Intenção de compra de carros segue alta no Brasil e alcança 68%, diz estudo
Estudo da EY mostra ainda que a preferência dos potenciais compradores fica para modelos a combustão e marcas europeias
César Tizo - julho 3, 2026
O mercado automotivo brasileiro segue com elevada intenção de compra por parte dos consumidores, embora em ritmo um pouco menor do que no ano passado. É o que revela a mais recente edição do Índice de Mobilidade do Consumidor (MCI, na sigla em inglês), elaborado pela EY, segundo o qual 68% dos brasileiros manifestam interesse em adquirir um automóvel.
Apesar de o índice permanecer acima da média das Américas, o percentual representa uma queda de quatro pontos percentuais em relação a 2024. Ainda assim, a maior parte dos consumidores pretende concretizar a compra em um horizonte relativamente curto: 64% dos entrevistados afirmaram que desejam adquirir um veículo nos próximos 12 meses, enquanto 38% projetam a compra entre 13 e 24 meses.
“Embora a porcentagem de 68% continue acima da média regional, também houve retração no Brasil, com queda de quatro pontos percentuais em relação a 2024“, afirma Marcelo Frateschi, sócio-líder para o setor automotivo da EY Brasil. Segundo o executivo, o cronograma de compra demonstra que a demanda potencial segue aquecida no país.
No restante das Américas, o levantamento aponta que 58% dos consumidores estão extremamente ou razoavelmente propensos a comprar um carro, resultado três pontos percentuais inferior ao registrado na edição anterior do estudo.
Marcas europeias lideram preferência
O levantamento também mostra mudanças na percepção dos consumidores em relação à origem das marcas. As fabricantes europeias ampliaram sua atratividade entre os brasileiros, independentemente do tipo de motorização, reunindo a preferência de 76% dos entrevistados.
Ao mesmo tempo, as montadoras chinesas continuam ampliando sua presença na percepção do consumidor brasileiro e já alcançam 24% de preferência, refletindo o avanço dessas marcas no mercado nacional nos últimos anos.
Marcas europeias seguem liderando a preferência dos consumidores brasileiros
Concessionárias seguem relevantes
Na jornada de compra, as concessionárias permanecem como o principal canal para a conclusão do negócio. Segundo o estudo, 36% dos consumidores preferem finalizar a aquisição presencialmente em showrooms.
Entretanto, os canais digitais continuam ganhando espaço. Atualmente, 28% dos entrevistados afirmam preferir concluir a compra pela internet, enquanto outros 36% optam por uma experiência híbrida, combinando etapas online e presenciais.
O estudo também revela que os consumidores brasileiros valorizam principalmente recursos ligados à navegação, segurança e proteção do veículo. Em contrapartida, funcionalidades voltadas ao conforto, bem-estar e entretenimento exercem influência menor na decisão de compra.
Interesse por veículos a combustão cresce
Outro destaque do levantamento é a mudança nas preferências em relação às tecnologias de propulsão. A participação dos consumidores interessados em veículos movidos exclusivamente a combustão subiu de 35% para 49%, enquanto a preferência por automóveis totalmente elétricos permaneceu estável em 9%.
Segundo Ricardo Assumpção, líder de sustentabilidade e Chief Sustainability Officer (CSO) da EY para a América Latina, o cenário reflete um momento de maior cautela dos consumidores diante das transformações do setor.
“O elétrico ficou preso entre a urgência climática e a disputa geopolítica. O consumidor percebe essa incerteza“, afirma.
A tendência observada no Brasil acompanha o comportamento global identificado pelo estudo. De acordo com o MCI, metade dos consumidores no mundo pretende adquirir um veículo a combustão nos próximos 24 meses, um avanço de 13 pontos percentuais em comparação com a pesquisa de 2024. Já a preferência por veículos totalmente elétricos caiu para 14%.
Na avaliação de Assumpção, esse movimento não representa um retrocesso da eletrificação, mas sim uma nova etapa de maturidade do mercado.
“A eletrificação amadureceu e não vai se dar em uma linha reta nem será igual para todos os países. A China seguirá acelerando porque construiu escala, infraestrutura e cadeia produtiva. A Europa continuará pressionada por metas climáticas, mas protegerá sua indústria. Os Estados Unidos avançarão quando a eletrificação for percebida como emprego americano, bateria americana e soberania americana. E o Brasil terá uma rota própria: etanol, híbridos flex, eletrificação de frotas e, progressivamente, veículos 100% elétricos onde a conta econômica fechar“, conclui o executivo.
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