Audi prepara fábrica nos Estados Unidos, Dongfeng lança o M-Hero X700 e Denza revela SUV elétrico de até 1.003 km
César Tizo - outubro 25, 2026

As principais novidades, lançamentos e movimentos da indústria automotiva internacional que podem interessar ao mercado brasileiro
A Audi pretende investir US$ 4 bilhões em sua primeira fábrica nos Estados Unidos. A unidade projetada para o estado da Geórgia terá capacidade para produzir até 200 mil veículos por ano e deverá concentrar os maiores SUVs da fabricante.
Na China, a M-Hero lançou o X700, SUV híbrido com até 704 cv e sistemas de assistência e conectividade da Huawei. A versão Ultra reúne arquitetura elétrica de 800 V e bateria de 68,1 kWh. A submarca pertence à Dongfeng, grupo que iniciou sua operação comercial no Brasil em 2026.
A edição acompanha ainda o Denza N8, elétrico de cinco lugares com até três motores, bateria de 130,15 kWh e autonomia de 1.003 km pelo ciclo CLTC, além do estudo da Chery para produzir veículos no Canadá.
A Audi anunciou planos para construir sua primeira fábrica de veículos nos Estados Unidos. O projeto prevê um investimento de US$ 4 bilhões no estado da Geórgia.
A unidade terá capacidade para produzir até 200 mil automóveis por ano e deverá criar aproximadamente 4.500 empregos. O início das obras está previsto para 2027, enquanto a produção deverá começar no início da década de 2030.
A Audi informou que a fábrica será preparada para produzir seus maiores SUVs e poderá adaptar as linhas de montagem de acordo com a procura e a evolução do mercado.
Segundo uma autoridade norte-americana ouvida pela Reuters, os modelos previstos são Q7, Q8 e Q9. A fabricante ainda não apresentou oficialmente a relação completa dos veículos ou suas respectivas motorizações.
A decisão final permanece sujeita à aprovação dos órgãos competentes do Grupo Volkswagen. Portanto, cronograma, capacidade e distribuição dos modelos ainda poderão sofrer ajustes.
Atualmente, todos os automóveis da Audi comercializados nos Estados Unidos são importados da Europa ou do México. As tarifas norte-americanas provocaram um impacto estimado em € 1,2 bilhão nas operações da marca em 2025.
Além da fábrica da Geórgia, a Audi poderá montar aproximadamente 25 mil veículos por ano na unidade da Scout Motors em construção na Carolina do Sul. Essa operação também dependerá da definição dos produtos e dos acordos industriais dentro do Grupo Volkswagen.
O investimento ocorre enquanto a companhia reduz custos e enfrenta queda nas vendas. Os emplacamentos da Audi nos Estados Unidos recuaram 16% em 2026 até o momento do anúncio, enquanto as vendas globais haviam diminuído por dois anos consecutivos.
A localização da produção mais próxima dos consumidores reduz gastos logísticos e a exposição a tarifas. Entretanto, a transferência de parte do volume também preocupa representantes dos trabalhadores alemães, que cobram garantias para as fábricas europeias.
Q7 e Q8 são comercializados oficialmente no Brasil. Nenhuma mudança no fornecimento desses modelos foi anunciada para o mercado nacional, mas uma nova base produtiva poderá influenciar futuramente a origem das unidades, a distribuição global e a disponibilidade de versões.

A M-Hero lançou na China o X700, primeiro integrante de uma nova família de SUVs que combina proposta familiar, capacidade fora de estrada e sistemas eletrônicos da Huawei.
O modelo possui 5.035 mm de comprimento, 1.999 mm de largura e 1.910 mm de altura, com 2.920 mm de distância entre-eixos.
A gama é formada pelas configurações Pro, Max, Max+ e Ultra. Os preços regulares variam de 219.800 a 279.800 yuans. O incentivo de lançamento de 10.000 yuans reduz a faixa para 209.800 a 269.800 yuans e exige pedido firme com a configuração confirmada e bloqueada até 30 de novembro.
O X700 utiliza um motor 1.5 turbo associado a um sistema eletrificado. Dependendo da configuração, o motor a combustão participa da propulsão ou funciona como gerador de eletricidade.
As versões mais potentes possuem dois motores elétricos e tração integral. A potência combinada chega a aproximadamente 704 cv.
Nas configurações de maior desempenho, a aceleração de 0 a 100 km/h declarada chega a 4,93 segundos. A arquitetura elétrica de 800 V é um dos equipamentos destacados para a Ultra, e não deve ser atribuída a toda a gama.
A Ultra utiliza bateria de 68,1 kWh fornecida pela CATL e declara 360 km de autonomia elétrica pelo ciclo chinês CLTC. Ela também reúne amortecedores magnetorreológicos MRC e suspensão pneumática de duas câmaras.
A Pro tem tração traseira, bateria CATL de 51,46 kWh e alcance elétrico declarado de 325 km pelo ciclo CLTC. Max e Max+ possuem dois motores elétricos, tração integral e 285 km de autonomia elétrica no mesmo ciclo. Esses resultados não podem ser comparados diretamente com os números obtidos pelo Inmetro.
Os sistemas de assistência variam conforme a versão. A Pro recebe Huawei Qiankun ADS 5 Pro, enquanto a Max+ acrescenta ADS 5 Max e sensor LiDAR de 896 linhas. Portanto, o sensor e o pacote mais avançado não são equipamentos comuns a todas as configurações.
Apesar dos recursos anunciados, o X700 não é um veículo autônomo. O motorista continua responsável pela condução e precisa supervisionar permanentemente o funcionamento do sistema.
A cabine também muda conforme a configuração: a Pro utiliza tela central de 15,6”, enquanto a Max+ reúne duas telas de 15,6”, banco do passageiro com função de gravidade zero e compartimento com aquecimento e refrigeração.
Os bancos dianteiros podem ser rebatidos eletricamente. Com a segunda fileira dobrada, o interior forma uma área plana com volume declarado de 2,77 m³, destinada ao transporte de objetos ou à utilização durante acampamentos.
A M-Hero pertence à Dongfeng, fabricante que já começou a operar no Brasil por meio da marca DFM. O planejamento local também inclui os veículos premium da Voyah e os SUVs da M-Hero.
O X700 ainda não foi confirmado para o mercado nacional. A apresentação merece atenção porque a Dongfeng já informou que pretende ampliar sua atuação brasileira com as duas submarcas a partir de 2027.

A Denza divulgou novas informações sobre o interior do N8, SUV elétrico que abrirá reservas antecipadas na China em 26 de outubro.
O lançamento comercial está programado para novembro. Preços, equipamentos de cada versão e cronograma de entregas serão detalhados durante a apresentação definitiva.
O N8 possui duas fileiras e capacidade para cinco ocupantes. Ele mede 5.150 mm de comprimento, 1.999 mm de largura e 1.820 mm de altura, com 3.075 mm de distância entre-eixos.
O SUV será oferecido com tração traseira e um motor elétrico ou com tração integral e três propulsores. A configuração superior combina um motor dianteiro com duas unidades traseiras.

A potência total declarada chega a aproximadamente 1.210 cv. As especificações definitivas de desempenho ainda não foram informadas.
As baterias Blade de segunda geração terão capacidades de 105,792 kWh e 130,15 kWh. A maior proporcionará até 1.003 km de autonomia pelo ciclo chinês CLTC.
A Denza também declara que uma estação compatível poderá elevar a carga de 10% a 70% em cinco minutos e de 10% a 97% em nove minutos.
Esses tempos dependerão da potência disponível, da temperatura, do gerenciamento eletrônico e do estado da bateria. A fabricante não informou quantos carregadores compatíveis estarão disponíveis no lançamento.
O painel possui um head-up display panorâmico com 1,1 m de largura e uma tela central de 30”. O console flutuante recebe um seletor de marchas com acabamento semelhante ao cristal e 64 faces.
A marca apresentou quatro combinações de cores para o interior. O acabamento também inclui aplicações de madeira, saídas de ar-condicionado ocultas e controles dos bancos integrados às portas.
A Denza possui operação própria no Brasil e já mantém um site nacional com os modelos B5, Z9 GT, D9 e Z. O N8 não está confirmado para o País, mas suas dimensões e tecnologias mostram como a BYD pretende posicionar a divisão no segmento de SUVs elétricos de alto valor agregado.

A Chery estuda fabricar veículos no Canadá como parte de sua expansão na América do Norte. A companhia planeja iniciar as vendas no país em 2027.
Entre as alternativas consideradas estão a utilização de instalações atualmente ociosas e a formação de parcerias com investidores ou empresas locais.
A fabricante ainda não definiu uma fábrica, um parceiro, o valor do possível investimento, a capacidade de produção ou os modelos que seriam montados.
Segundo o vice-presidente executivo Zhang Guibing, o mercado canadense poderia justificar uma operação industrial própria mesmo sem acesso aos Estados Unidos.
As tarifas e as restrições relacionadas a programas eletrônicos e segurança de dados mantêm os fabricantes chineses praticamente afastados do mercado norte-americano. Autoridades dos Estados Unidos também indicaram que a produção no Canadá não deverá ser utilizada como uma rota indireta de entrada.
O Canadá alterou em 2026 sua política para elétricos produzidos na China. O acordo estabelece inicialmente uma cota anual de 49 mil veículos sujeitos à tarifa de 6,1%, com ampliação progressiva do volume.
A Chery já possui uma joint venture industrial na Espanha, assumiu uma fábrica anteriormente utilizada pela Nissan na África do Sul e avalia produzir veículos na unidade de Sunderland, no Reino Unido.
BYD e Geely também analisam oportunidades no Canadá. A Geely anunciou sua entrada no país em outubro e pretende começar a comercializar automóveis em 2027.
A eventual fábrica canadense ainda deve ser tratada como um estudo. O movimento, entretanto, reforça a estratégia das fabricantes chinesas de instalar operações locais para reduzir tarifas e superar resistências políticas.
A Chery está presente no Brasil por meio da Caoa Chery e também controla as marcas Omoda, Jaecoo e Jetour, que ampliam suas operações no mercado nacional. Nenhuma consequência direta da negociação canadense foi anunciada para essas empresas.
As notícias desta edição mostram que a internacionalização das fabricantes deixou de depender apenas das exportações. Audi e Chery procuram novas bases industriais para reduzir tarifas e aproximar a produção dos principais mercados, enquanto Dongfeng e BYD ampliam suas gamas com SUVs eletrificados repletos de tecnologia.




