Setor de biodiesel pressiona por adoção do B16 em meio à crise global do petróleo
AliançaBiodiesel afirma que indústria está preparada para B16 e cobra início dos testes para misturas maiores
César Tizo - março 13, 2026
O setor brasileiro de biodiesel afirma ter capacidade imediata para ampliar a participação do biocombustível no diesel comercializado no país. Segundo a AliançaBiodiesel — formada pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE) e pela Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (APROBIO) — a indústria nacional possui hoje capacidade instalada suficiente para atender uma mistura de até 21,6% de biodiesel ao diesel fóssil.
A manifestação ocorre após o Ministério de Minas e Energia (MME) negar a possibilidade de autorizar o aumento imediato da mistura para além do atual B15 (15% de biodiesel), antes da realização de testes técnicos para proporções superiores. Diante desse cenário, o setor defende que o governo agilize o início das avaliações necessárias, especialmente em um contexto internacional de escassez do petróleo.
De acordo com o presidente da APROBIO, Jerônimo Goergen, o cronograma previsto indicava que o país já deveria estar operando com mistura B16 em março deste ano. “Não temos problemas em testar o biodiesel em misturas maiores. No entanto, o governo federal precisa iniciar o processo que já tem atraso considerando que neste mês de março já devíamos estar em B16”, afirmou. Ele acrescenta que o setor se dispõe inclusive a ajudar a financiar os testes necessários para viabilizar o aumento da mistura.
Goergen ressalta ainda que, diante da atual crise internacional que pressiona o mercado de diesel, ampliar a participação do biodiesel seria uma medida estratégica para a economia nacional. “O interesse maior neste momento é ampliar o quanto antes a participação do biodiesel”, reforçou.
Na mesma linha, o presidente executivo da ABIOVE, André Nassar, afirma que a cadeia produtiva está preparada para atender a elevação da mistura. Segundo ele, a indústria está estruturada para colaborar com os testes que garantam segurança técnica à ampliação do percentual de biodiesel no diesel comercializado no país.
“Nossa prioridade é colaborar com avaliações céleres que permitam a expansão do biodiesel ainda este ano, assegurando previsibilidade e confiança para toda a cadeia automotiva e de combustíveis”, afirmou.
A ampliação gradual da mistura de biodiesel faz parte da chamada Lei do Combustível do Futuro, aprovada em 2024. A legislação estabelece que o percentual do biocombustível deve crescer progressivamente, com aumento de um ponto percentual por ano, alcançando B20 até 2030.
Além do debate sobre o cronograma de mistura, o setor também manifestou preocupação com a Medida Provisória nº 1.340/2026, que cria uma subvenção econômica ao diesel rodoviário comercializado por produtores e importadores. A medida, operacionalizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), também institui imposto de exportação de 12% sobre o petróleo bruto em meio à alta internacional dos preços da commodity.
Na avaliação da Frente Parlamentar do Biodiesel (FPBio), a iniciativa direciona recursos públicos para sustentar um combustível fóssil, importado e sujeito às oscilações do mercado internacional, em vez de estimular uma alternativa renovável produzida no país.
Nesse contexto, 43 entidades do agronegócio e da agroindústria defendem a adoção imediata da mistura B17, argumentando que a medida poderia fortalecer a produção nacional e contribuir para aliviar a pressão sobre os preços dos combustíveis.
Outro ponto destacado pelo setor é o nível de ociosidade da indústria de biodiesel, estimado em cerca de 50%. Segundo as entidades, esse cenário permitiria ampliar rapidamente a produção sem risco de desabastecimento.
Para os representantes da cadeia produtiva, a expansão do biodiesel também está alinhada às diretrizes constitucionais que estabelecem regime fiscal favorecido para os biocombustíveis, com tributação inferior à aplicada aos combustíveis fósseis, justamente para estimular a transição energética no país.
Mistura de biocombustíveis
Em paralelo às discussões sobre a ampliação do percentual de biodiesel no diesel, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) comunicou nesta sexta-feira (13) que vai participar de em um projeto de pesquisa voltado a avaliar a viabilidade técnica de misturas mais elevadas de biocombustíveis no país.
A diretoria colegiada da agência aprovou a minuta de uma portaria que estabelece as diretrizes para a participação institucional da ANP no projeto “Política com Ciência – Rede de Pesquisa Combustível do Futuro: Viabilidade técnica do aumento das misturas de gasolina-etanol e diesel-biodiesel”.
A iniciativa será executada pelo Centro de Pesquisas e Análises Tecnológicas da ANP (CPT) e contará com recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), repassados por meio de termo de outorga firmado com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
O projeto integra uma rede de pesquisa composta por nove laboratórios e terá como objetivo produzir subsídios técnicos para avaliar a viabilidade de elevar o teor de biocombustíveis nas misturas com combustíveis fósseis, conforme previsto na Lei do Combustível do Futuro.
O valor total da encomenda científica é de cerca de R$ 30 milhões, sendo aproximadamente R$ 9,9 milhões destinados ao projeto conduzido pelo CPT, que também ficará responsável pela coordenação da rede de pesquisa.
Entre os principais focos do estudo estão as misturasE35, com 35% de etanol na gasolina, e B25, que prevê até 25% de biodiesel no diesel.
Segundo a ANP, o objetivo da iniciativa é reunir evidências técnicas que possam embasar futuras decisões de política energética. A agência ressalta, contudo, que o projeto não representa uma avaliação definitiva para adoção dessas misturas no mercado.
De acordo com a legislação vigente, eventuais aumentos nos percentuais de biocombustíveis dependem de estudos técnicos prévios e posterior deliberação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
O projeto integra o programa Política com Ciência, do MCTI, voltado ao desenvolvimento de políticas públicas baseadas em evidências científicas. A iniciativa foi aprovada oficialmente em dezembro de 2025 e deverá permanecer em execução até 31 de dezembro de 2027.
Segundo a AliançaBiodiesel, indústria nacional possui capacidade instalada para atender mistura de até 21,6% de biodiesel ao diesel fóssil
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