Chinesas aceleram ofensiva global de híbridos e miram mercados da América do Sul
Empresas ampliam investimentos em sistemas híbridos convencionais (HEV) com foco em eficiência e uso de inteligência artificial
César Tizo - abril 30, 2026
As montadoras chinesas estão acelerando uma nova fase da eletrificação automotiva ao ampliar o foco nos veículos híbridos convencionais (HEV), estratégia que ganha força paralelamente ao avanço dos carros 100% elétricos. O movimento envolve nomes que já atuam no Brasil, tais como Geely, Chery, BYD, GAC, Great Wall Motor (GWM) e Changan, consolidando uma disputa direta com a liderança global da Toyota em tecnologias híbridas.
O avanço mais recente veio da Geely, que confirmou o início da produção em larga escala do novo sistema i-HEV. A tecnologia será aplicada em modelos como Geely Emgrand, Geely Preface, Geely Monjaro e Geely Boyue L.
Modelos da Geely com o novo sistema híbrido mais sofisticado da marca
Segundo a fabricante, o conjunto híbrido utiliza um motor térmico com eficiência de 48,4%, além de gerenciamento energético baseado em inteligência artificial. O sistema ajusta em tempo real a atuação do motor a combustão e do propulsor elétrico conforme as condições de condução, conceito que a Geely descreve como parte da evolução para “veículos definidos por IA”.
A fabricante também divulgou números ambiciosos de consumo. Em determinadas condições, o sistema registrou média próxima de 2,22 litros a cada 100 km. Convertendo para o padrão brasileiro, o índice corresponde a cerca de 45 km/l.
Geely aposta em motor térmico de alta eficiência para seu conjunto propulsor híbrido
Outras marcas chinesas seguem caminho semelhante. A Chery, por exemplo, amplia o desenvolvimento de baterias maiores para híbridos convencionais, com capacidade próxima de 5 kWh, acima do padrão de 1 a 2 kWh normalmente empregado nos HEVs tradicionais. Já a Changan aposta em arquiteturas híbridas série-paralelo e motores elétricos mais potentes.
A GAC, por sua vez, apresentou a arquitetura Adimotion, plataforma que unifica sistemas HEV, híbridos plug-in e elétricos de autonomia estendida sob uma mesma base eletrônica e de software. A proposta reflete uma tendência crescente de gerenciamento energético inteligente, no qual diferentes conjuntos eletricos convivem em uma arquitetura compartilhada.
A Great Wall Motor também ampliou sua estratégia híbrida com o Ora 5, modelo que deixa de apostar exclusivamente na propulsão elétrica para adotar uma abordagem multi-energia. A novidade, que está confirmada para o Brasil, passa a contar com versões elétricas, híbridas convencionais, híbridas plug-in e até opções apenas a combustão em alguns mercados.
No caso do Ora 5 HEV, o modelo utiliza motor 1.5 turbo associado a uma transmissão híbrida dedicada. A estratégia da GWM difere de rivais focadas exclusivamente em eficiência energética, priorizando flexibilidade industrial e modularidade de plataforma.
Na China, GWM aposta em estratégia multi-energia para o Ora 5
Os dados de vendas da BYD também ajudam a ilustrar a transformação do mercado chinês. Embora a empresa não comercialize híbridos convencionais dedicados, os híbridos plug-in vêm ganhando relevância em sua estrutura comercial. Em janeiro de 2026, os elétricos puros representavam 40,5% das vendas da marca, contra 59,5% dos híbridos plug-in. Em março, a divisão praticamente atingiu equilíbrio, com 49,9% de participação para os elétricos e 50,1% para os PHEVs.
Outro fator importante para a expansão dos híbridos está relacionado às mudanças tributárias na China. A partir de 2026, os incentivos para veículos elétricos e híbridos plug-in foram reduzidos, diminuindo a diferença de custo entre as diferentes tecnologias eletrificadas.
Ao mesmo tempo, as fabricantes chinesas enxergam os híbridos como peça-chave para estratégias globais de exportação, especialmente em regiões onde a infraestrutura de recarga ainda é insuficiente. Entre os principais alvos estão mercados do Sudeste Asiático e da América do Sul, incluindo o Brasil.
Mesmo com a participação dos veículos eletrificados já ultrapassando 52% do mercado chinês em março de 2026, a indústria local avalia que elétricos, híbridos convencionais e híbridos plug-in deverão coexistir por muitos anos. Em vez de uma substituição linear, a estratégia atual aponta para múltiplas rotas tecnológicas adaptadas a diferentes perfis de consumidores, custos e mercados globais.
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