Carro zero com desconto ou seminovo completo? Consumidor deve pesar custo-benefício em 2026
Escolha entre carro 0 km básico e seminovo mais equipado volta ao centro da decisão de compra neste ano
César Tizo - janeiro 8, 2026
Trocar de carro voltou ao radar do consumidor brasileiro em 2026. A combinação de descontos mais agressivos nos modelos de entrada reacendeu o interesse pelo carro zero-quilômetro, enquanto os seminovos completos seguem competitivos em preço, tecnologia e conforto. O cenário recoloca uma dúvida recorrente no mercado: vale mais a pena sair da concessionária com um 0 km básico ou apostar em um usado recente e melhor equipado?
Dados do Estudo de Preços de Veículos Zero Km (PVZ), elaborado pela MegaDealer em parceria com a Auto Avaliar, mostram que o desconto médio aplicado aos carros novos atingiu 7,3% entre janeiro e agosto e ficou em 7,1% em novembro. No mesmo mês, o preço médio dos veículos zero-quilômetro vendidos no país foi de R$ 172.785.
Segundo Fábio Braga, Country Manager da MegaDealer, poucas montadoras reajustaram preços em novembro, o que fez com que as mudanças mais relevantes se concentrassem nos veículos de maior valor. “Houve um pequeno aumento no desconto médio, de 7% para 7,1% entre outubro e novembro. Os menores descontos seguem nos sedãs médios, SUVs e hatches pequenos, enquanto as picapes continuam oferecendo os abatimentos mais generosos”, explica.
Esse movimento tem acelerado o giro de estoque nas concessionárias e ampliado o acesso ao primeiro carro zero-quilômetro. Ainda assim, a atratividade dos seminovos permanece elevada, especialmente entre veículos com um a três anos de uso. Nessa faixa, o consumidor encontra modelos bem equipados, com preços mais baixos e boa liquidez na revenda.
Em novembro de 2025, preço médio dos veículos zero-quilômetro foi de R$ 172.785
De acordo com o estudo Performance de Veículos Usados (PVU), também desenvolvido pela Auto Avaliar, o preço médio dos carros usados foi de R$ 90.804 em novembro, com giro médio de estoque de 39 dias. Para J. R. Caporal, CEO da Auto Avaliar, o aquecimento do mercado se explica pela relação entre idade, quilometragem e preço. “É possível adquirir um veículo relativamente novo, com baixa quilometragem e por um valor interessante, o que tem impulsionado as vendas de usados”, afirma.
Caporal destaca que um seminovo pode custar de 20% a 30% menos que um zero-quilômetro equivalente, além de já ter absorvido a maior parte da desvalorização inicial. “Um carro novo pode perder até 20% do valor nos primeiros meses. No usado, essa queda já aconteceu. Soma-se a isso o IPVA menor e, muitas vezes, um seguro mais barato”, diz.
Outro ponto a favor do seminovo está no nível de equipamentos. Conforto, conectividade e itens de tecnologia costumam encarecer rapidamente um modelo novo. Por outro lado, o usado exige atenção redobrada à procedência, histórico de manutenção e possíveis custos futuros. A recomendação é realizar inspeção técnica, test drive e checar documentação e eventuais recalls pendentes.
Já o carro zero-quilômetro segue atraente para quem prioriza garantia de fábrica, menor custo de manutenção nos primeiros anos e maior facilidade de financiamento. Além disso, o veículo sai sem histórico de uso e permite personalização gradual, conforme o orçamento do proprietário.
Para Braga, a decisão do consumidor está cada vez mais racional. “Hoje a escolha depende menos da emoção e mais da conta que cabe no bolso. Nossa base, com mais de 400 mil vendas analisadas, mostra que muitos compradores abrem mão do carro zero se encontram um usado bem equipado, em bom estado e com preço justo”, afirma.
Caporal reforça que a decisão não deve considerar apenas o desejo pela marca ou modelo. “É fundamental pensar no futuro: como será a desvalorização na revenda e qual é a aceitação desse carro no mercado. Comprar bem hoje faz diferença na hora de vender amanhã”, conclui.
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