Carros pelo Mundo | Geely renova Emgrand; Svolt inicia produção de bateria semissólida
Geely atualiza Emgrand na China, Svolt avança com baterias semissólidas e Xpeng começa a exportar o Mona L05
César Tizo - outubro 26, 2026
As principais novidades, lançamentos e movimentos da indústria automotiva internacional que podem interessar ao mercado brasileiro
A Geely apresentou na China o Emgrand 2027, atualização de seu sedã a combustão que combina mudanças de acabamento e conectividade com preços promocionais a partir de 59.900 yuans. O lançamento mostra que a disputa pelos consumidores chineses continua envolvendo automóveis convencionais, além dos elétricos e híbridos.
Na eletrificação, a Svolt anunciou o primeiro lote de produção de uma bateria semissólida de 100 kWh. A empresa declara compatibilidade com recarga 6C e capacidade de recuperar o equivalente a 500 km em 12 minutos, embora não tenha detalhado as condições dessa medição.
A edição acompanha ainda o início das exportações do Xpeng Mona L05, a autorização da Volkswagen para testar condução automatizada de nível 3 em Hefei e uma nova divisão de responsabilidades entre os parceiros industriais da Audi na China.
Geely Emgrand 2027 ganha tela maior e mantém motor 1.5
A Geely lançou em 25 de outubro o Emgrand 2027 da série Upward, com três configurações e preços regulares entre 68.900 e 82.900 yuans.
Uma campanha válida até 30 de novembro concede desconto de 9 mil yuans. Com isso, os valores ficam entre 59.900 e 73.900 yuans. A opção automática mais acessível custa promocionalmente 68.900 yuans.
O sedã conserva o motor 1.5 de quatro cilindros, aspirado e a gasolina, com aproximadamente 120 cv e 15,3 kgfm. O câmbio pode ser manual de cinco marchas ou automático CVT, com oito relações simuladas.
Central multimídia de 12,8” é uma das novidades do Emgrand 2027
As alterações externas incluem grade simplificada, novos para-choques e detalhes cromados na traseira. As dimensões permanecem em 4.630 mm de comprimento, 1.820 mm de largura e 1.470 mm de altura, com 2.650 mm de distância entre-eixos.
No interior, a principal novidade é a central multimídia flutuante de 12,8”, com sistema Flyme Auto e integração com celulares. O modelo também oferece câmeras panorâmicas com visualização da área abaixo da carroceria, recurso comercialmente denominado “540°”.
A atualização não deve ser confundida com o Emgrand i-HEV, híbrido de outra proposta dentro da família.
A Geely já comercializa o EX5 no Brasil, mas não anunciou a chegada deste Emgrand. A novidade demonstra a abrangência de seu portfólio, que também inclui sedãs convencionais destinados à faixa mais acessível do mercado chinês.
Emgrand 2027 mantém motor 1.5 e recebe mudanças de acabamento e conectividade
Svolt anuncia produção de bateria semissólida de 100 kWh
A Svolt informou em 26 de outubro que o primeiro lote de baterias semissólidas Dragon Armor de 100 kWh saiu da linha de produção em Changzhou, na China.
Segundo o anúncio repercutido pelo CnEVPost, o conjunto utiliza refrigeração nas partes superior e inferior, arquitetura de 900 V e recarga 6C. A fabricante declara recuperação equivalente a 500 km de autonomia em 12 minutos.
A empresa não informou o ciclo de autonomia, o veículo utilizado ou as condições do teste. Portanto, o resultado não permite calcular diretamente quanto um automóvel equipado com a bateria rodará após essa recarga.
A Svolt também anuncia vida útil superior a 3 mil ciclos. A duração efetiva dependerá do gerenciamento eletrônico, da temperatura, da profundidade das descargas e das condições de utilização.
Baterias semissólidas combinam componentes sólidos e líquidos no eletrólito. Elas diferem das baterias totalmente sólidas, que ainda enfrentam desafios adicionais de fabricação e custo.
A estratégia industrial da Svolt prioriza adaptar a tecnologia às linhas existentes. Em comunicado anterior, a empresa explicou que busca melhorar segurança e recarga sem depender imediatamente de processos inteiramente novos.
Os primeiros clientes, modelos e volumes não foram divulgados. Também não existe aplicação brasileira anunciada. O avanço interessa porque a viabilidade industrial, além dos resultados de laboratório, determinará quando essas baterias poderão alcançar veículos vendidos em maior escala.
Svolt anunciou o primeiro lote da bateria semissólida Dragon Armor de 100 kWh
Xpeng começa a exportar Mona L05 antes do lançamento chinês
A Xpeng anunciou o início dos embarques internacionais do Mona L05, SUV de cinco lugares que será lançado comercialmente na China em 29 de outubro.
A companhia pretende vender o modelo em 65 países e regiões. Entretanto, não divulgou os destinos do primeiro lote, a quantidade de veículos embarcados ou as datas de entrega em cada mercado.
Segundo a fabricante, as versões com volante à esquerda e à direita foram desenvolvidas simultaneamente. O programa de validação empregou 660 veículos em 25 países e regiões, incluindo avaliações no México, Alemanha, Emirados Árabes Unidos e Noruega.
Na pré-venda chinesa, o L05 custa entre 169.800 e 191.800 yuans e oferece versões elétricas e elétricas com extensor de autonomia.
As configurações exclusivamente elétricas alcançam até 635 km pelo ciclo CLTC. As opções com gerador a combustão anunciam 310 km em modo elétrico e até 1.310 km combinando bateria e tanque, também pelo CLTC.
A Xpeng afirma ter desenvolvido o veículo para atender a requisitos de segurança de diferentes regiões. Isso não equivale a uma classificação de cinco estrelas já obtida em testes independentes.
O Brasil não foi identificado entre os destinos confirmados. A estratégia merece acompanhamento porque demonstra o desenvolvimento simultâneo de produtos para mercados com exigências técnicas e comerciais distintas.
Xpeng Mona L05 começou a ser exportado antes do lançamento comercial chinês
VW recebe autorização para testar condução autônoma na China
A Volkswagen obteve uma licença para testar condução automatizada de Nível 3 em vias públicas de Hefei, na província chinesa de Anhui.
O anúncio foi feito nesta segunda-feira (26). A companhia informou que já iniciou testes e coleta de dados em condições reais, mas não revelou os modelos utilizados, as rotas autorizadas ou o tamanho da frota.
A etapa integra o objetivo de alcançar prontidão tecnológica para o Nível 3 em 2027. Planos anteriores indicavam a possibilidade de iniciar entregas de veículos com a tecnologia no segundo semestre daquele ano.
No Nível 3, o sistema pode assumir a tarefa de condução dentro de condições delimitadas, permitindo que o motorista deixe de supervisionar continuamente a via enquanto a função estiver autorizada e ativa. Ainda assim, o condutor precisa estar disponível para retomar o controle quando solicitado.
A licença de testes não representa autorização geral de venda ou utilização por consumidores. Homologação do produto e permissões operacionais constituem etapas distintas.
O desenvolvimento envolve a estrutura chinesa do grupo e a Carizon, parceria entre a Cariad e a Horizon Robotics.
Nenhuma aplicação brasileira foi anunciada. A experiência chinesa poderá influenciar o desenvolvimento tecnológico da Volkswagen, mas não determina a disponibilidade dessas funções nos veículos comercializados no País.
Volkswagen avança com testes de nível 3 na China; imagem ilustrativa, sem identificação do veículo de testes
Audi separa atribuições da FAW e da SAIC na China
A Audi anunciou uma reorganização de suas parcerias chinesas para diferenciar as operações da marca tradicional, identificada pelas quatro argolas, e da divisão AUDI, que utiliza o nome escrito em letras maiúsculas.
Conforme comunicado da Audi China repercutido pelo CnEVPost em 26 de outubro, a FAW concentrará o desenvolvimento da marca de quatro argolas, abrangendo veículos a combustão e eletrificados.
A SAIC direcionará sua expansão à AUDI, criada especificamente para o mercado chinês. Essa divisão já oferece o E5 Sportback e o SUV E7X.
A mudança ocorrerá gradualmente. A SAIC Audi poderá continuar vendendo modelos de quatro argolas até o fim de 2027, e a fabricante afirma que preservará o atendimento e os serviços de pós-venda durante a transição.
A reorganização não estabelece uma divisão simples entre carros elétricos e a combustão: a operação com a FAW continuará atuando nos dois segmentos.
A medida não altera a identidade da Audi no Brasil nem confirma a importação dos modelos da AUDI. Seu interesse está na adaptação da fabricante à competição chinesa, com estruturas próprias de desenvolvimento, produtos e distribuição.
Resumo
Os movimentos desta edição mostram diferentes caminhos para competir: atualizar automóveis acessíveis, industrializar novas baterias, desenvolver produtos globais e reorganizar operações locais. A velocidade dessas mudanças também exige distinguir lançamentos efetivos, testes autorizados e tecnologias que ainda aguardam aplicações comerciais.
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