para chegar ao mercado nacional. Até agora, contudo, não existe confirmação oficial. Também permanecem indefinidos o início das vendas chinesas, a autonomia, a capacidade da bateria e o preço.
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