Produção de petróleo e gás natural em terra crescerá até 2029
Setor onshore retoma fôlego com medidas regulatórias e investimentos privados, podendo superar patamares de 2016
César Tizo - abril 3, 2025
A produção de petróleo e gás natural nos campos terrestres (onshore) do Brasil deve continuar crescendo entre 2025 e 2029, seguindo a curva de recuperação já observada em 2024.
De acordo com os Programas Anuais de Produção (PAPs) enviados à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a expectativa é que, até 2028, a produção alcance 300,2 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/dia), superando os níveis registrados em 2016.
Em 2024, a produção foi de 232,3 mil boe/dia. As projeções apontam crescimento gradual nos próximos anos:
2025: 242,2 mil boe/dia
2026: 262,2 mil boe/dia
2027: 292,6 mil boe/dia
2028: 300,2 mil boe/dia
2029: 295,2 mil boe/dia
A recuperação do setor é resultado de um conjunto de medidas regulatórias adotadas nos últimos anos para estimular a atividade onshore, que enfrentou um longo período de declínio.
A produção terrestre vinha caindo desde 2004, atingindo o menor nível em 2022, com 206,7 mil boe/dia. Esse cenário exigiu esforços coordenados entre a ANP e outros órgãos para reverter a tendência e garantir a sustentabilidade das operações.
Medidas regulatórias impulsionam o setor
Entre as ações adotadas, destaca-se a concessão de redução da alíquota de royalties sobre a produção incremental, instituída pela Resolução ANP nº 749/2018. O benefício trouxe mais competitividade para os campos maduros, incentivando investimentos na revitalização desses ativos.
Além disso, a definição de regras claras para a prorrogação da fase de produção dos contratos de concessão, estabelecida pela Resolução nº 6/2020 do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), garantiu mais segurança jurídica para as empresas operadoras, atraindo novos investimentos.
Em 2021, a Resolução ANP nº 853/2021 criou um incentivo específico para empresas de pequeno e médio portes, reduzindo a alíquota de royalties para esses operadores, reconhecendo sua importância na retomada da produção terrestre. Já em 2022, a Instrução Normativa nº 11 da ANP estabeleceu diretrizes para a prorrogação de contratos, o que permitiu a renovação de 112 concessões de campos terrestres desde então.
Entrada de novos operadores dinamiza mercado
Outro fator relevante para a recuperação do setor onshore foi o processo de desinvestimento da Petrobras, iniciado em 2019.
Com a venda de ativos terrestres, o mercado passou a contar com mais de 50 operadoras independentes, ampliando a competitividade e trazendo novos investimentos para a exploração e produção de petróleo e gás em terra.
A combinação dessas iniciativas está permitindo a recuperação da produção em terra, garantindo um novo ciclo de crescimento para o setor.
A expectativa é que, nos próximos anos, os campos terrestres não apenas retomem os patamares de 2016, mas também consolidem um ambiente mais dinâmico e sustentável para a produção de petróleo e gás natural no Brasil.
We use cookies to ensure that we give you the best experience on our website. If you continue to use this site we will assume that you are happy with it.Ok