Preço médio dos carros usados supera R$ 90 mil e bate recorde em maio
Mercado de seminovos mantém ritmo aquecido, com alta nas avaliações e captações por parte das concessionárias
César Tizo - junho 23, 2026
O mercado de veículos usados e seminovos registrou mais um mês de forte atividade no Brasil. Em maio de 2026, o ticket médio de venda alcançou R$ 90.082, o maior valor do ano, segundo o Estudo Megadealer de Performance de Veículos Usados (PVU), elaborado com base em dados transacionais da plataforma Auto Avaliar.
O resultado foi acompanhado por um aumento expressivo na movimentação das concessionárias. Foram realizadas 293.163 avaliações de veículos no período, volume 22,6% superior ao registrado em maio de 2025. Já as captações somaram 51.609 unidades, avanço de 15,56% na mesma comparação. Ambos os indicadores atingiram recorde em 2026.
Para Fábio Braga, Country Manager da Megadealer, o desempenho confirma a relevância crescente do mercado de usados dentro das operações das concessionárias. Segundo ele, o aumento do valor médio dos veículos comercializados amplia o potencial de faturamento, mas não elimina os desafios relacionados à rentabilidade.
“Ver o ticket médio superar R$ 90 mil mostra que o usado ganhou ainda mais relevância econômica dentro das concessionárias. Mas esse valor por si só não garante rentabilidade. O desafio é comprar bem, precificar corretamente e girar o estoque com velocidade”, afirma.
Apesar do recorde no ticket médio, a margem bruta média ficou em 10,3%, equivalente a R$ 9.247 por veículo. O resultado representa um retorno aos níveis observados entre outubro de 2025 e janeiro de 2026 e sugere um ambiente de maior pressão sobre os preços.
Em contrapartida, o giro de estoque apresentou melhora. O prazo médio de permanência dos veículos caiu para 37 dias em maio, contribuindo para elevar o ROI anualizado dos seminovos para 72%. O indicador reforça a importância da velocidade de venda como fator decisivo para a rentabilidade das operações.
“O giro é hoje um dos maiores motores de rentabilidade no usado. Não adianta buscar margem alta se o veículo fica parado no pátio por muito tempo. O bom resultado vem do equilíbrio entre preço de compra, margem e velocidade de venda”, destaca Braga.
O levantamento também aponta espaço para evolução no processo de captação de veículos. Embora o volume de avaliações tenha crescido, apenas 17% delas resultaram em captações efetivas para o estoque das concessionárias.
Para o CEO da Auto Avaliar, J. R. Caporal, a diferença entre avaliar e efetivamente comprar veículos representa uma das principais oportunidades de melhoria para o setor.
“A avaliação é a porta de entrada do usado, mas a rentabilidade está na qualidade da captação. Uma concessionária pode avaliar muito e ainda assim perder oportunidade se não tiver processo, velocidade de decisão e política clara de compra. Converter melhor é um diferencial competitivo”, afirma.
Renault Kwid lidera rentabilidade
Entre os seminovos ano-modelo 2023 a 2025, o Renault Kwid foi o veículo que apresentou o melhor desempenho financeiro em maio. O hatch registrou preço médio de R$ 53,8 mil, margem bruta de 13,5% e giro médio de 43 dias.
Na sequência aparecem o Peugeot 208, com preço médio de R$ 74,9 mil, margem de 11,9% e giro de 38 dias, e o CAOA Chery Tiggo 5x, com preço médio de R$ 106,7 mil, margem de 11,6% e giro de 37 dias.
Já entre os modelos com maior velocidade de venda, os destaques ficaram para o CAOA Chery Tiggo 7, com giro médio de 33 dias, e o Toyota Corolla, com 34 dias. No ranking de margem bruta, o Kwid também liderou, seguido por Citroën C3, Fiat Argo, Peugeot 208 e Hyundai HB20.
Eletrificados chineses se destacam
A análise por segmento mostrou que os veículos eletrificados de marcas chinesas apresentaram o melhor desempenho em retorno sobre investimento. Modelos híbridos e elétricos de fabricantes como BYD e GWM registraram ROI de 113%, o maior entre todas as categorias avaliadas.
Segundo Braga, o desempenho indica que o mercado de seminovos começa a refletir as mudanças observadas no segmento de veículos novos.
“Os elétricos e híbridos chineses já aparecem com força no indicador de ROI. Isso mostra que o varejo precisa acompanhar de perto a mudança no comportamento do consumidor e entender quais modelos têm liquidez real no usado, não apenas apelo no zero-quilômetro”, avalia.
O segmento A-Hatch (compactos de entrada) também apresentou resultado expressivo, com ROI de 107%. Na outra ponta, as categorias B-Picape (compactas) e D-SUV (grandes) registraram os menores retornos, impactadas por prazos maiores de permanência em estoque e margens mais apertadas.
Os SUVs compactos mantiveram protagonismo nas vendas de seminovos. A categoria respondeu por 30% do mix comercializado em maio, avanço de 0,6 ponto percentual sobre abril. Já os veículos híbridos e elétricos alcançaram participação de 3,2%, crescimento de 0,1 ponto percentual no período.
Para Caporal, o cenário confirma um mercado aquecido, mas cada vez mais dependente de eficiência operacional. Segundo ele, as concessionárias que conseguirem integrar estratégias de compra, precificação, margem e giro de estoque estarão mais preparadas para capturar as oportunidades oferecidas pelo atual momento do setor.
“Mais do que vender caro, o desafio é comprar bem. O usado exige método, dado e disciplina. As redes que conseguem olhar para captação, preço, margem e giro de forma integrada tendem a capturar melhor esse momento de mercado”, conclui.
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