Carros pelo Mundo | Jaecoo 7 lidera vendas no Reino Unido; Renault terá modelos mais acessíveis
Jaecoo 7 lidera o mercado britânico, Renault anuncia investimentos na França e marcas chinesas ampliam presença na Argentina
César Tizo - outubro 3, 2026
As principais novidades, lançamentos e movimentos da indústria automotiva internacional que podem interessar ao mercado brasileiro
O Jaecoo 7 foi o automóvel mais emplacado no Reino Unido em setembro. O resultado coloca uma marca que também atua no Brasil à frente de modelos tradicionais em um dos principais mercados europeus.
Na França, a Renault pretende investir mais de € 10 bilhões em veículos elétricos e carros mais acessíveis nos próximos anos. O anúncio ocorre enquanto fabricantes buscam ampliar a produção e enfrentar a concorrência de novos participantes.
A edição acompanha ainda o avanço das marcas chinesas na Argentina e os números trimestrais da Tesla, que superaram as expectativas dos analistas, embora tenham ficado abaixo dos registrados um ano antes.
Jaecoo 7 lidera vendas no Reino Unido
O Jaecoo 7 registrou 10.813 emplacamentos no Reino Unido em setembro e terminou o mês como o automóvel mais vendido do país, segundo dados preliminares da associação britânica de fabricantes e comerciantes de veículos, a SMMT.
No acumulado de 2026, o SUV ocupa a segunda posição, com 39.473 unidades. O resultado mensal mostra a velocidade com que uma marca chinesa relativamente nova pode ganhar espaço em um mercado europeu consolidado.
Outro modelo chinês apareceu entre os elétricos mais vendidos: o BYD Sealion 7 teve 3.191 emplacamentos e ficou em terceiro lugar nessa categoria, atrás dos Tesla Model 3 e Model Y. Jaecoo 7 e Sealion 7 também são comercializados no Brasil, mas os resultados britânicos não indicam que repetirão o mesmo desempenho por aqui.
O mercado total do Reino Unido cresceu 12,1% em setembro, para 350.518 automóveis. Os elétricos responderam por 99.199 unidades, alta de 36,3% ante setembro de 2025 e participação de 28,3%. Os híbridos plug-in avançaram 55,7%, para 59.563 unidades.
Os números ainda são preliminares; a SMMT prevê divulgar o fechamento definitivo em 5 de outubro. No acumulado do ano, os elétricos representam 26,2% dos emplacamentos britânicos, abaixo da meta regulatória de 33% estabelecida para 2026.
Jaecoo 7 liderou os emplacamentos britânicos em setembro, segundo dados preliminares
Renault prevê mais de € 10 bilhões em investimentos na França
O presidente-executivo do Grupo Renault, François Provost, afirmou em 3 de outubro que a companhia investirá mais de € 10 bilhões na França ao longo dos próximos anos. Os recursos serão destinados a veículos elétricos e automóveis mais acessíveis.
Em entrevista à rádio France Inter, o executivo também disse esperar um aumento superior a 25% na produção francesa em 2026, impulsionado pelos elétricos. Ele não apresentou, nessa declaração, a divisão do investimento por fábrica, produto ou ano.
O anúncio interessa ao Brasil pela presença industrial da Renault no Paraná e por sua estratégia de desenvolver veículos para diferentes regiões. O Boreal, por exemplo, é produzido em São José dos Pinhais e integra a expansão internacional da marca.
A companhia não vinculou os novos € 10 bilhões a projetos brasileiros. Portanto, seria prematuro atribuir ao investimento francês a chegada de um modelo específico ao mercado nacional.
Renault 5 E-Tech ilustra a ofensiva elétrica da marca na Europa
Marcas chinesas chegam a 10% do mercado argentino
As fabricantes chinesas responderam por 10% das vendas de automóveis e comerciais leves na Argentina em agosto, segundo dados citados pela Reuters. No fim de 2025, sua participação estava próxima de 2%.
O avanço ocorre em um mercado que passou a permitir a importação, sem tarifas, de até 50 mil veículos elétricos e híbridos durante 2026. Em 2 de outubro, Buenos Aires recebeu uma mostra dedicada às marcas chinesas, com mais de 20 participantes, entre elas BYD, Geely, Chery, GWM e Dongfeng.
A BYD entrou no mercado argentino no fim de 2025 e já alcançou a nona posição entre as marcas mais vendidas, de acordo com a reportagem. O crescimento acontece apesar de uma queda de 13% nas vendas totais de veículos no país no acumulado de 2026.
Para a indústria brasileira, a expansão no país vizinho merece atenção: Brasil e Argentina mantêm uma cadeia automotiva integrada, especialmente na produção e no comércio de picapes e automóveis. Os números atuais, porém, não permitem concluir qual será o efeito sobre fábricas ou exportações brasileiras.
BYD é uma das fabricantes chinesas que ampliam presença na Argentina; Dolphin em imagem ilustrativa
Tesla entrega 486.532 veículos no terceiro trimestre
A Tesla entregou 486.532 automóveis entre julho e setembro de 2026, acima da estimativa média de 456.896 unidades reunida pela Visible Alpha, segundo a Reuters. A produção no período foi de 464.391 veículos.
Model 3 e Model Y responderam juntos por 478.237 entregas. Os demais modelos somaram 8.295 unidades. Apesar de superar as projeções dos analistas, o total trimestral ficou cerca de 2,1% abaixo dos 497.099 automóveis entregues no mesmo período de 2025.
A recuperação das vendas na Europa ajudou o desempenho, analisa a Reuters. A Tesla divulgará os resultados financeiros do trimestre em 21 de outubro; por isso, o volume de entregas, isoladamente, ainda não permite avaliar a rentabilidade do período.
A fabricante não possui operação comercial oficial de automóveis no Brasil. Seus números servem como indicador da disputa global pelos elétricos, segmento no qual marcas chinesas presentes no mercado brasileiro ampliam rapidamente sua participação.
Resumo
Os resultados do dia mostram duas frentes dessa competição: marcas chinesas conquistam compradores em mercados antes dominados por fabricantes tradicionais, enquanto grupos estabelecidos ampliam investimentos para renovar produtos e reduzir custos.
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