Como saber se um carro cabe no seu salário? Veja as regras
Fuja da “armadilha da parcela” e confira as regras de ouro para comprar um veículo sem comprometer o seu futuro financeiro
César Tizo - janeiro 3, 2026
A cena é comum: o consumidor entra na concessionária sentindo-se financeiramente confiante e sai três horas depois com as chaves de um carro brilhando, mas com um contrato de 60 ou 72 meses que pode consumir boa parte de sua paz de espírito. Atualmente, a “ditadura da parcela” faz com que muitos brasileiros comprem carros que, na realidade, não podem pagar.
A grande ilusão, segundo especialistas em finanças, é confundir “capacidade de pagamento” com “capacidade de compra”. O fato de um banco aprovar o crédito não significa que a decisão seja inteligente. Os bancos lucram com os juros de prazos estendidos, enquanto o comprador arca com um bem que perde cerca de 20% de seu valor no instante em que sai da loja.
As Regras de Ouro: 20/4/10 e 20/3/8
Para evitar o que é chamado de “suicídio financeiro”, existem diretrizes rigorosas que separam os compradores inteligentes daqueles que ficarão “presos” ao veículo por anos.
Regra 20/4/10: Dar 20% de entrada, financiar em no máximo 4 anos e manter os custos totais de transporte (parcela + seguro + combustível + IPVA) abaixo de 10% da sua renda mensal bruta.
Regra 20/3/8 (Conservadora): 20% de entrada, financiamento em 3 anos e teto de 8% da renda para os custos mensais.
A lógica é implacável: se você não consegue quitar um ativo que desvaloriza em três ou quatro anos, você está comprando um carro acima do seu padrão de vida.
Realidade de acordo com o salário
Adaptando os cálculos para a realidade do mercado automotivo brasileiro — onde os carros são proporcionalmente mais caros em relação ao salário — o choque de realidade é grande. Veja o que você realmente poderia pagar seguindo a regra dos 10% (considerando gastos extras de seguro e manutenção):
Renda Mensal (Bruta)
Orçamento Total p/ Carro
Valor Estimado do Veículo (Seguindo as Regras)
Perfil do carro no Brasil
R$ 5.000
R$ 500/mês
R$ 15.000 a R$ 20.000
Usados com mais de 10 anos (ex: Chevrolet Celta, Fiat Palio) ou uso de transporte por app/público
R$ 10.000
R$ 1.000/mês
R$ 40.000 a R$ 50.000
Seminovos populares (ex: Chevrolet Onix ou Hyundai HB20 com alguns anos de uso)
R$ 20.000
R$ 2.000/mês
R$ 80.000 a R$ 95.000
Sedãs compactos novos ou SUVs seminovos de entrada
R$ 40.000
R$ 4.000/mês
R$ 160.000 a R$ 180.000
SUVs novos ou modelos de marcas premium seminovos
Custo de Propriedade vs. Custo de Oportunidade
O erro fatal de muitos brasileiros é olhar apenas para a parcela. Especialistas destacam que o Custo Total de Propriedade inclui o “ralo financeiro” da depreciação. No Brasil, um carro zero quilômetro de R$ 100.000 pode valer apenas R$ 80.000 após um ano. Somando-se o IPVA, seguro e manutenção, o dono pagou quase R$ 30.000 apenas pelo privilégio de dirigir um carro novo por 12 meses.
Além disso, há o Custo de Oportunidade. Cada R$ 500 “extras” colocados em uma parcela de um carro é um dinheiro que deixa de ser investido. Em 30 anos, essa diferença aplicada em juros compostos pode representar a diferença entre uma aposentadoria confortável e a dependência financeira.
“Parecer Rico” vs. “Ser Rico”
A mensagem final é clara: carros são ferramentas de transporte, não símbolos de status ou investimento. Tenha em mente que uma pessoa dirigindo um Toyota Corolla antigo e quitado pode, efetivamente, ser muito mais rica do que quem desfila em um Mercedes-Benz financiado em 60 meses.
A riqueza não é construída com o que você gasta para impressionar os vizinhos, mas com o que você mantém e investe para o seu futuro. Na dúvida, escolha a segurança financeira sobre o “cheiro de carro novo”.
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