Chevrolet Onix, Renault Kwid e VW Fox puxam alta dos usados
Levantamento do banco BV mostra valorização de 3,49% nos preços dos veículos usados no primeiro semestre de 2026
César Tizo - julho 15, 2026
Os preços dos automóveis usados mantiveram a trajetória de valorização no Brasil durante o primeiro semestre de 2026, com destaque para hatches de grande volume de vendas, como Chevrolet Onix, Renault Kwid e Volkswagen Fox. É o que aponta o IBV Auto, índice desenvolvido pelo banco BV para acompanhar a evolução dos preços dos veículos leves usados no país.
Entre janeiro e junho, o indicador acumulou alta de 3,49%, acima do avanço de 1,98% registrado no mesmo período de 2025. Apenas em junho, a valorização foi de 0,57%, superando o resultado de maio (+0,43%), embora abaixo da média observada no primeiro trimestre deste ano (+0,72%). No acumulado de 12 meses encerrados em junho, a alta chega a 6,87%.
Segundo o economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani, o mercado segue aquecido, mas começa a apresentar sinais de estabilização. “O mercado de usados continua em trajetória de valorização, mas em ritmo menos intenso. A leve desaceleração da taxa acumulada em 12 meses sugere que os preços permanecem pressionados, embora já com sinais de acomodação na margem“, afirma.
Onix, Kwid e Fox lideram valorização
A análise do IBV Auto mostra que os principais responsáveis pela aceleração do índice nacional em junho foram Renault Kwid, Volkswagen Fox e Chevrolet Onix, modelos que registraram desempenho acima da média do mercado.
Na direção oposta, Honda HR-V, Volkswagen T-Cross e Hyundai HB20 exerceram pressão negativa sobre o indicador no período, contribuindo para conter uma valorização ainda maior dos usados.
De acordo com o vice-presidente de Varejo do banco BV, Jamil Ganan, o comportamento do mercado está cada vez mais ligado às características individuais de cada veículo. “A valorização dos usados continua presente, mas depende cada vez mais das características de cada modelo e das dinâmicas regionais. O comportamento do mercado tem sido menos uniforme e mais sensível às preferências dos consumidores“, destaca.
Renault Kwid Zen
Minas Gerais lidera alta entre os estados
A valorização dos usados foi observada em todas as regiões do Brasil durante junho. O Sudeste apresentou o maior avanço mensal, de 0,83%, enquanto o Centro-Oeste registrou a menor variação, de 0,32%.
Todos os 27 estados brasileiros tiveram aumento nos preços dos veículos usados. Minas Gerais liderou a alta em junho, com avanço de 1,64%, enquanto Mato Grosso do Sul registrou a menor variação, de 0,09%.
No acumulado de 12 meses, Minas Gerais também aparece na liderança, com valorização de 8,48%, seguido por Rio de Janeiro (7,20%), Sergipe (7,08%) e Piauí (7,06%). Entre os estados com menor variação estão Mato Grosso (4,34%), São Paulo (5,27%) e Santa Catarina (5,38%).
Segundo o levantamento, o desempenho de Minas Gerais foi impulsionado principalmente pela forte valorização de modelos de grande volume de vendas, como Chevrolet Onix e Volkswagen Gol, que registraram aumento superior ao dobro da média nacional no primeiro semestre.
Chevrolet Onix Joy 2020
Elétricos continuam perdendo mais valor
O estudo também reforça que o tipo de motorização segue influenciando diretamente a desvalorização dos veículos usados.
Entre os modelos elétricos lançados em 2023, a perda de valor acumulada até junho de 2026 chega a 46,1%, reflexo da redução dos preços dos veículos novos, do aumento da concorrência e das estratégias agressivas de precificação adotadas pelas fabricantes.
No mesmo intervalo, os híbridos acumulam desvalorização média de 26,1%, enquanto modelos equivalentes com motor a combustão registram perda de 19,6%.
A diferença é ainda mais expressiva entre os veículos lançados em 2022. Nesse grupo, os elétricos acumulam desvalorização média de 50,5%, contra 19,3% dos híbridos e 13,2% dos automóveis a combustão.
Desenvolvido com base nas operações de financiamento do banco BV, o IBV Auto utiliza transações reais do mercado brasileiro para medir a evolução dos preços dos veículos usados, considerando fatores como volume de negociações, categoria, região e tipo de propulsão. A metodologia também permite comparar a desvalorização entre automóveis elétricos, híbridos e a combustão de características equivalentes.
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