Stellantis avalia usar tecnologia de autonomia estendida da Leapmotor em marcas europeias
Sistema que combina propulsão elétrica com motor a combustão pode equipar futuros modelos de Opel, Peugeot, Citroën, Fiat e DS
César Tizo - janeiro 20, 2026
A tecnologia de autonomia estendida utilizada pela Leapmotor pode ultrapassar as fronteiras da marca chinesa e passar a equipar outros modelos do grupo Stellantis na Europa. A possibilidade foi confirmada por Tianshu Xin, CEO internacional da Leapmotor. De acordo com o executivo, a iniciativa seria parte de uma estratégia para ampliar sinergias tecnológicas dentro do conglomerado automotivo.
Atualmente, a Leapmotor oferece seus SUVs B10 e C10 em alguns mercados com duas alternativas de motorização: versões 100% elétricas e configurações com sistema híbrido em série, no qual um motor a gasolina de pequeno porte atua exclusivamente como gerador, recarregando a bateria durante o uso. Vale destacar que o C10 com propulsão híbrida também é oferecido no Brasil desde novembro de 2025.
Leapmotor C10 Ultra-Híbrido
Com a saída de cena do Mazda MX-30 R-EV do mercado europeu, a Leapmotor tornou-se a única fabricante a oferecer atualmente veículos elétricos com tecnologia de autonomia estendida na Europa, algo que também se repete, ao menos por enquanto, no Brasil. Segundo Xin, esse diferencial pode ser compartilhado com outras marcas do grupo Stellantis, que detém 51% da operação internacional da Leapmotor.
“Range-extender é uma boa tecnologia e, sim, estamos explorando as possibilidades de utilizá-la em outros portfólios”, afirmou o executivo em entrevista à revista Autocar. Embora não tenha citado modelos ou marcas específicas, Xin mencionou que o sistema poderia, em tese, ser aplicado a veículos de marcas como Opel e Vauxhall, Peugeot, Citroën, DS e Fiat, dadas as similaridades técnicas entre os elétricos do grupo.
Boa parte dos modelos europeus da Stellantis utiliza plataformas comuns, como a CMP (ex-PSA), a STLA Medium ou a Smart Car, o que facilitaria a adaptação do sistema híbrido em série a diferentes produtos. Caso a tecnologia se mostre compatível com uma dessas arquiteturas, sua aplicação em vários modelos poderia ocorrer de forma relativamente rápida.
Para a Leapmotor, o sistema de autonomia estendida é visto como uma solução de transição importante para o mercado europeu, onde a adoção de veículos 100% elétricos avança em ritmo inferior ao previsto e a infraestrutura de recarga ainda está em expansão. Xin já havia classificado a tecnologia “Ultra-Híbrida”, como a Leapmotor a denomina no Brasil, como uma alternativa intermediária viável para reduzir a ansiedade de autonomia dos consumidores enquanto o ecossistema elétrico amadurece.
Detalhe do Leapmotor C10 Ultra-Híbrido vendido no Brasil: versatilidade entre recarga elétrica ou uso do motor térmico como gerador é o grande destaque do sistema de propulsão híbrida em série da marca
O executivo destacou que o compartilhamento de tecnologias está no cerne do acordo entre Stellantis e Leapmotor. “Essa é uma das razões do negócio: encontrar sinergias usando a tecnologia uns dos outros”, explicou. Além da propulsão híbrida em série, Xin revelou que o compartilhamento de plataformas também está em análise, o que pode permitir que futuros modelos da Leapmotor destinados à Europa utilizem bases já consolidadas do grupo.
Um exemplo dessa integração é o Leapmotor B10, que deverá entrar em produção na Espanha ainda este ano, ao lado de modelos como Opel Corsa, Peugeot 208 e Lancia Ypsilon. A fabricação local reforça a estratégia de adaptação da marca chinesa às exigências do mercado europeu e reduz custos logísticos e industriais.
Outro ponto citado por Xin é a possibilidade de sinergias na compra e no fornecimento de componentes. A Leapmotor se destaca por seu alto nível de integração vertical, com cerca de 65% dos componentes desenvolvidos internamente, o que pode representar ganhos de escala e redução de custos para o grupo como um todo.
Caso avance, a adoção da tecnologia híbrida em série pela Stellantis pode representar uma mudança relevante na estratégia de eletrificação das marcas europeias do grupo, oferecendo uma alternativa técnica entre os híbridos convencionais e os elétricos puros em um momento de transição do mercado.
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